Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) denuncia que estes profissionais estão a ser obrigados a seguir turno por falta de pessoal nas unidades de saúde pública do Algarve.
O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) do Algarve alertou para a falta de profissionais na Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve, acusando a administração de recorrer de forma sistemática a trabalho extraordinário para assegurar escalas.
Segundo o sindicato, existem serviços onde os turnos extraordinários são utilizados para colmatar falhas permanentes, levando frequentemente os enfermeiros a prolongar horários por ausência de substituições.
O SEP considera que esta situação está a comprometer a conciliação entre vida profissional, familiar e pessoal dos profissionais de saúde.
Na nota divulgada esta sexta-feira, 9 de maio, o sindicato acusa ainda a administração da ULS Algarve de privilegiar soluções que evitem o pagamento de folgas compensatórias associadas ao trabalho extraordinário.
O SEP cita também um estudo recente da Entidade Reguladora da Saúde (ERS), que alerta para desequilíbrios entre necessidades e oferta de cuidados de saúde no Algarve.
Segundo os dados referidos pelo sindicato, a região dispõe de 0,67 enfermeiros por mil habitantes nos cuidados de saúde primários e de 0,76 médicos por mil habitantes.
O mesmo estudo indica que cerca de 90% da população algarvia enfrenta baixos níveis de acesso a cuidados de saúde devido à insuficiente cobertura de respostas de proximidade. De acordo com o SEP Algarve, existiam 2023 enfermeiros na ULS do Algarve até outubro de 2025, menos 322 do que em 2024.
O sindicato refere ainda o relatório «State of Health in the EU – Portugal: Perfil de Saúde do País 2025», segundo o qual o Algarve registava em 2024 cerca de seis enfermeiros por mil habitantes, abaixo da média nacional de 7,9 e da média europeia, próxima dos nove.
Para a delegação regional do SEP, o envelhecimento da população e o aumento das comorbilidades tornam particularmente preocupante a redução do número de enfermeiros na região.
O sindicato critica ainda a intenção do Ministério da Saúde de acabar com as Equipas Comunitárias de Suporte em Cuidados Paliativos, considerando que a medida poderá agravar a pressão sobre os serviços de saúde.