Vinagre «Fateixa» do Algoz quer afirmar-se na gastronomia algarvia

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No Algarve já se produzem vinagres de damasco, alfarroba, uva, gengibre, morango e nêspera. Chegam ao mercado com o intuito de conquistar os melhores chefs e barmans da região.

«É um produto com uma alma 100 por cento algarvia, a começar no produtor e a terminar nos ingredientes, os quais enaltecem os frutos e as ervas na região, muitas vezes esquecidos, e cuja conjugação com a gastronomia tradicional resulta numa grande mais-valia», explica ao «barlavento» o engenheiro alimentar e mentor dos vinagres «Fateixa», David Santo, 37 anos, natural do Algoz.

A ideia surgiu em 2016 quando «o produto ainda não existia no Algarve». Seguiu-se depois o processo de desenvolvimento durante quatro anos, até ao seu lançamento, no início de 2019.

Excelentes para shrubs, isto é, cocktails com base de vinagre.

O engenheiro decidiu recuperar um antigo terreno de quatro hectares da família, no interior do concelho de Silves, agora repleto de alfarrobeiras, figueiras, laranjeiras, limoeiros, amendoeiras, e diversas ervas como o tomilho, murta, funcho, aroeira, poejo, neveda (um género de menta) a partir do qual colhe praticamente todos os materiais que depois usa na conceção dos seus vinagres.

Existe ainda um velho lagar e adega onde produzia aguardente, a partir do qual, e em estreita colaboração com a Universidade do Algarve (UAlg), elabora os inovadores vinagres, para já, disponíveis nas variedades de damasco, alfarroba, uva, gengibre, morango e nêspera.

Os mais vendidos são, sem dúvida, «o de figo, uva com tomilho e gengibre», revela.

O vinagre é algo que se diferencia sobretudo devido ao «aroma intenso e o complexo sabor adquiridos através de um processo especial de produção artesanal», explica.

São produzidos utilizando frutos selecionados «com a maturação ideal, através do método de Orleans, um dos processos mais antigos de produção, lento e tradicional de elaboração de vinagre, o qual permite obter um produto final com caraterísticas organoléticas peculiares devido à presença de álcool residual, que favorece a formação de éteres e outros compostos voláteis», descreve David Santo.

Vinagre Fateixa Barricas
As barricas de carvalho francês onde se processa a acetificação.

«A acetificação decorre em barricas de carvalho francês preparadas para o efeito» e, por isso, «os vinagres assim obtidos apresentam uma componente aromática muito intensa, um aspeto límpido mas com a presença de alguns sedimentos e uma complexidade de diversos sabores», garante.

O projeto que «desde o início tem tido o apoio da UAlg, onde decorrem os processos de análise laboratorial e controlo de qualidade» já foi apresentado a alguns hotéis e restaurantes da região.

De acordo com o engenheiro alimentar, o «público-alvo passa não só por chefs de conceituadas cozinhas, onde podem ser utilizados em entradas, pratos principais e até sobremesas, mas também por barmans» ávidos de surpreender os seus clientes com shrubs, isto é, cocktails com base de vinagre, que «começam a revelar-se uma nova tendência e a estar bastante na moda».

Na verdade, «as aplicações só dependem da imaginação de cada um», salienta.

No entanto, «como são produtos muito específicos nem todos os conseguem conjugar na perfeição e tirar o melhor partido dos sabores.

A «Fateixa» procura pessoas dinâmicas, com imaginação, criatividade e sensibilidade para saberem conjugá-los com diversos elementos», desafia o produtor.

Os vinagres artesanais estão disponíveis em embalagens 250 mililitros e o preço ronda os 4,5 euros.

David Santo, engenheiro alimentar e criador dos vinagres «Fateixa».

Em breve, a marca irá disponibilizar também no mercado embalagens de 100 mililitros criadas especificamente para estarem disponíveis para venda nos aeroportos nacionais.

A estimativa de produção para este primeiro ano é de 2000 litros de vinagre, isto é, cerca de 8000 garrafas de 250 mililitros.

Um dos objetivos para o futuro passa por conseguir um «certificado biológico» para o vinagre algarvio, bem como investir na sua divulgação, e melhorar ainda mais o processo de produção e as suas variedades.

Além disto, David Santo tem a intenção de promover workshops onde possa dar a provar «toda a potencialidade e versatilidade do produto» seja na gastronomia ou nos cocktails.

Quem quiser saber mais informações pode contactar David Santo diretamente através de email ([email protected]) ou acompanhar a página de facebook (fateixaalgarvia).