Fórmula 1 vai acelerar em Portimão no dia 25 de outubro

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Depois de muita especulação, o Autódromo Internacional do Algarve (AIA), confirmou hoje em conferência de imprensa, o Fórmula 1 Heineken Grande Prémio de Portugal, em Portimão, no dia 25 de outubro.

«A primeira palavra que me apetece dizer é: conseguimos!», afirmou esta tarde, num discurso emocionado Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão.

A autarca fez questão de reconhecer o crédito a Paulo Pinheiro, CEO da Parkalgar, Parques Tecnológicos e Desportivos, SA, empresa que gere o Autódromo Internacional do Algarve (AIA), e fundador do equipamento.

«É um grande orgulho, por termos nesta terra um homem chamado Paulo Pinheiro, que é um sonhador. Sonhou que tinha de ter um circuito, sonhou que tinha de se rodear das melhores pessoas para o apoiar, e essas pessoas sempre sonharam que devíamos ter aqui a Fórmula 1. Isto é de um sonhador e de um concretizador», disse.

«O Autódromo Internacional do Algarve tem sido olhado um pouco de lado, como se não fizesse parte de nós. Fomos várias vezes questionados, quando estávamos menos bem, se o Autódromo nos endividava. Nada mais errado! A Câmara Municipal de Portimão não coloca dinheiro no autódromo, e estamos a pensar apenas dar um apoio de 200 mil euros para a realização desta prova. Não há milhões colocados no autódromo, ao contrário do que muita gente comenta», esclareceu no discurso de abertura.

E dirigiu a palavra a Paulo Pinheiro: «consegues com isto provar que o autódromo é um equipamento que orgulha Portimão, o Algarve e o país. As entidades responsáveis têm de olhar para o AIA como um equipamento que merece ser valorizado onde todos os dias acontecem coisas».

Também emocionado, Paulo Pinheiro, disse que este é «o concretizar do sonho de uma vida». O AIA «foi construído com o objetivo de ter uma Fórmula 1, e no ano mais impensável, foi quando o conseguimos».

Em conversa com os jornalistas, sublinhou que esta «não é uma prova de substituição. Escolhemos a data, as condições que queríamos, tudo. Teria sido mais fácil aceitar tudo o que nos pediam, ter uma prova sem público, se calhar até duas, numa data que não seria ideal, faríamos um negócio económico simpático. Mas não era o nosso objetivo. Achámos que devíamos fazer valer os nossos argumentos, que Portugal está numa situação sanitária melhor que o resto da Europa, que temos um circuito muito melhor que os outros, o Algarve também tem condições ímpares. Trouxemos a prova nas datas que queríamos, com as condições que queríamos. Com público!».

«Seja qual for a lotação autorizada, a nossa preocupação é que haja condições de segurança totais para as pessoas que venham ver a corrida, sejam 1000 pessoas, sejam 50 mil. Desde o momento em que estacionam o carro, até ao momento em que chegam à bancada. O modelo que está previsto por nós prevê todas as ações», anteviu.

«Ter público era uma condição muito importante para todos. Este foi um percurso doloroso. Meses complicados, um processo muito intenso, de muita insistência, e é isso que é importante realçar. Tenho de agradecer à minha equipa, aos que estão cá, e aos que já partiram», disse emocionado.

«Queremos que a prova seja um sucesso total. Temos várias coisas a preparar a partir de agora – a promoção, a divulgação, a preparação, o alojamento de todas as equipas. Queremos que tudo corra bem. Vai ser muito bom para o Algarve e para o nosso país. Este evento vai ser o maior dos últimos 10 anos em Portugal. Será o evento com maior divulgação mundial de sempre em Portugal, maior que o Euro 2004. É um marco para o nosso país».

Portugal é «país credível» para a FIA

Ni Amorim, presidente da Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting (FPAK) sublinhou que «esta é a primeira vez que se realiza um Grande Prémio de Portugal sobre a égide» daquela entidade, e que todos os envolvidos, «trabalharam em conjunto, sem atropelos. Somos considerados um país de boas contas junto da Federação Internacional do Automóvel (FIA). Isso ajuda-nos em termos de credibilidade», afirmou no uso da palavra.

Esta oportunidade «surgiu quando a FPAK lançou uma carta ao presidente da FIA quando viu que a pandemia estava a causar estragos nos Grandes Prémios intercontinentais, dizendo que tínhamos uma infraestrutura fantástica em Portugal para receber a Fórmula 1 em Portugal, se fosse necessário. Pelos vistos caiu bem, foi no momento certo, em finais de março», revelou.

Amorim não poupou elogios ao CEO do AIA, Paulo Pinheiro. «Fez um grande trabalho junto dos promotores. Ele não é só um sonhador. É um verdadeiro lutador, e sei que este Grande Prémio está muito bem entregue. Não tenho dúvidas que vai correr bem».

O presidente da FPAK «agradeceu a presença e o apoio que o Turismo de Portugal e o governo deram à iniciativa.

«Sabemos que a vinda de um Grande Prémio a Portugal é cara. Mas o caro é relativo. O benefício que isto pode trazer será tão grande, que poderá entusiasmar o governo para que apoie a manutenção desta prova no país. A Fórmula 1 é o expoente máximo das provas automóveis».

