Igreja e Casa Santos Lima lançam «Sete Cavaleiros do Castelo» em Tavira

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Os mais novos néctares do Algarve serão apresentados no evento «Tavira, Dias do Vinho», hoje, sexta-feira, dia 12 de julho, às 19 horas.

A Rua do Cais e o Mercado da Ribeira, junto ao Jardim do Coreto, recebem entre sexta-feira, dia 12 e domingo, dia 14 de julho, o evento «Tavira, os Dias do Vinho».

O destaque do certame será a apresentação do rótulo «Sete Cavaleiros do Castelo», os mais recentes néctares algarvios criados pela empresa paroquial ARTgilão Tavira, em parceria com a Casa Santos Lima, grande empresa vitivinícola nacional que se instalou recentemente no Sotavento algarvio.

Ao «barlavento», o pároco e diretor da empresa, Miguel Neto, conta que a ideia começou a maturar «no ano passado, depois da Fundação da ARTgilao celebrar o primeiro aniversário. Pensámos que o vinho era um produto que podia marcar. A ideia era que fosse uma imagem de marca das igrejas de Tavira e que estivesse disponível em restaurantes, cafés e lojas locais».

Assim, e depois de contactar com a Casa Santos Lima, o padre chegou à conclusão que fazia sentido lançar não apenas um vinho tinto, como também um rosé e um branco.

«Estamos no Algarve e os vinhos brancos e rosés bebem-se muito bem frescos, acompanham o marisco e têm tudo a ver com a Dieta Mediterrânica, logo com Tavira também», refere Miguel Neto.

Mas e de onde surgiu a ideia do nome «Sete Cavaleiros do Castelo»? O pároco revela que a criatividade é de José Santos Lima, o bisneto fundador da casa de vinhos e o proprietário da mesma.

«Após uma visita à Igreja de Santa Maria do Castelo, perguntou-se o significado das sete cruzes no altar e eu expliquei que estavam relacionadas com os sete cavaleiros mártires de Tavira. Não estava à espera, mas ele disse logo que podia ser uma boa ideia para o nome», recorda.

Os três néctares «Sete Cavaleiros do Castelo» remetem então para a época da reconquista cristã, quando as forças portuguesas chegam ao Algarve e conquistam Tavira, pela mão de D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago, por volta de 1238. 

Segundo reza a lenda, a conquista foi uma represália daquela Ordem pela morte de sete dos seus cavaleiros numa emboscada de que foram vítimas, quando se encontravam a caçar nas Antas, freguesia da Luz, à traição.

Os sete jovens combatentes: D. Pedro Pires (Peres ou Rodrigues, comendador da Ordem de Santiago de Castela), Mem do Vale, Durão (ou Damião) Vaz, Álvoro (Álvaro) Garcia (ou Garcia Estevam), Estêvão (Estevam) Vaz (Vasques), Beltrão de Caia e um mercador judeu de nome Garcia Roiz (ou Rodrigues) ficaram eternizados no imaginário e nas lendas da cidade.

Também o rótulo das três garrafas, foi ideia do proprietário da Casa Santos Lima, como revela o pároco.

«Foi desenhado por ele tendo como base uma fotografia que o próprio tirou à Igreja de Santa Maria à noite».

Para José Santos Lima, «quando se proporcionou esta colaboração com ARTgilão, foi com muito entusiasmo que aderimos a esta ideia e estamos confiantes que Os Sete Cavaleiros do Castelo irão contribuir para a promoção da excelente aptidão e grande potencial das vinhas e do vinho desta região».

«Os vinhos produzidos em Tavira pela Casa Santos Lima, embora sejam uma aposta relativamente recente, têm tido um excelente acolhimento tanto em Portugal como no estrangeiro», acrescenta.

«Tavira é uma região onde a cultura da vinha e do vinho é secular. Contudo, nos últimos anos e antes deste projeto da Casa Santos Lima, esta atividade estava bastante esquecida, tendo uma expressão muito reduzida», remata.

Os mais recentes vinhos da região foram confecionados com castas Arinto, Crato Branco, Touriga Nacional e Syrah, e classificados como Vinhos Regionais do Algarve.

