Portimão terá DAE nos principais pontos do concelho

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Cinco Desfibrilhadores Automáticos Externos (DAE) serão colocados na zona ribeirinha de Portimão, na Praia da Rocha, na Praça da Alameda de Portimão e nas freguesias de Alvor e da Mexilhoeira Grande, conforme apresentou a Câmara Municipal, na sexta-feira, 1 de março, nas comemorações do Dia Internacional da Proteção Civil.

Estes equipamentos, do projeto Citizen DAE, instalados ao abrigo do Programa Municipal de DAE já existente, estarão no interior de uma cabine que assegura a sua operacionalidade 24 horas por dia, estando ainda protegidos contra atos de vandalismo e intempéries. Conforme foi explicado durante a sessão foi dada formação a funcionários das autarquias, agentes de proteção civil para manusear o equipamento.

A ideia é minimizar o tempo de resposta no caso de uma paragem cardiorrespiratória, que atinge, por ano, uma população de 10 mil pessoas, em contexto extra-hospitalar. Aliás, a maioria destas ocorrências têm lugar em casa ou na via pública.

Por esta razão, Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, considera fundamental este investimento e, se servir para salvar «apenas uma vida, já são verbas bem empregues».
Marco Castro, diretor do projeto, esclareceu que em qualquer país, é difícil ter uma ambulância em menos de dez minutos junto de uma vítima de paragem cardiorrespiratória, um obstáculo que a colocação destes DAE na via pública vem ajudar a colmatar.

«Dez minutos» é o período essencial para assistir a vítima, salvando-a sem que fique com sequelas a nível cerebral. A partir daí «é quase impossível recuperar a pessoa. Sabemos que só com uma grande sorte é que conseguimos ter um meio de urgência junto da vítima antes desse tempo, ainda que, às vezes, aconteça», reforçou o diretor do projeto.

A verdade é que há uma cadeia de socorro que deve ser respeitada, sendo que as primeiras três etapas, neste caso de paragem cardiorrespiratória, são da responsabilidade do cidadão comum. A primeira é chamar o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), através do 112, a segunda é efetuar compressões e a terceira é desfibrilhar o paciente. Só depois se segue o suporte avançado de vida e a assistência na unidade hospitalar, enumerou.

Nesta cabine existe um botão que permite realizar uma chamada para a central de emergência e, assim que o alerta é dado, são avisados por chamada telefónica e por SMS todos os socorristas, ou seja quem teve formação ao abrigo deste programa como funcionários camarários e cidadãos comuns, para que possam efetuar o salvamento. A cabine é ainda auto-sustentável a nível energético, sendo alimentada por energia solar. Neste dia, a Câmara Municipal de Portimão reforçou ainda a cooperação com os Agentes de Proteção Civil e entidades, através da assinatura de protocolos no âmbito do Planeamento Municipal de Emergência, com as rádios locais (Alvor FM e Portimão) e com a Escola Júdice Fialho.

O comandante operacional da Proteção Civil Municipal de Portimão Richard Marques detalhou estes protocolos. «Existem três quadros que estão consolidados e entram já na quarta geração. É caso da Cruz Vermelha Portuguesa, do Corpo Nacional de Escutas e do Corpo de Bombeiros Voluntários de Portimão. Vamos ampliar em outras duas áreas fundamentais», disse. Na prática, o protocolo apenas formaliza uma colaboração, assente em boa vontade, já existente, para garantir a sustentabilidade e continuidade.

«Será um protocolo com as duas rádios locais, Alvor FM (assinado pelo diretor Ricardo Coelho), e Portimão (assinado pela diretora Isabel Costa), pois são os órgãos de comunicação social que têm especial dever de cooperação para com a proteção civil. A própria lei de bases estabelece essa relação preferencial, naquilo que é a passagem de medidas preventivas ou em acidente grave ou catástrofe», avançou. O documento prevê que numa situação de emergência grave estes dois canais sejam usados para transmitir indicações de atuação à população.

No caso da Escola Júdice Fialho a intenção foi formalizar a criação de uma Base de Apoio Logístico Municipal e zona de concentração e reservas em situações de emergência.

Esta escola tem um trabalho conseguido e, portanto, este protocolo é só o formalizar de tudo aquilo que já é feito. Estas bases de concentração servem para sustentar as operações. Ou seja, não é para receber população, mas para garantir a sustentação dos operacionais, das forças que estão envolvidas e que concorrem para a resolução do problema», desmistificou o comandante operacional. Armazenamento de equipamento, parqueamento, alimentação são algumas das situações que podem ser deslocalizadas para aquele espaço quando houver uma situação de catástrofe ou acidente grave.
«Já foi utilizada no grande incêndio de Monchique, no verão passado, em colaboração com o Corpo Nacional de Escutas, que tem capacidade de fornecer entre 400, numa fase inicial, até 800 refeições por hora. A escola foi um exemplo nacional daquilo que é uma Base de Apoio Logístico e uma zona de concentração e reservas. Foram 6500 refeições diárias, no total de quase mais de 40 mil refeições servidas durante o incêndio, para os concelhos de Portimão, Silves e Monchique», contabilizou.

Outro exemplo é que este estabelecimento escolar terá acondicionado sacos-cama e almofadas para que cerca de 200 operacionais possam descansar neste espaço numa situação de calamidade.
Nesta cerimónia, foi ainda apresentada a nova ambulância para o Posto de Emergência Médica do INEM afeto aos Bombeiros de Portimão, e entregues telefones-satélite, enquanto equipamento de comunicações de emergência alternativo, às três freguesias.

Os telefones-satélite, são, na opinião de Isilda Gomes «essenciais», pois no passado já se assistiu à quebra de comunicações do SIRESP. «O que nos dá uma maior garantia de eficácia é o rádio satélite, daí que estejamos a implementá-los também nas Juntas de Freguesia», concluiu a autarca.