PCP desafia governo a investir em novas oficinas da GNR no Algarve

  • Print Icon

O Grupo Parlamentar do PCP, por intermédio dos deputados Paulo Sá, António Filipe e Jorge Machado, questionou o Ministro da Administração Interna sobre a inoperacionalidade de muitas das viaturas na frota da GNR.

«De acordo com informação recolhida pelo PCP, a GNR tem, a nível nacional, cerca de 5.600 viaturas. Devido à elevada idade e quilometragem médias, uma parte considerável destas viaturas, em cada momento, encontra-se inoperacional», revelam os deputados comunistas. Visto que a aquisição de novas viaturas pela GNR e o abatimento das mais antigas é feito muito lentamente, «este problema tenderá a agravar-se».

A manutenção e reparação das viaturas da GNR é feita em oficinas da própria GNR, mas também por empresas externas. Segundo os deputados do PCP, num passado não muito longínquo, «a maioria das operações de manutenção e reparação era feita nas oficinas da GNR, mas, ao longo das últimas décadas, a situação inverteu-se, passando a maioria dessas operações a ser realizada em oficinas externas, devido à falta de recursos humanos com formação específica para manutenção automóvel».

No caso específico do Algarve, a manutenção e reparação das viaturas do Comando Territorial de Faro é feita, em parte, em oficinas próprias. Contudo, tal como no resto do país, estas oficinas são exíguas e os recursos humanos afetos ao seu funcionamento são insuficientes, não havendo capacidade para dar uma resposta cabal às necessidades de manutenção e reparação de automóveis e embarcações, implicando o recurso a empresas externas. «A Unidade de Controlo Costeiro, a Unidade de Ação Fiscal, o Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro e a Unidade de Intervenção recorrem a empresas externas», exemplifica o Partido Comunista Português.

Dada esta situação, o PCP defende que a manutenção e reparação das viaturas da GNR deveria ser realizada, predominantemente, «em oficinas da própria GNR». Tal opção exigiria a expansão e modernização da rede de oficinas da GNR, a afetação de mais pessoal a essas oficinas e a realização regular de ações de formação para esses profissionais, o que, obviamente, requer um investimento inicial relevante. Para os comunistas, «este investimento seria recuperado a prazo com as significativas poupanças que resultariam da manutenção e reparação das viaturas da GNR nas suas próprias oficinas, em vez de contratar esses serviços a empresas externas». Além destas poupanças, o recurso da GNR a oficinas próprias permitiria «agilizar e acelerar as operações de manutenção e reparação das viaturas, melhorando a operacionalidade desta força de segurança».

Considera também o PCP, em nota de imprensa, que «a construção das novas instalações do Comando Territorial de Faro da GNR deveria contemplar a criação de oficinas adequadas e dotadas de recursos humanos qualificados para a manutenção da frota». Neste sentido, o partido político entendeu pertinente endereçar duas questões ao governo.

Na primeira, os comunistas pretendem aferir se «o governo concorda que a expansão e modernização da rede de oficinas da GNR se traduziria em poupanças significativas para os cofres do estado, apesar do investimento inicial, e em melhorias na operacionalidade daquela força de segurança».

Na outra questão enviada ao executivo, os deputados do PCP querem saber se «o Governo está disponível para, aproveitando a construção de novas instalações para o Comando Territorial de Faro, anunciada recentemente pelo Governo, dotar a GNR no Algarve de modernas oficinas e de recursos humanos qualificados e em número suficiente, com capacidade de proceder à generalidade das operações de manutenção e reparação das viaturas automóveis e de embarcações da força de segurança».