Família concretiza sonho antigo da «Tia Ana» com novo espaço em Faro

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Restaurante com horta biológica e estufa já funciona na Estrada da Senhora da Saúde. Projeto da família Carvalho está vocacionado para a alimentação saudável, tem preocupações ambientais e inclui um alojamento local, que deverá funcionar em breve.

A casa azul da «Tia Ana» já não passa despercebida a quem circula na Estrada da Senhora da Saúde (em direção a Mar e Guerra) mesmo na curva, antes do viaduto sobre a circular a Faro.

É um projeto de família que, se traduz num restaurante de cozinha mediterrânica e com unidade de alojamento local integrada.

Trata-se de um investimento de mais de 700 mil euros, cuja inauguração oficial está marcada para terça-feira, dia 11 de junho.

Ana Paula Carvalho, proprietária do espaço, revela ao «barlavento» como tudo surge. «Dei aulas na Universidade do Algarve desde 1987. Estava um pouco cansada do ensino e queria terminar essa faceta na minha vida. Sempre tive o sonho de abrir um pequeno restaurante, onde se pudesse fazer comida saborosa e caseira. Surgiu a oportunidade de adquirir este terreno e depois foi como que uma bola de neve. Acima de tudo queríamos abranger o conceito da dieta mediterrânica em termos de bem-estar, alimentação, convívio, bons vinhos e boa comida», explica.

O restaurante e as receitas são da responsabilidade do seu filho Ricardo, de 30 anos, formado em Gestão e Produção de Cozinha pela Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve.

«Ao almoço vamos ter um menu com pratos de carne, peixe, vegetarianos e pontualmente vegan. À noite, vamos apresentar uma carta em que a nossa preocupação é a sazonalidade e a comida familiar. Para esta altura temos pratos mais frescos e ligeiramente mais leves. Vamos apostar nos acompanhamentos e fugir à típica batata frita» explica o chef.

Na adega, a família Carvalho tem uma variedade de vinhos, sendo que a maior parte são rótulos de marcas regionais, porque segundo Ricardo, a sua inspiração, além da mãe, é «o Algarve».

A alimentação saudável e produtos da terra são outra das prioridades do «Tia Ana». «Os fritos serão apenas para ocasiões específicas. O que queremos mesmo é transportar a nossa horta para a carta», sublinha Ricardo Carvalho à medida que apresenta ao «barlavento», a forma como o terreno de dois hectares está organizado.

«Temos uma horta com morangos, pepinos, courgettes, tomates, alfaces, pimentos, couves, beterrabas e nabos. Também na nossa horta, plantámos ervas aromáticas, flores comestíveis, rabanetes, cebolas, abóboras e favas. Depois temos dois pomares. Um tem 8000 metros quadrados e metade já está ocupado com bagas gojis. O segundo é mais eclético, tem 3000 metros quadrados divididos entre laranjas, alperces, pêssegos e ameixas», detalha.

Segundo o engenheiro agrónomo Nuno Carvalho, 38 anos, irmão de Ricardo, «intercalando as espécies de frutos, facilita-se o controlo das pragas e das doenças».
Em relação à gestão de todo o espaço, a responsabilidade fica a cargo de Ana Paula, como nos relembra.

«Já cá estava um edifício. Eu quis manter a estrutura, os espaços abertos e o tipo de fachada. Contratei um arquiteto e apenas lhe disse que queria uma casa que olhasse e conseguisse sentir que estava no Algarve».

A casa, que no início do projeto tinha o objetivo de ser um restaurante com espaço para 60 pessoas, tem a capacidade para 96 lugares sentados e conta com duas salas interiores e duas esplanadas no rés-do-chão. No primeiro andar, funcionará, em breve, o alojamento local. São três suites com um espaço coletivo de cozinha e espaço de refeição.

A varanda tem com vista privilegiada para o pomar da família. A inauguração do primeiro andar do edifício ainda não tem data prevista, contudo segundo Ana Paula «queremos abrir o mais rapidamente possível».

Também as questões ambientais são tidas em conta pela família Carvalho. O restaurante não serve garrafas de plástico, apenas vidro de tara retornável. Além disso, está equipado com quatro painéis solares e, prepara-se para receber mais 50 painéis fotovoltaicos.

A mentora do «Tia Ana» é da opinião que criaram, em família, algo que se adapta a várias ocasiões. «Queremos que as pessoas aproveitem a calmaria que este pedaço de campo proporciona. Este local é perfeito porque está dentro e fora da cidade ao mesmo tempo. É perfeito para almoçar durante a semana, porque além de haver estacionamento disponível, as pessoas podem sentar-se e relaxar um bocado antes de regressar ao trabalho com energias renovadas.

