FIESA 2019 muda-se para Lagoa e dá a volta ao mundo em areia

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Equipa internacional de 54 escultores já está a preparar o terreno de cinco hectares para a abertura em junho. Parque temático passará a chamar-se Sand City Algarve.

O Festival Internacional de Esculturas em Areia (FIESA) já está a nascer num novo terreno, lateral à Estrada Nacional EN(125), mesmo em frente à Nobel International School Algarve, no concelho de Lagoa, onde durante anos funcionou um viveiro de jardinagem. Para trás fica o espaço em Pêra (Silves), onde o certame se realizava desde a inauguração, em 2003.

Uma sevilhana.

Ao «barlavento», Alper Alagoz, fundador e diretor geral do parque, explica que se trata de um enorme investimento, mas necessário para garantir a continuidade do evento, uma vez que o novo terreno foi adquirido para este efeito. A exposição será agora espalhada por uma área de cinco hectares.

No local, está uma equipa de 54 escultores profissionais, que até ao final de maio deverá ter todas as obras concluídas. Apesar de não querer avançar com uma data exata para a abertura, o responsável aponta para junho, se não houver nenhum contratempo com o licenciamento.

Cesária Évora ganha forma pela mão de um escultor.

Outra novidade é o rebranding da marca FIESA que passará a designar-se Sand City Algarve. O tema será uma volta ao mundo em esculturas de areia, onde não faltarão recriações de alguns dos mais célebres monumentos do planeta.

Pormenor da nova zona dedicada ao mar. Ao fundo, o futuro restaurante de comidas do mundo.

De acordo com Cristina Araújo, produtora executiva desde 2004, haverá celebridades como Cesária Évora, o Papa Francisco, Dalai-lama, Fernando Pessoa, e até Cristiano Ronaldo, estes últimos numa evocação à Portugalidade.

Em segundo plano, o Dalai-lama, chefe de Estado e líder espiritual do Tibete.

Outra novidade é uma zona dedicada ao mar. Segundo avança Cláudia Diogo, da equipa de conceção do espaço e investigação dos temas, terá uma forte componente ambientalista, pois incluirá «uma instalação em areia que mostra o impacto dos plásticos no meio marinho». «No meio de cenas, vamos denunciar a poluição causada pelas garrafas de plásticos, cotonetes, e tudo aquilo que está hoje a destruir os oceanos», sublinha.

Em relação a espaços de apoio, Alper Alagoz, aponta para os dois novos edifícios em madeira, de arquitetura singular, que estão a ser finalizados. «Uma das casas é, possivelmente, a única do mundo com quatro bicos a apontar para o céu». Servirá, no futuro, de sala polivalente para exposições que exijam proteção dos elementos, ou para eventos culturais e apresentações.

Um buda de areia.

O outro edifício, de maior dimensão, será destinado a um restaurante «de comidas do mundo». Alagoz não tenciona adjudicar a exploração a terceiros, mas sim assegurar toda a gestão e funcionamento. Ainda em relação aos edifícios, comenta: «gosto de arte e encontrei um arquiteto algarvio, o José Nascimento, que também gosta de ideias loucas». O edificado surge no local onde estavam três casas em ruínas.

Jennifer, a escultora espanhola, constrói um formigueiro.

A vontade de mudar para Lagoa remonta, pelo menos a 2015, mas o plano acabou por atrasar devido a entraves burocráticos. No entanto, a equipa deixa uma palavra de agradecimento ao executivo da Câmara Municipal de Lagoa, quem abraçou o projeto desde o início. A única crítica tem a ver com a requalificação da Estrada Nacional 125 que retirou a rotunda que facilitaria o acesso ao espaço.

«Os visitantes que vêm na direção Faro – Portimão terão que percorrer cerca de 7 quilómetros até Lagoa para fazer inversão de marcha na rotunda mais próxima. Será que isto faz sentido?», questiona Cristina Araújo. Nesta temporada, o parque deverá criar 25 a 30 postos de trabalho.

Alper Alagoz, é natural da Turquia. Estudou engenharia metalúrgica, mas decidiu perseguir uma carreira artística. Acabou por se apaixonar pela escultura em areia «porque é um material reciclável. Podemos usá-la para esculpir quase tudo» e voltar a utilizá-la, tal como na economia circular.

Alper Alagoz, o pai do Fiesa, não esconde a satisfação com o novo projeto.
Esta edição é que mais reúne participação feminina desde a fundação do Fiesa em 2003.
Nem falta uma carroça cigana.
O futuro poderá ser brilhante, conforme a aceitação do público, diz Alper Alagoz.

Se vale a pena continuar com este evento? «Claro que sim. Em 2018 recebemos quase 120 mil visitantes. O futuro dependerá da aceitação das pessoas, mas queremos continuar a crescer e apresentar novidades a cada ano», conclui.