Ocupação hoteleira com o valor mais baixo de sempre para o mês de julho

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Números revelados hoje pela Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) dão conta de quebras em todos os mercados. Veraneantes portugueses e espanhóis deram algum alento à época alta 2020.

A taxa de ocupação global média/quarto foi de 32,6 por cento, ou seja, 50,9 pontos percentuais (pp) abaixo do verificado em julho de 2019 (-61,0 por cento). Desde janeiro que este indicador se encontra 63,2 por cento por cento abaixo (-38,5pp) do verificado no período homólogo anterior.

Segundo os mais recentes dados divulgados pela Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), na segunda-feira, dia 17 de agosto, a taxa de ocupação global média/cama foi de 32,0 por cento, 2,0pp acima da verificada em julho de 2019 (+5,9 por cento) Com a descida verificada, a taxa de ocupação registou o valor mais baixo de sempre para o mês de julho.

Esta variação homóloga é justificada pela pandemia provocada pelo vírus da COVID-19, cujo impacto na hotelaria começou a sentir-se no início do mês de março com cancelamentos de reservas, evoluindo de forma abrupta para uma situação de encerramento progressivo das unidades de alojamento.

Todas as zonas geográficas sofreram forte quebras, que oscilaram entre os -38,5pp (-53,0 por cento) em Monte Gordo e Vila Real de Santo António e os -59,6pp (-68,6 por cento) em Albufeira.

A zona de Faro e Olhão foi a que registou a taxa de ocupação mais alta, 39,3 por cento, enquanto a mais baixa ocorreu na zona de Albufeira, com 27,3 por cento.

Por categorias, as descidas variaram entre os -39,3pp (-51,8 por cento) nos hotéis e aparthotéis de três e duas estrelas e os -57,3pp (-66,2 por cento) nos hotéis e aparthotéis de quatro estrelas.

Os hotéis e aparthotéis de cinco estrelas foram os que registaram a taxa de ocupação mais baixa com 27,2 por cento, sendo que a mais alta ocorreu nos aldeamentos e apartamentos de três estrelas, com 42,9 por cento.

As descidas absolutas foram proporcionais ao peso relativo dos mercados, sendo as maiores as do Reino Unido (-20,5pp, -93,2 por cento), da Irlanda (-5,6pp, -90,8 por cento) e Alemanha (-4,3pp, -69,9 por cento).

Ainda segundo a AHETA, as fortes descidas verificadas em julho afetaram fortemente as ocupações verificadas desde o início do ano, sendo o Reino Unido o mercado com a maior descida acumulada (12,7pp, -79,3 por cento) seguido pelo mercado nacional (-3,9pp, -38,8 por cento) e pela Alemanha (-3,6pp, -66,1 por cento). Em julho, a maior fatia das dormidas coube aos turistas nacionais com 60,9 por cento, seguidos pelos espanhóis (6,8 por cento), alemães (5,8 por cento) e holandeses (5,4 por cento).

Por isso, em relação ao número de hóspedes, a liderança coube aos portugueses, com 62,4 por cento, seguidos pelos espanhóis (10,9 por cento), franceses (5,1 por cento) e holandeses (4,0 por cento). Durante o mês, a estadia média por pessoa situou-se nas 4,5 noites, 0,5 abaixo do verificado em 2019.

Os turistas irlandeses (7,8 noites) registaram as estadias mais prolongadas, seguidos dos belgas (6,9), alemães (6,7) e holandeses (6,1). A estadia média dos portugueses situou-se nas 4,4 noites, o mesmo valor que o verificado em 2019.

Em julho, o peso das reservas feitas através de operadores turísticos tradicionais foi bastante menor que o verificado nos últimos 12 meses, havendo um menor peso das reservas diretas e através dos sites das unidades de alojamento.

Durante o mês de julho, os portugueses representaram, de longe, o maior número de dormidas e de hóspedes em todas as zonas. Os portugueses foram também o principal mercado, quer em hóspedes, quer em dormidas, em todas as categorias de empreendimentos.

O volume de vendas total, em termos nominais, diminuiu 66,9 por cento em relação a julho de 2019. Por zonas, as maiores descidas verificaram-se em Carvoeiro e Armação de Pêra (-71,4 por cento),

Portimão e Praia da Rocha (-69,8 por cento), Albufeira (-69,7 por cento) e Vilamoura, Quarteira e Quinta do Lago (-69,5 por cento).

Durante o mês de julho a cotação da Libra Esterlina sofreu poucas oscilações relativamente ao Euro. Por outro lado, o Dólar norte americano desvalorizou cerca de 5 por cento face à moeda europeia.

Devido à pandemia da COVID-19, a generalidade dos empreendimentos encerrou durante o mês de março e retomou a atividade a partir de junho. A reabertura ocorreu de forma gradual.

Durante o mês de julho cerca de 80 por cento da oferta estava disponível (75 por cento no início de julho e 88 por cento no início de agosto). «Estimamos que o movimento de passageiros no Aeroporto de Faro terá sido de cerca de 260 mil passageiros, o que corresponde a uma descida de 78 por cento face ao mesmo mês do ano anterior», calcula a AHETA.

Em valores acumulados, desde o início do ano, o movimento de passageiros regista uma descida face ao período homólogo anterior de -80 por cento, tendo sido movimentados menos 3,17 milhões de passageiros. As maiores variações ocorreram nos passageiros de e para o Reino Unido (-546 mil movimentos), Alemanha (-111 mil) e Irlanda (-106 mil).

O dados completos estão disponíveis para consulta aqui.