UAlg une-se a seis universidades europeias em prol da sustentabilidade

  • Print Icon

Academias candidatam-se a uma aliança europeia que poderá permitir financiamento para investigações e projetos com foco nos atuais desafios sociais e ambientais. A formalização da candidatura decorreu no campus de Gambelas, na manhã de sexta-feira, dia 10 de janeiro e contou com um representante de cada instituição.

Paulo Águas, Reitor da academia portuguesa, explicou que «o que está em causa é termos uma Europa mais competitiva. A Europa tem de continuar a ser uma referência neste mundo cada vez mais global. Temos de ganhar escala e manter as nossas identidades. Daí surge este projeto que visa uma maior mobilidade entre os conjuntos das alianças».

A iniciativa European University Alliance está germinar vários consórcios universitários por toda a União Europeia, com áreas de atuação diversificadas.

No caso da Universidade do Algarve e parceiros, o objetivo do agora formalizado Sustainability Horizon Alliance, o objetivo é garantir a sustentabilidade ambiental, social e económica, com vantagens para toda a comunidade.

Mas o que têm em comum as sete universidades? Um número de alunos modesto, entre os 4000 e os 11 mil, mas que realizam atividades com impacte relevante nas regiões onde se inserem.

«Somos pequenas universidades. Não somos de capitais europeias, mas a Europa também é das pequenas regiões. Somos jovens, mas temos desenvolvido conhecimento e se esta candidatura for bem sucedida, teremos meios para trabalharmos mais e atrair um maior número de estudantes», explicou o magnífico Reitor aos jornalistas.

Paulo Águas, Reitor da Universidade do Algarve (UAlg).

Na prática, esta aliança europeia tem vários objetivos em vista, que abrangem tanto docentes como alunos: atribuição de diplomas europeus inovadores; mobilidade ativa entre estudantes e professores; implementação de uma educação multilingue; criação de oportunidades para migrantes e refugiados; investigação conjunta em ciências da sustentabilidade e formação capaz de ter impacto global; atribuição de diplomas europeus inovadores e criação de pontes estratégicas com África, América do Sul e Ásia.

«Queremos estar mais juntos e criar programas de desenvolvimento comuns. Queremos maior mobilidade entre estas universidades e queremos espalharmo-nos pelo mundo. Creio que esta inscrição pode revelar-se em algo com muito sucesso», garantiu Paulo Águas.

Também Maria Antonia Penã Guerrero, Reitora da Universidade de Huelva, no uso da palavra seguiu a mesma linha de pensamento.

«Temos grandes capacidades de impulsionar o território e de desenvolver políticas e estratégias para o bem-estar e para o progresso dos cidadãos. Somos uma universidade comprometida com o ensino e a investigação com a sustentabilidade ambiental e com todos os problemas que daí advêm», disse.

«Temos objetivos de conseguir contribuir com conhecimento, ciência e difusão de valores éticos para as soluções destes problemas que não são só europeus, mas de toda a humanidade. Acreditamos que é compatível o modelo de universidade pequena, fiel ao seu território e aos seus cidadãos, com um espírito claro de internacionalização. Todos estamos a desenvolver políticas abertas a outros continentes. Oxalá possamos conseguir que a Europa compreenda a dimensão e a potencialidade deste consórcio. Somos pequenos, mas muito fortes e com muita vontade de trabalhar pelo bem da Europa e dos nossos cidadãos», disse ainda a responsável da academia andaluza.

Claudio Carere, Kerstin Gallenstein, Maria Antonia Peña Guerrero, Paulo Águas, Vladimir Sedlarik, Henri Karppinen e Raul Pascalau.

Um ponto de vista corroborado por Vladimir Sedlarik, Reitor da universidade checa, que considerou «o projeto promissor no ponto de vista das nossas missões de educar e de fazer investigações a nível internacional».

Já Henri Karppinen, o vice-reitor finlandês, mostrou-se confiante. «Estou convicto que iremos receber o financiamento para começarmos a fazer estas coisas importantes que planeamos».

Um objetivo que Raul Pascalau, Chefe do Gabiente de Erasmus+ e do Gabinete de Relações Internacionais da instituição romena «muito importante, inovador, que representa uma parceria e o início de relações pessoais e de multiculturalidades».

Ao invés, a diretora do departamento de Assuntos Internacionais, a alemã Kerstin Gallenstein, mencionou a relevância desta para a conjuntura política atual. «É uma honra termos sido convidados para fazer parte deste consórcio. Nestes tempos políticos que correm, é uma ótima oportunidade conseguir que a nossa voz seja ouvida no resto da Europa».

Por fim, Claudio Carere, o vice-reitor de Orientação Estudantil, vindo de Itália, destacou a temática da sustentabilidade.

«Na universidade que represento decorrem investigações relacionadas com o ambiente e com estas problemáticas que afetam tanto a nossa sociedade. Ações e comportamentos conjuntos têm resultados emergentes e só com comportamentos conjuntos e sincronizados é que conseguimos fazer face a estes desafios que a aliança pretende fazer face. Creio que é apenas com novas maneiras de pensar que conseguimos salvar o futuro. Acho que este é o único caminho. Estamos todos muito empenhados e nível moral e ético e temos de transmitir esta mensagem a todos», disse.

Questionado pelos jornalistas sobre a importância de a UAlg ser a coordenadora de toda a aliança, Paulo Águas respondeu que «não é relevante quem está a encabeçar. Somos todos iguais. Isto é apenas um ponto de vista formal. Tem de haver uma universidade coordenadora, mas que não trabalhe nem decide menos nem mais que os outros. O consórcio entendeu que seria a melhor solução».

Os resultados das candidaturas estão previstos saírem no mês de março, ocasião em que o valor final do financiamento será também oficializado.

O consórcio Sustainability Horizon Alliance que junta a Universidade do Algarve (UAlg), com a Universidade de Huelva (Espanha), a Universidade de Ciências Agrárias e Medicina Veterinária de Timiosara (Roménia), a Universidade de Túscia (Viterbo – Itália), a Universidade de Ciências Aplicadas de Lathi e Lappeenranta (Finlândia), a Universidade Ludwigshafen de Economia e Sociedade (Alemanha) e a Universidade Tomas Bata de Zlín (República Checa).