«Levar, doar, ler e devolver» é o lema da nova Cabine de Leitura de Faro

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Microbiblioteca já funciona no Jardim Manuel Bivar, ex-libris da capital algarvia com livros para crianças, de culinária e até de autores estrangeiros. É a primeira de mais na região.

«Embaixadas de Portugal», um livro de João Corrêa Nunes e de Alberto Laplaine Guimarães foi a última obra a ser colocada na Cabine de Leitura, em Faro, pelas mãos de Alexandre Fonseca, presidente executivo da Altice Portugal.

Um momento simbólico que inaugurou a primeira microbiblioteca algarvia, na quinta-feira, dia 27 de junho, no Jardim Manuel Bivar, em frente ao Banco de Portugal.

Alexandre Fonseca e Rogério Bacalhau.

«Estes livros que aqui estão fazem-nos muitas vezes viajar, sonhar e imaginar coisas tão diferentes. Uma vez que somos uma empresa tecnológica, que traz gigas e gigas de informação em dispositivos, não podemos perder a prática e o hábito de tocar, sentir e cheirar um livro. As gerações mais novas devem ser habituadas a mexer nos dispositivos móveis, mas sem perder a experiência e o contacto com o livro», começou por referir o CEO da empresa responsável pela transformação da cabine telefónica em cabine de leitura.

Segundo Alexandre Fonseca, o objetivo é «dar oportunidade à comunidade de utilizar esta peça de mobiliário urbano e de alguma forma, sonhar. Que neste espaço fantástico de Faro haja a oportunidade de se conversar sobre os livro, trocar ideias e discutir o que se lê. Deste modo, teremos uma sociedade cada vez mais próxima e mais aberta. Não podemos esquecer a nossa capacidade de comunicação física e pessoal que, é tão importante em tudo aquilo que os livros possam trazer».

Por sua vez, Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro explicou como funciona o novo equipamento da cidade.

«As instruções são simples, levar, doar, ler e devolver. O convite é que tragam livros, que os depositem aqui, que façam trocas, que levem um e que deixem outro».

Para já, há livros para crianças, de culinária, da História de Portugal, de autores icónicos como José Saramago, de comédia e até de literatura estrangeira.

«Este é um elemento que inserimos na cidade que se insere na nossa estratégia de chamar turismo e de ter algo que potencie e dê relevância a quem por aqui passa e nos visita. Motivo que faz com que uma das nossas apostas seja em títulos estrangeiros, para os nossos turistas. As cabines telefónicas são um elemento cultural e acho que foi um boa ideia conseguirmos usá-las para a difusão da leitura. Esta é também uma chamada de atenção, uma vez que temos notícias que os jovens têm um vício tecnológico extremo», acrescentou o autarca de Faro.

A responsabilidade da Cabine de Leitura, aberta 24 horas, fica a cargo da Biblioteca Municipal de Faro, local de onde provêm todas as obras disponíveis e que, segundo o presidente da edilidade «dinamizará o espaço. Diariamente passará sempre por cá alguém de forma a garantir a colocação de novas obras», garantiu.

Em relação ao vandalismo, Rogério Bacalhau é da opinião que «não tenho dúvidas que poderá haver uma situação menos correta, mas quando os equipamentos são úteis, as pessoas acabam por mantê-lo. De qualquer maneira estaremos atentos».
Já Alexandre Fonseca, opinou que «a primeira reação é sempre pensar que o equipamento está no meio da comunidade e por isso será fácil vandalizá-lo. No entanto, a experiência que temos é que isso não acontece. Já temos quase 30 cabines e contam-se pelos dedos de uma mão os atos de vandalismo que temos tido. As pessoas valorizam este espaço» de letras.

A primeira Cabine de Leitura da Altice nasceu em 2013, em Barcelinhos. Seis anos depois, totalizam-se quase 30, de norte a sul, incluindo as regiões autónomas dos Açores e da Madeira.

«Têm sido um verdadeiro sucesso», afirmou o CEO da operadora de telecomunicações.

Alexandre Fonseca, no final do seu discurso, deixou escapar que Faro é apenas a primeira cidade algarvia a receber uma Cabine de Leitura.

Cabine de Leitura Gil Silva Teatro das Figuras
«A Ilha do Dia Antes» de Umberto Eco, cópia assinada por Gil Silva, diretor interino do Teatro das Figuras.

«Temos pedidos de alguns outros municípios da região. A garantia que damos é que vamos dar continuidade a este projeto e que, dentro de algum tempo, outras cidades da região terão microbibliotecas como esta».

Meia hora após a inauguração da Cabine, assistiu-se ao levantamento do primeiro livro. A escolha caiu em «A Ilha do Dia Antes» de Umberto Eco, obra assinada por Gil Silva, diretor interino do Teatro das Figuras.