Resultam de processos de seleção e colheita manuais, seguidos de vinificação na adega da Casa Santos Lima.

O pároco Miguel Neto, apesar de ainda não ter provado o branco, caracterizou o tinto e o rosé ao «barlavento».

«Gostei muito do tinto. Tem um sabor muito algarvio e não tem aquele elevado teor de álcool. Notam-se os frutos secos típicos da região. Já o rosé é muito fresco, suave a bastante agradável», descreve.

Para o diretor da ARTgilão, este é um projeto pioneiro no Algarve. «Estou expectante porque além de apresentarmos um produto novo na região, a criação de um vinho por parte de uma empresa paroquial é caso único. Mesmo no país não tenho conhecimento de mais nenhum caso».

Questionado sobre o futuro da empresa, Miguel Neto revela que o foco «está na expansão da linha de produtos da marca. Gostaríamos de avançar com a produção de azeite, mas tudo tem de ser feito de forma calculada».

Durante os três dias em que decorrerá a mostra «Tavira, os Dias do Vinho», estes vinhos poderão ser provados e comprados no stand daCasa Santos Lima. , nos horários do evento (das 18h00 às 24h00 na sexta e sábado, e no domingo das 18h00 às 23h00).

Depois, todos os interessados poderão comprar o vinho nas lojas ARTgilão localizadas nas Igrejas de Santa Maria do Castelo e São Paulo, em Tavira e poderão encomendar, através da página de facebook da empresa, para envio para qualquer lugar do mundo.

O tinto vai ter o custo de 6,80 e os restantes de 4,70. Todas as garrafas estão disponíveis em 7,50 cl.

Património religioso em defesa da Dieta Mediterrânica

Segundo o Padre Miguel Neto, responsável pela empresa paroquial empresa ARTgilão TAVIRA, com o lançamento deste vinho, «pretendeu-se que existisse esta ligação muito forte ao património, até porque a ARTgilão nasceu com o objetivo de explorar financeiramente todas as possibilidades que possam surgir nesta paróquia, de modo a poder fazer a aplicação das receitas geradas na recuperação do património religioso, que é o que temos vindo a fazer».

A ideia do sacerdote é que os vinhos possam ser vendidos, não apenas nas lojas da empresa, mas noutros locais de Tavira, funcionando como mais um produto icónico da cidade.

«O que desejamos é que este vinho, que tem uma qualidade altíssima, possa ser apreciado pelos tavirenses e por todos os que nos visitam, nacionais ou estrangeiros e que seja mais um elemento diferenciador nas propostas que têm vindo a ser desenvolvidas para aumentar a atratividade deste território», explica.

Casa Santos Lima aposta no Sotavento algarvio

«Tavira é o centro nevrálgico do trabalho de defesa da Dieta Mediterrânica e este nosso produto é mais um complemento, na nossa perspetiva, que vem reforçar a importância da dinamização dessas estratégias de defesa do património imaterial», conclui o padre.

A Casa Santos Lima, uma empresa familiar que se dedica à produção, engarrafamento e comercialização de vinhos portugueses, que trabalha no Algarve e produz vinhos conhecidos pela sua excelente relação qualidade/preço e exporta cerca de 90 por cento da sua produção total para perto de 50 países nos cinco continentes.

Conta hoje com um portefólio muito alargado de vinho (tintos, brancos, rosés, espumantes, frisantes, leves e colheitas tardias), o que lhe permite ter grande dinamismo no mercado nacional e internacional.

«Dada a minha grande paixão pela região de Tavira, a sua arquitetura, a sua gastronomia, o seu clima e a sua gente, decidimos expandir a nossa atividade para cá. Nestes últimos seis anos temos vindo a reforçar a nossa presença na região em diversos projetos de promoção do seu vinho», reforça José Luis Santos Lima Oliveira da Silva, bisneto do fundador da Casa e proprietário da mesma.

Em relação aos «Sete Cavaleiros do Castelo» resultam de processos de seleção e colheita manuais, seguidos de vinificação na adega. Com características muito contemporâneas e grandes paladares e aromas, foram criados com maestria pela equipa de enólogos da Casa Santos Lima, com base nas castas com as castas Arinto, Crato Branco, Touriga Nacional e Syrah.