Jovem empreendedora de Lagos desafia algarvios a abrirem a cozinha de casa aos turistas

  • Print Icon

Degustar a comida tradicional tal qual os portugueses a preparam em casa para a família e amigos, é a ideia que Joana Glória, 33 anos, licenciada em Gestão Hoteleira, natural de Lagos, onde nasceu e viveu quase toda a sua vida, e também, onde geriu duas guesthouses, lançou oficialmente na quarta-feira, 6 de março.

Segundo adianta em primeira-mão ao «barlavento», o projeto «Eat at a Local’s» surge «devido à qualidade da nossa gastronomia e à forma como sabemos acolher. São sem dúvida os melhores cartões de visita do nosso país. Por outro lado, a mesa é a melhor rede social», explica.

Para já, a plataforma arranca com 50 anfitriões disponíveis para abrir as portas. Destes, cerca de 30 por cento, estão no Algarve, a maioria, na zona de Lagos.

Na opinião da jovem empreendedora, o que torna este projeto único é «o facto de ser uma plataforma construída por portugueses e concebida para os turistas que nos visitam. Sempre fui apologista de apoiarmos iniciativas nacionais. A nossa equipa, composta por cinco pessoas, é bastante qualificada e estamos muito felizes e motivados por poder contribuir para uma aproximação dos turistas à nossa cultura», sublinha.

«Os anfitriões, por nós certificados, irão proporcionar aos convidados uma experiência gastronómica única, num ambiente autêntico e íntimo. Quem experimentar, terá a oportunidade de aprender a cozinhar pratos, partilhar experiências com os anfitriões e levar uma boa história para contar», quando regressar ao país de origem.

A ideia surgiu das conversas «com os hóspedes das guesthouses que geri. Fizeram-me entender as suas principais motivações enquanto viajantes. Muitas vezes falta-lhes uma oportunidade de contacto direto com os locais e a oportunidade de puder ter experiências gastronómicas autênticas».

Joana Glória acabaria por discutir o assunto com uma amiga. «Partilhámos ideias para novos negócios, até que ela me confidenciou que gostava de ter uma casa onde pudesse cozinhar para turistas. Na manhã seguinte, abri o olho bem cedo, e eis que surgiu a motivação para criar uma plataforma onde pessoas motivadas como ela se pudessem inscrever e receber turistas para comer em suas casas», sintetiza.

O conceito em si, no entanto, não é novidade para a jovem lacobrigense. «Desde cedo que vivo esta realidade. Os meus avós nasceram em Marrocos, e anos mais tarde mudaram-se para Lagos, onde abriram uma guesthouse. Então, desde pequena que sempre que ia à sua casa, comia e convivia com os hóspedes. Recordo-me que muitas vezes tínhamos turistas também pelo Natal em nossa casa. Por isso, este é um dos objetivos para a próxima quadra: desafiar os anfitriões do «Eat at a Local’s» a partilhar a nossa tradição natalícia com os turistas que estiverem a conhecer o nosso país por essa altura», avança.

Quem estiver interessado poderá inscrever-se na plataforma. «Os anfitriões são todos aqueles que estão disponíveis para abrir a porta de suas casas para receber turistas e proporcionar-lhes uma experiência gastronómica única. Os convidados são os turistas nacionais ou internacionais, que procuram algo diferente» e que queiram aproximar-se da cultura local.
A gestora já tinha contactado com uma ideia semelhante quando visitou Havana. «Participei nos famosos Paladares em que os cubanos abrem as portas de suas casas e convidam os turistas que passam na rua para a entrarem e sentarem-se à mesa». Também no verão passado enquanto conhecia a zona vinícola do Douro. «Fui extremamente bem acolhida por uma família, tivemos uma refeição típica, e o grande bónus foi poder visitar a adega, degustar o vinho do Porto e trazer algumas garrafas», recorda.

O objetivo para o primeiro ano de vida do «Eat at a local’s» é «chegar a todas as regiões de Portugal, incluindo ilhas», e a longo prazo, a expansão para Espanha, bem como outros países da bacia do Mediterrâneo.

Quer ser anfitrião?

Segundo Joana Glória, mentora do projeto, a ideia passa por «recrutar anfitriões que «sejam apaixonados por gastronomia portuguesa e que tenham aptidão para bem receber os seus futuros convidados». Para isso, deverão ser «pessoas comunicativas e amigas, que garantam ambientes inclusivos e intimistas», de modo a que todos se sintam em casa. E «que ofereçam a oportunidade aos seus convidados de participarem na confeção da refeição, certificarem-se que levam consigo um pouco da nossa cultura».

De norte a sul

A ideia é dar a conhecer a gastronomia típica de cada região portuguesa, por isso, é natural que no Algarve, «vários anfitriões disponibilizem a cataplana, no Alentejo as migas, no Ribatejo a sopa da pedra, o choco frito na zona de Setúbal, e por aí em diante» explica Joana Glória, mentora do projeto. Mas caberá a cada anfitrião definir o seu menu. «Recomendamos que optem sempre pelo mais típico. Terão ainda a oportunidade de agregar mais valor à sua experiência, como por exemplo, fazer as compras dos ingredientes num mercado tradicional. Apelamos à criatividade de cada um!».