Na baixa de Faro é obrigatório fazer CHECKin à do chef Leonel Pereira

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Novo espaço tem 80 rótulos na garrafeira e 21 pratos na carta que fazem uma viagem à volta do mundo pela biografia gastronómica do fundador, o chef Leonel Pereira. No CHECKin conta com a ajuda do seu subchef João Viegas com quem partilhar a cozinha há oito anos.

É fácil de explicar. Leonel Pereira é um reconhecido chef ao nível internacional, que se destacou no Algarve à frente do Restaurante São Gabriel, em Almancil, galardoado com uma estrela Michelin, embora já não esteja no ativo. Não é que se trate de uma infelicidade, mas de uma escolha. Há cerca de dois anos, o chef aceitou o desafio do centro comercial MAR Shopping Algarve, em Loulé, para abrir o Thai Brás, onde ombreia com outros congéneres.

Entretanto, decidiu lançar-se a mais um projeto e inaugurou, na quarta-feira, dia 12 de fevereiro, o novíssimo CHECKin, na Avenida da República, em Faro. Segundo descreve ao barlavento, trata-se de «um restaurante trendy, moderno, descontraído, com uma produção simples, e onde podemos apresentar todo o tipo de cozinha». Um conceito focado, acima de tudo, na partilha.

«As doses servidas são, mais ou menos, meias porções. A ideia é que a pessoa coma três ou quatro pratinhos e conhecer um pouco mais de nós e daquilo que fazemos», explica. Uma espécie de roteiro pelo currículo do chef, com paragens por várias partes do mundo, numa carreira que começou aos 17 anos.

«A carta começa com os petiscos Check-in, as entradas que apresentam evidentes marcas do Brasil, França, Peru e até do Algarve. Seguem-se os Mimos da Minha Mãe com receitas típicas da Serra do Caldeirão e de Martim Longo, onde nasci. São coisas que eu comia quando vinha da escola e que me trazem muitas memórias. Depois, temos os Momentos Especiais com a região algarvia bem vincada. Por fim, o Check-out faz-se com as sobremesas, onde vamos às nossas ilhas, por exemplo, com o ananás dos Açores. Aqui priorizo as texturas e somos mais vanguardistas», no final da refeição.

A carta, para já, totaliza 21 pratos, mas não por muito tempo. De acordo com o chef, «o menu vai ser alterado com pontualidade, e, provavelmente, todos os meses levará um upgrade. Penso que as pessoas irão afeiçoar-se a alguns pratos e portanto, será difícil mudarmos tudo. O meu conselho é que aproveitarem o momento porque podem não voltar a ter outra oportunidade. Começámos com mais de 20 receitas e embora seja muito, jogamos dentro da nossa área de conforto».

O mais importante na cozinha é «a saúde das pessoas. Exploro sempre o máximo da gordura natural de cada produto e os legumes são cozinhados al dente e de forma respeitosa. A nossa linha é muito leve e usamos o mínimo possível de açúcares, gorduras e sal», garante. Ao que é servido à mesa, junta-se uma adega com mais de 80 rótulos de vinho, «com ênfase em todas as regiões de Portugal», refere.

Leonel Pereira sublinha que abrir um espaço com qualidade é sinónimo de marcar a diferença nos pormenores e pequenos detalhes. «É importante frisar que não é só a nossa cozinha que é diferente do normal. Queremos mostrar a arte de servir bem. Para mim, não há boa cozinha sem um bom serviço».

Por isso, «temos um escanção com 30 anos de experiência que é um dos melhores do país. O chefe de mesa é o meu sócio Delfim João e conto também com a ajuda de João Viegas, que é um grande talento com quem trabalho há cerca de oito anos. Queremos mesmo que Faro tenha um espaço único, capaz de sorrir e saber receber». Até em relação a preços, o chef posiciona-se fora do seu registo habitual.

Delfim João e Leonel Pereira.

«Há quem associe o meu nome a refeições caras devido aos prémios que ganhei. Neste caso, prometi que iria abrir um espaço o mais acessível possível a todos», diz. Nesse sentido, há pratos que começam nos 6,5 euros (ovos caseiros revoltados com tomates da quinta, sobre fatia de pão torrado), até aos 15,50 euros (tradicional açorda de gambas com pão alentejano e ovo BT).

O restaurante tem capacidade para 25 pessoas no interior, mais 25 no exterior, e dá ainda a oportunidade de recordar o famoso São Gabriel.

Segundo Leonel Pereira, a analogia é inevitável. Uma história engraçada é que o chef teve fãs que «colecionavam os menus e houve quem tivesse experimentado mais de 150 receitas minhas. Os dois pratos que nunca saíam do menu eram o leitão bísaro e o risoto de lavagante. Vinham pessoas de várias partes do país e até do mundo de propósito para provar. Acho que passaram a ter uma dimensão mundial», diz.

Agora, com a abertura deste novo espaço «já recebi mensagens a perguntar se os iria repetir. Bem, resposta é sim, mas só por encomenda». Isto porque «são pratos que custam cerca de 50 euros por pessoa. Aqui o conceito é diferente, mas tudo faremos para atender a esses pedidos», assegura.

Leonel Pereira e João Viegas, uma dupla de sucesso na cozinha do CHECKin.

Para o futuro, o chef deixa no ar a possibilidade de se criar um franchise da marca nascida em Faro. Leonel Pereira não esconde que gostaria de ver outros CHECKin em qualquer parte da região ou até do país.

«O mais importante agora é pôr o conceito a navegar por si próprio. No primeiro ano, cada dia é um dia. A hotelaria é mesmo assim. Se isto pode ser replicável? Pode. Poderão nascer outros restaurantes com este. Estamos focados em pôr este a marchar, e planos a longo prazo ainda não existem», afirma.

No que toca à ambição de vencer novos prémios, a mesma linha de pensamento: «em nenhum projeto meu tive objetivo de ganhar prémios, embora tivesse conquistado vários no nosso país e até no Brasil. Os prémios apareceram, mas não são o que me move. O que me move é a loucura de fazer cozinha. Os prémios são apenas uma consequência», sorri.

Novo São Gabriel é uma possibilidade

Leonel Pereira foi o chef do restaurante São Gabriel, em Almancil, vencedor de uma estrela Michelin. No final de 2019, foi o próprio que informou, através das suas redes sociais, que o espaço iria ser vendido e, por consequência, encerrado. Na altura, revelou ainda que iria abrir um espaço com um conceito de cozinha asiática, sem ambição de estrelas, em Loulé.

Ao barlavento, Leonel Pereira garante que «o São Gabriel é um projeto e um plano que continua na minha vida. O espaço físico em Almancil morreu, mas a marca é nossa, sendo que poderá abrir com nova estrela Michelin a qualquer momento e em qualquer sítio. Basta termos o espaço certo» para lhe dar nova (e quiçá longa) vida.

Fotos: Bruno Filipe Pires/ Open Media Group.