Capitão-de-mar-e-guerra Fernando Carlos da Rocha Pacheco (Penafiel, 1968) tem experiência de combate no Mar Vermelho, Golfo de Adem, Somália e Guiné-Bissau, em missões de apoio à guerra global contra o terrorismo. Tem vários louvores e medalhas na folha de serviços.
«As inúmeras competências que me foram conferidas exigem um elevado sentido de responsabilidade e dedicação, bem como sólidos padrões de rigor, transparência, isenção e justiça que naturalmente me comprometo a abraçar», disse Fernando Rocha Pacheco na cerimónia de entrega do Comando da zona Marítima do Sul e tomada de posse, na quinta-feira, dia 10 de outubro, em Faro.
«Não tenciono perguntar o que fazer, mas sim apresentar soluções para o que deve ser feito», garantiu. Aos militares que vai comandar, o novo responsável assegurou que dará «total apoio no exercício das vossas competências, funções e tarefas. Teremos que agir coesos e motivados. Conto com a vossa lealdade e empenho para levarmos a bom porto a nossa missão».
Também o antecessor, o Capitão de mar-e-guerra Nuno Cortes Lopes, mereceu umas palavras: «sei que tenho a minha missão facilitada pelo excelente trabalho que me apercebi que desenvolveste, quer em termos organizativos, quer de exemplo de rigor e de competência, quer em termos de relacionamento interno e externo. Espero dar continuidade ao teu esforço. Agradeço-te a forma empenhada e profissional com que nestes últimos dias me proporcionaste um conhecimento alargado».
Para Rocha Pacheco, a sua função em Faro passará por continuar a «servir a causa pública e assegurar da mesma forma competente, transparente, isenta e rigorosa, que seja garantida a segurança, a preservação dos recursos, o bem-estar e o progresso das populações locais e internacionais que usufruem do espaço da região algarvia».

Por fim, sobre as características próprias e as dificuldades específicas que a zona Marítima do Sul apresenta, o novo responsável reconheceu que não será fácil.
«A zona algarvia é muito procurada pela atividade marítimo-turística e pelo turismo. Cada vez o mar é mais usado e é preciso garantir que há as condições de segurança e de preservação necessárias para a afluência que se sente sobretudo nas alturas de verão. Requererá um maior esforço da nossa parte, mas estamos certos que com os recursos, os meios e os materiais que dispomos, vamos dar boa resposta».
A cerimónia decorreu em frente às instalações do Comando da Zona Marítima do Sul e contou com a presença do Vice-almirante Sousa Pereira, Diretor-geral da Autoridade Marítima e do Vice-almirante Gouveia e Melo.
Fernando Rocha Pacheco substitui Nuno Cortes Lopes em seis funções: Chefe do Departamento Marítimo do Sul, Capitão do Porto de Faro, Comandante Regional do Sul da Polícia Marítima, Comandante Local da Polícia Marítima de Faro e Diretor do Museu Marítimo Almirante Ramalho Ortigão.
Nuno Cortes Lopes: «Faro vai deixar saudades e levo o Algarve no coração»
Na hora da despedida, Nuno Cortes Lopes traçou um balanço da sua passagem pela capital algarvia. «Foram três anos fantásticos em termos pessoais. Anos de vida únicos. Foi como um nascer de novo com operações reais todos os dias. As competências do âmbito da Autoridade Marítima Nacional e também da Marinha obrigam a uma preocupação constante. No Algarve, todos os dias acontecem coisas e é necessário tomar decisões. Infelizmente, decorreram alguns acidentes e incidentes, e nesse âmbito foram três anos muito intensos, mas uma excelente experiência de vida. Levo daqui grandes recordações, com grande intensidade. Foram melhoradas, na minha perspetiva, várias capacidades que a Autoridade Marítima no futuro poderá vir a ter», disse aos jornalistas.

