Primeira websérie nacional sobre conservação marinha é algarvia

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Realizador João Rodrigues, da empresa algarvia Chimera Visuals, inspira-se no deus grego dos oceanos para criar o projeto «A Casa de Neptuno», um conceito audiovisual inovador. VILA VITA Parc é um dos principais patrocinadores.

Tem um título bilíngue, «A Casa de Neptuno/The House of Neptuno» e é a primeira websérie feita em Portugal sobre conservação marinha.

Terá um total de 12 episódios, lançados ao ritmo de um por mês, já a partir de janeiro de 2021.

A ideia é de João Rodrigues, licenciado e mestre em Biologia Marinha, formador de mergulho, especialista em fotografia e fotojornalismo subquático e mentor da empresa algarvia Chimera Visuals que está a fazer toda a produção.

João Rodrigues.

«Esta websérie será dedicada às espécies que se encontram em risco, vulneráveis ou perigo de extinção no mar português, com especial enfoque no Algarve», explica ao barlavento, o realizador que já colaborou em produções da BBC e National Geographic.

O elenco não terá humanos, nem narrador. Apenas animais marinhos em estado selvagem, como o polvo-comum (Octopus vulgaris), um dos mais icónicos da região algarvia, e também um dos que mais sofre com a sobrepesca (ou pesca predatória) e a captura ilegal, isto é, a faina que não poupa indivíduos abaixo do peso mínimo estipulado por lei, o choco ou o frágil cavalo-marinho (Hippocampus hippocampus) da Ria Formosa, que se encontra em perigo de extinção devido a forte pressões atropogénicas. Aliás, este último já foi tratado pelo realizador no documentário «Cavalos de Guerra», produção encomendada pelo município de Olhão, e que teve estreia em novembro do ano passado.

Em «A Casa de Neptuno», «um dos episódios será sobre os corais de águas frias da zona de Sagres. A Dendrophylia Ramea é das mais emblemáticas da costa algarvia, mas que a maioria das pessoas não conhece. E estão em perigo devido a várias ameaças. Por exemplo, o lixo marinho, como as artes de pesca deixadas ao abandono. E também pela pressão turística, pois alguns mergulhadores lúdicos que visitam aquelas águas, e embora acidentalmente, por vezes danificam os corais com as barbatanas», exemplifica.

Cada episódio terá cerca de dois minutos e será acompanhado por uma galeria de fotografias inéditas e um texto informativo. João Rodrigues e a sua equipa estão a criar plataformas próprias para mostrar este trabalho.

«Os veículos de transmissão serão um website exclusivo, apenas para a mostra dos episódios. Um aspeto inovador é que o projeto terá também uma aplicação (app) associada para a visualização dos conteúdos em dispositivos móveis. Quero aliar o fresco destas novas tecnologias e formatos a um conceito muito antigo que é a divulgação da ciência», mas que precisa de ser atualizado aos hábitos de consumo do acelerado mundo atual. Daí a duração de cerca de 120 segundos.

«Estamos a conceber um genérico 3D feito por motion designer, com banda sonora original», composta por Eliseu Correia (Bubba Brothers), que é também um dos patrocinadores do projeto.

O episódio-piloto já está pronto. Tem por título «scavenger» (negrófago). É sobre o tubarão-azul (Prionace glauca) e ilustra bem o conceito da série.

«Cada episódio terá apenas filmagens de grande impacte. Neste caso, o animal está a comer um cachalote morto», uma cena rara registada ao largo do Faial, nos Açores. «Foi um brinde da natureza. Não estava à espera. Se não tivesse acontecido, possivelmente, teríamos filmado o tubarão-azul a alimentar-se no seu habitat natural, mas nunca de uma baleia. A verdade é que conseguimos imagens incríveis, quer subaquáticas, de superfície e até aéreas», diz.

Claro que o realizador sabe que poderá não ter a mesma sorte nas próximas saídas de campo. «Não vai ser tarefa fácil. Mas felizmente, já trabalhei com quase todas as espécies ao nível da fotografia. A baleia-comum (Balaenoptera physalus) poderá ser difícil de captar, porque às vezes está em movimento, é muito rápida e não conseguimos saltar para a água a tempo. E mesmo quando conseguimos, a visibilidade pode estar má. Ou seja, há sempre uma série de fatores imprevistos».

O projeto ainda está aberto a novos parceiros ou patrocinadores interessados em associar-se.

VILA VITA Parc apoia o projeto

Ouvida pelo barlavento, Sónia Gillig, diretora executiva de hospitalidade, explica o motivo que levou o resort a apoiar a websérie.

«É com imenso orgulho que VILA VITA Parc se associa ao novo projeto do João Rodrigues e da sua empresa, a Chimera Visuais. O seu último trabalho, realizado para o município de Olhão, é o ponto de partida para esta nova viagem ao mar do Algarve. Para nós, foi amor à primeira vista. Percebemos que estamos bem alinhados naquilo que é a visão de futuro para a nossa região, para o país e até para o mundo. Há muito que colaboramos direta e indiretamente em ações que promovem a conservação dos recursos naturais e culturais do Algarve e de Portugal. A política corporativa da nossa empresa apoia-se em pilares que visam o desenvolvimento sustentável, pelo que esta colaboração é uma extensão natural de todo um trabalho que temos vindo a realizar. Estes documentários servirão para relembrar a necessidade de conservar os ecossistemas do mar português».

Fotos: João Rodrigues/ Chimera Visuals