FATACIL 2015: Vinho, tradição e cultura

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SO número exato de vinhos e de produtores que marcam presença este ano na FATACIL é uma conta difícil de fazer de cabeça, mas tem uma explicação. Segundo Luís Encarnação, vereador do município de Lagoa, «só um dos nossos parceiros, de Reguengos de Monsaraz – cidade europeia do vinho em 2015 -, irá trazer consigo todos os produtores daquela região», explica.

As duas dezenas de produtores algarvios, vão contar com um espaço próprio para os seus 84 rótulos diferentes. Entre os participantes algarvios estarão nomes como «Adega Única», «Herdade Montes Salicos», «Quinta dos Vales», «Malaca», «Quinta da Penina», «Adega do Cantor», entre muitos outros.

O dia 24 de agosto será a data mais importante para este certame. «A partir das 15h00 vamos ter um seminário subordinado ao tema Portugal 2020 onde serão exploradas as linhas de apoio existentes para este tipo de produção. Vamos ter um orador a discursar sobre a modernização agrícola, os apoios para o vinha e o vinho, turismo e o enoturismo. Pelas 17h00 terá inicio um colóquio sobre a temática do vinho e da vinha bem como uma prova de vinhos. Muitos deles premiados no concurso internacional la selezione del sindaco, que decorreu em maio, em Oeiras. Ainda nesse dia, o stand do município de Lagoa vai promover diversas atividades. Por exemplo, a oferta de videiras da casta negramole. Não queremos que esta casta típica algarvia se extinga. Por isso, o município plantou 4000 mil videiras que temos vindo a distribuir ao longo do ano», explica Encarnação.

O vereador responsável garante ainda que «quem é aficionado dos vinhos vai encontrar na FATACIL uma grande variedade e vai poder provar e adquirir os que mais gostar a preços mais acessíveis» do que estão habitualmente disponíveis no mercado. Por último, destaca ainda que «Lagoa é uma terra de vinhos com forte tradição no setor. Os vinhos algarvios estão em franco crescimento e a recuperar o tempo perdido. O esforço que tem sido feito está a dar bons frutos. A região está a ganhar renome e a conquistar uma importante quota de mercado», sublinha.

Lagoa quer ser capital algarvia do vinho em 2016

Lagoa está, neste momento, a preparar uma candidatura para que possa ser eleita «a «cidade do vinho» em 2016. A Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), fundada em 2008 no Cartaxo, atribui este galardão exclusivamente aos seus associados. No Algarve, são membros os municípios de Silves e Lagoa. Segundo o vereador Luís Encarnação, Lagoa vai avançar com base num programa de iniciativas de carácter regional, ou seja, a ideia é que possa ser a capital dos vinhos do Algarve. Este ano, não houve «cidade do vinho» uma vez que Reguengos de Monsaraz foi escolhida pela Rede Europeia das Cidades do Vinho (RECEVIN) para ser a cidade europeia do vinho, e como tal, não faria sentido, uma sobreposição de iniciativas.

Cidade Europeia do Vinho 2015 prestigia Lagoa

Estima-se que passem 120 mil pessoas pelo recinto da FATACIL. Segundo explicou ao «barlavento», José Calixto, presidente da Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz, a Cidade Europeia do Vinho 2015 tem uma ideia para atrair as atenções. À entrada, os visitantes da feira vão receber um voucher que dá acesso a descontos nas edições limitadas e especiais dos rótulos alentejanos. E ainda se habilitam a ganhar estadias nas terras do Grande Lago Alqueva, que serão sorteadas durante o evento.

A presença na FATACIL «é de facto uma forte aposta do município de Reguengos de Monsaraz e dos seus produtores, nomeadamente a CARMIM, uma das maiores, ou a maior cooperativa vitivinícola do país, num ano em que temos as insígnias de Cidade Europeia do Vinho 2015», sublinha o autarca.

A Cidade Europeia do Vinho nasceu de uma ideia por parte da Rede Europeia de Cidades do Vinho (RECEVIN), com vista a promover e desenvolver o turismo nas zonas vinícolas. Em 2012 foi Palmela, e em 2015, Reguengos de Monsaraz.

«Estamos muito satisfeitos com os resultados obtidos até agora. Acedi à minha conta no booking, para ver a taxa de ocupação desta zona, num dia de semana [terça-feira] e verifiquei que está nos 70 por cento», revela. Este dado «no Alentejo profundo, como alguns gostam de dizer, não é normal. De facto, temos constatado que a nossa capacidade hoteleira, de 600 camas turísticas, tem registado níveis muito elevados de ocupação».

Mas não é só o turismo, o enoturismo e até o astroturismo têm crescido. A sub-região vitivinícola de Reguengos é produtora de quase 30 milhões de litros de vinho por ano, cujas vendas também saem beneficiadas com o galardão. O desafio agora é potenciar a herança que a distinção europeia deixa para o futuro.

Relativamente à vontade de Lagoa querer ser cidade do vinho em 2016, capital do vinho do Algarve, José Calixto, apoia a ideia e compara-a com a sua própria experiência. «É essa perspetiva de defesa de toda uma região que nos fez, em devido tempo, declarar o apoio a uma candidatura que não fosse egoísta apenas de um local, cidade, concelho, mas sim que fosse representativa dos interesses de todos», neste caso, do Algarve.

«Portanto, seremos coerentes em sede própria com esta nossa declaração, porque nós próprios quando pensámos em candidatar-nos a Cidade Europeia do Vinho, fizemos em parceria com Évora e com Elvas. E portanto, de alguma forma, foi pensado para potenciar o turismo» do Alto Alentejo.

Questionado sobre a próxima colheita, «será um ano bom, mas ainda com alguns fatores de imprevisibilidade. Está a correr bem, embora estejamos preocupados com a quantidade de dias sem chuva. As vindimas já começaram nalgumas castas na semana passada. É uma alteração bem notória em relação a outros tempos, em que as vindimas começavam bem mais tarde. É um sinal dos tempos e dos fatores ambientais que muitas vezes desprezamos e que estão a fazer sentir os seus efeitos. A nossa preocupação principal é o acesso à água para rega agrícola das vinhas. Cada vez mais temos de pressionar as entidades gestoras, pois temos aqui 22 mil hectares de vinhas certificadas, cerca de 6 mil hectares só no concelho de Reguengos de Monsaraz. Os produtores precisam urgentemente que tenhamos acesso à água de Alqueva», conclui.