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A Comissão Política do PSD Algarve, a propósito do abaixo-assinado dos cirurgiões do Hospital de Faro, assinala que o teor do documento é «de extrema gravidade».

Entre outras coisas, pelo punho dos profissionais, descreve a «sistemática inexistência de camas para internamento de doentes urgentes», a «recorrente ausência de acesso ao bloco operatório num tempo considerado ótimo» ou os «sistemáticos entraves à realização de exames complementares de diagnóstico», ou seja, «um estado de tal forma degradante que constitui uma amputação básica do direito à saúde, a qual está rigorosamente em linha com a apreciação que o PSD Algarve tem feito, bem como com os inúmeros episódios que são de conhecimento público», diz aquela força política em comunicado de imprensa, enviado ontem, dia 30 de novembro.

Todos estes episódios, os supra-citados, ou outros como o de doentes oncológicos que falecem sem ter acesso a tratamento devido como denunciado pelo PSD e caucionado pela Entidade Reguladora da Saúde, não são já episódios isolados, pontuais».

São, «infelizmente a regra, como se constata pelos indicadores que traduzem perdas de oferta assistencial. Aos insistentes pedidos do PSD Algarve, das Ordens, dos sindicatos, dos cidadãos em geral, o governo age conhecedor destes relatos sem qualquer comoção, mas pior, sem qualquer ação que promova a resolução dos mesmos».

«A inação perante o intolerável estado de coisas, conduz a iniciativas como este abaixo-assinado dos médicos, os quais não dispõem de condições mínimas para realizar as suas funções, diminuídos na sua esfera da ação pelo volume de trabalho e constrangidos pela impossibilidade de darem a cada doente aquilo que carecem em tempo útil».

O PSD Algarve «compreende os profissionais, espera, todavia, que seja possível encontrar uma solução que não desguarneça o Hospital de Faro».

«Como temos assinalado, registam-se um conjunto de constrangimentos da saúde na região, que exigem que a mesma tenha um plano específico e que seja definida como prioridade de intervenção nacional. O PSD Algarve continuará em todos os espaços de intervenção a fazer por isso», conclui o comunicado.

O comunicado do PSD surge na sequência de os cirurgiões do Hospital de Faro terem decidido que vão deixar de fazer horas extraordinárias nas Urgências a partir de hoje, 1 de dezembro, segundo avançou o jornal Expresso.

Os médicos informaram o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) da decisão esta semana, apresentando como justificação as condições de trabalho «manifestamente deficitárias», que podem acentuar a probabilidade de um erro clínico «involuntário».

Na missiva enviada ao CHUA, os médicos apontam a sistemática inexistência de camas para internamento de doentes urgentes, a recorrente ausência de acesso ao bloco operatório num tempo considerado ótimo ou os sistemáticos entraves à realização de exames complementares de diagnóstico.

O tempo excessivo que têm de prestar serviço das Urgências – já há muito foram ultrapassadas, por todos, as 200 horas de trabalho extraordinário previstas na lei é outra das justificações apontadas pelos médicos em protesto.

O conselho de administração do CHUA sublinha que será feito um reforço de contratação de médicos externos, garantindo que não haverá turnos sem cirurgiões em dezembro.