Novo Conselho de Administração do CHUA quer ouvir cirurgião demitido

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Novo Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) quer ouvir médico Gildásio Martins dos Santos.

Em nota enviada às redações hoje, sexta-feira, 24 de julho, o novo Conselho de Administração (CA) que iniciou funções no Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) no dia 17 de julho, informa que «foi confrontado com uma deliberação gestionária do anterior CA datada de 2020/07/16 que determinou, de acordo com os fundamentos e os motivos aí expressos, uma demissão imediata do diretor do Serviço de Cirurgia Geral da Unidade Hospitalar de Faro (UHF), o Dr. Gildásio Martins dos Santos, sem que essa resolução tivesse sido precedida do chamado direito de audiência do interessado».

Assim, «neste circunstancialismo, e sem prejuízo do respeito pelas anteriores deliberações lavradas pelo CA cessante, entendeu o novo órgão decisor do CHUA, com uma auscultação prévia dos seus serviços de apoio, conferir agora toda a possibilidade do Dr. Gildásio Martins dos Santos se pronunciar, querendo, acerca da demissão projetada na mencionada deliberação para uma ulterior tramitação».

«Vale a pena, deixar muito bem consignado que, zelando, com bastante afinco, pelo superior interesse da instituição e dos seus utentes, a nova equipa de gestão do CHUA diligenciou internamente uma profícua forma de continuar a poder garantir e a melhor acautelar uma regular prestação de cuidados de saúde nesta especialidade clinica por forma a poder dar justamente uma total observância à missão assistencial aqui prosseguida em prol da prezada população que aqui acorre», termina a nota.

Na passada semana, a Comissão Política Distrital do Partido Social Democrata (PSD) do Algarve, considerou «aberrante, ilegítimo e poltrão» o comportamento do antigo Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA), que na quinta-feira, dia 16 de julho, deliberou demitir o diretor do Serviço de Cirurgia do Hospital de Faro, «sem fundamentação, quando este CA já tinha sido, formalmente, substituído por um novo. Seria um ato nulo e portanto ineficaz, visto que com a entrada de um novo CA caem as direções técnicas» do anterior.

Também o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) não poupou críticas à decisão de demitir aquele profissional, que considerou «ilegítima», já que se trata de um médico que «fez toda a sua carreira nesta casa, conhecedor da mesma e da saúde na região do Algarve».

O PSD Algarve alertou ainda que «na urgência polivalente do Hospital de Faro não existem ortopedistas, nem cirurgiões de serviço» há mais de um ano. «A grande solução, pífia, na sua essência, foi contratar um cirurgião reformado com mais de 70 anos, e sem experiência de urgência hospitalar desde há cerca de 10 anos, que para além de inaceitável é ilegal. Foi, portanto, uma gestão torpe, acocorada, defraudando o erário público e incapaz de cumprir os seus desígnios» e exigiu «competência, sensatez, dedicação e o estrito cumprimento da lei a quem desempenha cargos públicos e, em especial, na gestão da saúde do Algarve».