Retorno de 30 milhões de euros estima Rita Marques

Também satisfeita, Rita Marques, secretária de Estado do Turismo considerou que «hoje é um dia especialmente especial, porque estamos aqui em Portimão, no Algarve, a celebrar algo que desejávamos há 24 anos. E mais que o sonho de vida do Paulo Pinheiro, este é um sonho de vida para muita gente».

«O Turismo não está parado. Temos tido tempos difíceis, mas o turismo não para. Continuamos a atrair eventos de referência, e queremos que todos os que nos visitem testemunhem que somos um país de excelência.Somos um país seguro. O público da Fórmula 1 identificou o Algarve como sendo a sua localização preferida para este tipo de prova», disse a governante, no dia em que o Reino Unido não retirou Portugal da lista de países com quarentena obrigatória para os cidadãos no regresso a casa, depois das férias no estrangeiro.


«Estamos a trabalhar diferentes cenários, com diferentes cargas de público. Será um evento certamente com público. E na pior das hipóteses, o evento terá um impacto de 30 milhões de euros para a região e para o país. Na melhor das hipóteses, o impacto será muito superior», calculou.

«Mais que a decisão dos governos, é importante para nós, para o turismo, a opinião dos operadores económicos e do público. O público internacional tinha vindo a reclamar que Portimão pudesse receber esta prova. Portanto, mais que uma decisão do governo, este é o momento para celebrar a decisão do público, e estou convencida que nos ajudará a projetar Portugal aos 470 milhões de pessoas que geralmente seguem estas provas», estimou.

Em relação às contrapartidas para realização desta prova, Rita Marques revelou que «o Turismo de Portugal tem um pré-acordo com o AIA, no sentido de garantir o financiamento da repavimentação do Autódromo, obra que está estimada em 1,5 milhões de euros».
«Nós fazemos um esforço diário no sentido de atrair bons eventos para Portugal, seja em ano de pandemia ou não. Portanto, o ano de 2021 será, acreditamos nós, um ano de recuperação de crescimento, e continuaremos a apoiar todos os eventos que vejamos como adequados».

«Estímulo ao sector desportivo nacional» diz João Paulo Rebelo

Para João Paulo Rebelo, Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, este grande prémio «Representa muito. Há 24 anos que não recebíamos uma prova de Fórmula 1 no nosso país. Quando falamos de Fórmula 1, falamos de um dos desportos mais espetaculares, mais emocionantes e mais competitivos, que atrai muitas pessoas em todo o mundo, centenas de milhares de fãs de automobilismo só em Portugal. É um sonho quase tornado realidade, é muito bom. É, mais uma vez, a demonstração inequívoca que turismo, desporto e economia andam de mãos dadas».


«Conjugam-se aqui várias boas notícias para o desporto. Tivemos a Champions, entretanto agora temos esta decisão da FIA, de ter um Grande Prémio em Portugal. Eu diria que é o reconhecimento do sector de desporto do nosso país, e do bom trabalho que fizemos no combate a esta pandemia, que é mundial. Esta decisão simboliza também um estímulo para o próprio sector desportivo nacional, no que concerne à sua retoma. Temos retomado progressivamente as modalidades individuais ao ar livre e em pavilhão, em agosto queremos retomar as modalidades coletivas, e estes reconhecimentos internacionais dão-nos força para prosseguir este caminho».

«Isto é um reconhecimento da FIA, das instituições e dos promotores internacionais do automobilismo, à capacidade de organização que Portugal tem. E também acho que é um reconhecimento à forma que lidámos com a pandemia. Não estaríamos a fazer desta prova se não tivéssemos lidado bem com esta crise pandémica», concluiu o governante.

Isilda Gomes: evento será «balão de oxigénio» para o turismo algarvio

Ouvida pelos jornalistas, Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão reconheceu o dia de hoje como « absolutamente histórico! É um dia em que todos sentimos que valeu a pena o trabalho realizado ao longo destes anos. Em que sentimos que valeu a pena apostar neste projeto, nesta infraestrutura, e que valeu a pena apoiar o Paulo Pinheiro no seu sonho. A realização deste Grande Prémio é o reconhecimento, em definitivo, da grande capacidade do Autódromo e daquilo que foi realizado ao longo dos anos».

«Temos uma região turística por excelente, e por isso temos que nos mostrar ao mundo as nossas capacidades e potencialidades. A Fórmula 1 dá uma projeção a nível mundial inigualável. Esperamos ter um mês de outubro que corresponda a um mês de julho de 2019. Um balão de oxigénio para o nosso turismo. No futuro, a projeção poderá dar-nos a capacidade de receber mais gente nos próximos anos, pois as pessoas irão ver que este é um destino seguro e de qualidade».

João Paulo Rebelo, Isilda Gomes e Rita Marques.

«Tenho a certeza que vamos ter uma grande prova em Portimão. Porque o Algarve tem sabido controlar a pandemia, o problema. É por isso que hoje estamos aqui a receber esta medalha de honra. Isto traz autoestima aos portugueses, e sobretudo aos algarvios, numa fase tão má como a que temos passado a nível mundial. No meio desta pandemia, temos todas as razões para nos sentirmos congratulados».

No futuro, «o objetivo é continuar. Não é ter a prova apenas agora. Vamos trabalhar para que este sonho prossiga no tempo, para que seja uma prova impactante para quem cá vier».