Por outro lado, também é excelente para vir ao fim de semana e desfrutar com a família e as crianças. Foi para isso que quisemos ter um parque infantil», sublinha.

«Tia Ana» é uma homenagem à avó da família Carvalho

Ana Paula Carvalho juntou-se ao seu marido e juntos criaram uma sociedade intitulada «Camaleão d´Aromas». Esse é o motivo pelo qual à chegada do restaurante se encontra uma escultura de um camaleão, em ferro, criada por um artista de Porches.

Para o espaço, situado à saída de Faro, na Estrada da Senhora da Saúde, Ana Paula Carvalho optou por lhe dar o nome «Tia Ana», em homenagem à sua avó Ana da Conceição. «É a minha inspiração de vida. Foi uma mulher que nasceu em 1885, que passou tempos muitos difíceis como dificuldades económicas e fome. Juntamente com o meu avô emigraram para os Estados Unidos da América. Tiveram muitos filhos, mas morreram todos à exceção da minha mãe e do meu tio. Ela fazia tudo com amor. Adorava cozinhar e tinha imenso jeito para as artes manuais. Tudo o que fazia tinha de estar perfeito. Quando voltou para Lisboa as pessoas chamavam-lhe Tia Ana, mesmo o próprio genro. Anos mais tarde o meu pai dizia sempre à minha mãe que eu era muito parecida com a minha avó. Apesar das dificuldades todas da vida, a minha avó sempre foi uma pessoa positiva, com vontade de trabalhar e carinho por todos. Ela serviu-me de força de vida e de inspiração. Esta é a minha homenagem para ela», conta ao «barlavento».

Antestreia especial no Dia da Criança

Para os mais pequenos, o novo restaurante farense tem uma oferta especial para o Dia da Criança, sábado, 1 de junho.

Apesar da inauguração estar marcada apenas para dia 11, sábado, no dia 1 de junho, quem quiser, terá a oportunidade de degustar em primeira mão algumas das especialidades do chef Ricardo Carvalho.

«Queremos anunciar que vamos abrir e dar a conhecer às pessoas este nosso espaço. É uma espécie de antestreia», antevê o cozinheiro.

As crianças até aos 10 anos têm a sua refeição oferecida. A partir da abertura, ao jantar cada prato terá o preço médio de 15 euros, sendo que a refeição completa, acompanhada de vinho, poderá rondar os 25 euros.

Produtos com certificação biológica

O «Tia Ana» além de ser um restaurante e alojamento local, possui dois pomares, uma estufa e uma horta. Quem toma conta desta parte do espaço é o filho da proprietária do espaço, Nuno Carvalho, de 38 anos, engenheiro agrónomo. Morangos, pepinos, corgettes, cebolas, bagas goji, laranjas e ameixas são algumas das variedades que o «Tia Ana» produz.

Todos eles certificados como biológicos. «Para obtermos essa certificação é preciso não utilizar produtos químicos, usar sementes de proveniência biológica e escolher adubos orgânicos aprovados para esse mesmo efeito. Além disso, cumprimos com todas as normas da União Europeia para o Modo de Produção Biológica».

Futura loja bio, workshops de culinária e eventos

Em relação ao futuro, a família Carvalho, mentora do novo espaço em Faro «Tia Ana», tem tudo pensado. Ana Paula, a proprietária, começa por explicar ao «barlavento» que, além do terreno principal com dois hectares, há um espaço mais à frente, dividido pela estrada, com cerca de 2000 metros quadrados. «A ideia que temos é tornar aquele espaço para eventos como batizados ou casamentos. Com as infraestruturas necessárias e com tudo arranjado conseguimos fazer ali uma coisa gira».

Já a médio e curto prazo, a família prepara-se para lançar uma loja biológica que ficará à entrada do «Tia Ana», logo ao lado do portão. «Vamos vender produtos agrícolas frescos da nossa horta. Queremos também incluir doces, compotas e secos. Mais tarde, pretendemos criar parcerias com outros produtores locais, vender os nossos produtos em algumas lojas e aumentar a nossa variedade», revela Nuno Carvalho, filho mais velho da proprietária Ana Paula, formado em engenharia agrónoma.

Por fim, e porque a família possui ainda um armazém agrícola, ao lado das estufas, a ideia é «criar condições para que esse espaço sirva para se fazerem workshops de cozinha, relacionados com a horta», conclui Nuno.