Em relação às várias operações de narcotráfico que comandou, «são trabalhos complexos, de muita paciência e que, muitas ocorrem com sucesso. Muitas outras, tenho a certeza que não se conseguiu o sucesso que se desejaria. Isto, talvez, devido a falta de meios nossos, da Polícia Judiciária (PJ) e de meios tecnológicos como videovigilância. Em três anos foram apreendidas várias embarcações e muita droga. É uma guerra constante. Todos os dias temos de monitorizar e dar o nosso melhor para esse flagelo».
Cortes Lopes acrescentou ainda que deixa as suas funções com «a consciência tranquila de que fiz o meu melhor e que tentei dar o meu contributo a todo o Algarve. Tentei deixar um pouco mais do que o que recebi e tenho a certeza que o meu sucessor fará o mesmo. Fui bem recebido e bem tratado pelos algarvios e saio daqui com saudades».
E o que é que o futuro reserva? «Fui selecionado para um curso de promoção a Oficial General. Saio daqui e na segunda-feira (14 de outubro) começo um estágio na Escola Naval, no âmbito de preparação para esse curso com os coronéis e os capitães de mar-e-guerra dos três ramos das Forças Armadas e também da Guarda Nacional Republicana (GNR). No próximo ano letivo, serei o auditor desse curso».
Um currículo de prestígio
O Capitão-de-mar-e-guerra Fernando Carlos da Rocha Pacheco nasceu em Penafiel a 18 de fevereiro de 1968 e entrou para a Escola Naval em novembro de 1986, tendo concluído o curso de Marinha no final de 1991.
Especializou-se em Comunicações em 1993 e possui o Curso Geral Naval de Guerra de entre diversos cursos e estágios completados na Marinha e no estrangeiro.
Nas suas funções a bordo de unidades navais, no mar, participou em vários exercícios e operações reais.
Como oficial subalterno desempenhou as funções de Chefe de Serviço de Comunicações, Oficial de Operações e Oficial Imediato em diversos navios de guerra portugueses.
Os navios em que prestou serviço incluem os patrulhas «Geba» e «Cuanza», as corvetas «João Coutinho» e «Oliveira e Carmo» e a fragata «Comandante João Belo».
Já como oficial superior, de janeiro a junho de 2003, embarcou no navio destroyer italiano «ITS Francesco Mimbelli» onde assumiu as funções de Chefe da Divisão de Comunicações e Sistemas de Informação do Estado-maior do Comandante do Grupo-tarefa da EUROMARFOR e da Força Tarefa 150, participando nas operações reais Resolute Behaviour e Enduring Freedom, nas áreas do Mar Vermelho, Golfo de Adem e vizinhança da Somália, em apoio à guerra global contra o terrorismo.

No período de dezembro de 2010 a agosto de 2012, foi Chefe do Estado-Maior da Força Naval Portuguesa onde, além de diversos exercícios, participou na operação real Manatim, na vizinhança da Guiné-Bissau.
Em terra prestou serviço como Chefe do Gabinete de Tecnologia Educativa, na Escola de Comunicações, Oficial de Estado-maior nas Divisões de Plans & Policy, Civil Military Cooperation (CIMIC) e na Divisão de Comunicações e Sistemas de Informação, no comando NATO Joint Command Lisbon e na Divisão Joint Capability Planning Division – Strategic Management Section no NATO – Supreme Headquarters for Allied Powers in Europe (SHAPE), na Bélgica.
Foi Capitão do Porto e Comandante Local da Polícia Marítima de Tavira e de Vila Real de Santo António, onde foi membro da Comissão Internacional de Limites entre Portugal e Espanha.
Foi ainda Segundo Comandante da Esquadrilha de Navios Patrulhas, Oficial de Estado-maior na Divisão de Planos do Comando Conjunto para as Operações Militares, Adjunto Militar (Marinha) no Gabinete do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) e Adjunto para a Coordenação do Comando-Geral da Polícia Marítima.
Na sua folha de serviço constam vários louvores e medalhas que incluem três de Serviços Distintos prata, de Mérito Militar de 2ª e 3ª classe, de Cruz Naval de 2ª e 3ª classe, de Comportamento Exemplar – ouro e prata, de Comissão Especial com a legenda Somália 2003 e de Cruz Comemorativa – Pela Segurança (Itália), com a legenda Afeganistão 2003.






