Faro tem uma ostraria que adora estar no Lodo

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Define-se como a única marisqueira do Algarve e tem iguarias que não se encontram em mais restaurante nenhum do país. 80 por cento do que servem provém diretamente do lodo da Ria Formosa.

A mais recente ostraria de Faro, abriu na Rua Conselheiro Bivar, no final do ano passado e «é uma homenagem à Ria Formosa. O marisco que servimos é puro e duro e a ideia é não nos esquecermos de qual é a nossa fonte de riqueza. Temos a sorte de estar ao lado da Ria Formosa e é o lodo que nos dá os frutos. Foi nesse sentido que defini o nome do restaurante. Queria algo que significasse a origem dos nossos produtos e 80 por cento do que servimos vem da ria. A palavra lodo tem duplo significado, mas é pequena, direta, engraçada e é o que faz sentido», começa por contar ao «barlavento» Miguel Gião, de 38 anos, proprietário, nascido e criado na capital algarvia.

A ideia começou a maturar em 2017 com um conceito bem definido. «Desde criança que fui ensinado a mariscar, como algarvio que sou. Há muitos restaurantes que se designam de marisqueira mas servem também peixe e até carne. No Lodo, a única carne que servimos é o prego, por ser a sobremesa do marisco. Peixe não temos. O conceito sempre foi esse e sempre esteve bem definido. A minha referência é a famosa marisqueira Ramiro, em Lisboa. Existe há 62 anos e ainda resulta», explica o empresário.

Ostraria Lodo

Além de ser «a única marisqueira do Algarve», nas palavras de Miguel, o Lodo destaca-se ainda nos pormenores. «Tentámos deixar ao máximo a comida tal e qual ela é. O segredo é o tempo de cozedura, uma das coisas mais difíceis na cozinha, mas que faz toda a diferença. A juntar a isso temos produtos de alta qualidade em que não lhes juntamos molhos, nem grandes temperos. Tudo aqui está pensado ao detalhe, mas acima de tudo é um espaço informal para se mariscar. Quisemos manter a simplicidade».

Um investimento, segundo Miguel Gião, que rondou os 300 mil euros. «Eu queria mesmo qualidade porque cada vez mais, as pessoas procuram experiências».

Um exemplo? «Temos camarão da bola, aquele muito pequeno, que mais ninguém tem. Quis trazer de Nova Iorque e de Inglaterra uma especialidade, o lobster roll, um género de um cachorro, mas com pão de brioche, lavagante, salada coleslaw, batata caseira e molho de maionese. O nosso xarém é de lavagante e até as nossas ostras são especiais», descreve.

Isto porque são «ostras sem stress», cultivadas do lado nascente da Praia de Faro, mais abrigado do tráfego marítimo. Demoram quase dois anos a poderem ser servidas, mas destacam-se por «serem gordas, nada leitosas ou farinhentas e na boca, quando rebentam, sabem a mar», descreve.

Marisqueira em Faro

A juntar a estas iguarias há berbigão, lingueirão, cataplana, amêijoas, várias qualidades de camarão e caranguejos. Quanto aos lavagantes, provenientes da Irlanda do Norte, encontram-se expostos no aquário, sendo possível escolher qual é o que irá diretamente para a mesa.

E como bom marisco só pode ser bem regado, a casa até tem um espumante chamado Lodo, proveniente da Cave Central da Bairrada. «É uma bebida que resulta bem com o marisco, porque é um produto sensível e as bolhas realçam isso mesmo. O Lodo é o nosso espumante da casa. Procurámos o sabor perfeito que fizesse a ligação com o marisco, a gastronomia e a degustação. Comprámos a produção e por isso somos os únicos a tê-lo», garante.

Ostraria Lodo Faro

Também para aqueles que gostam de petiscos, o restaurante tem a opção da Happy Hour. Entre as 15h00 e as 18h00, pode-se comer ostra ou camarão da bola acompanhados por uma imperial, pelo preço de 2,5 euros.

Questionado sobre se há um público-alvo, Miguel Gião não tem dúvidas. «Somos nós, os portugueses. O estrangeiro tem de ser ensinado a comer uma gamba e já vi turistas a comerem percebes de faca e garfo»…

Por fim, o empresário conclui ao «barlavento» que não podia estar mais satisfeito. «Vamos e queremos continuar a ser a única marisqueira do Algarve. Adoro isto e adoro marisco. Este é um espaço que me enche de orgulho, onde só se trabalha com a máxima qualidade».