Falência da Germania custará ao Algarve 5 por cento dos passageiros do mercado alemão

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A companhia alemã Germania apresentou o pedido de insolvência no tribunal Amtsgericht Berlin-Charlottenburg, na segunda-feira, 4 de fevereiro, o que torna oficial a cessação de todas as operações. A notícia não surpreendeu a indústria da aviação, pois desde há algum tempo que eram conhecidas as dificuldades financeiras da empresa, uma das mais antigas operadoras no conceito charter europeu.

A Germania especializou-se em voos de férias e tinha um longo historial de ligações a Faro, sendo as rotas mais recentes para Dresden, Muenster, Fredischafen e Nuremberga. Servia também com bastante frequência outras companhias congéneres como a Tuifly e a Lufthansa com o aluguer aeronaves e tripulações, ou então por consignação de assentos a agências de viagens.

Contactado pelo «barlavento», João Fernandes, presidente do Turismo do Algarve, considera que «infelizmente esta é mais uma notícia que não queríamos ter recebido, especialmente tendo em conta que a Alemanha é um dos principais mercados tradicionais do Algarve. Esta falência implica a perda de quatro rotas para o destino, o que se estima que venha a afetar cerca de 25 mil turistas, traduzindo-se numa eventual diminuição de aproximadamente 5 por cento face ao número total de passageiros provenientes deste mercado».

João Fernandes.

«No entanto, temos as ferramentas necessárias para minimizar esse impacto e, tal como aconteceu recentemente com as falências de companhias como a Monarch, a Air Berlin ou a Niki, acreditamos que a região será capaz de dar a volta por cima e de colmatar as rotas e frequências perdidas», acrescenta.

De salientar que no inverno de 2018 foi já possível registar um aumento da oferta de lugares em todos os mercados que servem o aeroporto de Faro, com destaque para a Alemanha e o Reino Unido, dois mercados que se encontravam em recuperação das perdas causadas pelas falências das companhias Air Berlin, Niki e Monarch.

«Essas perdas foram já supridas e, no caso do mercado alemão, o Algarve conta já, desde o final do ano passado, com uma nova rota para Berlim (Schoenefeld) e com novos serviços para as cidades de Colónia e Düsseldorf. Destaque ainda para os aeroportos de Berlim, que passaram a ser servidos por três companhias aéreas: a Ryanair e a Easyjet, a partir de Schoenefeld, e a LaudaMotion, a partir de Tegel»0, explica João Fernandes.

«No caso da Germania, as rotas existentes para o Algarve operavam no período de verão IATA, isto é, de fevereiro a outubro, o que implica um fraco impacto no período em que o destino é ainda alvo de uma maior sazonalidade (meses de novembro, dezembro e janeiro)», conclui.

Assim, perante este contexto, a Associação de Turismo do Algarve (ATA), em conjunto com o Turismo de Portugal e o Aeroporto Internacional de Faro, «irá procurar reforçar as negociações com outras companhias aéreas, com o objetivo de colmatar as rotas e frequências perdidas, dando-lhes a conhecer o potencial que as rotas até agora operadas pela Germania representam. Em paralelo, iremos intensificar o nosso trabalho tendo em vista a realização de campanhas de marketing conjuntas com companhias e operadores turísticos, no sentido de incrementar as vendas do destino junto deste mercado, tido como prioritário», esclarece João Fernandes, presidente da ATA.

Com a falência da Air Berlim, a Germania ambicionava renovar a frota e assumir muitos dos destinos da extinta empresa mas acabou por enfrentar problemas de financiamento inesperados.

A justificação oficial reporta «acontecimentos imprevistos, tais como aumentos maciços do preço dos combustíveis durante o verão do ano passado, a depreciação do euro em relação ao dólar, atrasos significativos na expansão da frota, bem como um número anormalmente elevado de serviços técnicos nas aeronaves que criaram um pesado fardo financeiro».

A autoridade aeronáutica alemã LBA (Luftfahrt Bundesamt) tinha dado à Germania um prazo para provar que possuía recursos financeiros suficientes para operação e manutenção da frota, que terminou no inicio desta semana. Assim, foi revogado o AOC (certificação de operador aéreo) e encerram a Germania Fluggesellschaft mbH, a sua empresa de manutenção (Germania Technik Brandenburg GmbH) e ainda a Germania Flugdienste GmbH não conseguiram apresentar garantias de solvência.

Karsten Balke, diretor executivo da Germania Fluggesellschaft mbH, publicou uma nota na página oficial da companhia. «Infelizmente, fomos incapazes de materializar os nossos esforços de financiamento para cobrir uma necessidade de liquidez de curto prazo para uma conclusão positiva. Lamentamos muito que, consequentemente, a nossa única opção era pedir insolvência. É claro que o impacto que essa etapa terá nos nossos funcionários é o que mais nos arrependemos. Todos eles, como equipa, sempre fizeram o possível para garantir operações de voo confiáveis e estáveis, mesmo nas semanas stressantes que vivemos. Gostaria de agradecer a todos do fundo do meu coração. Peço desculpas aos nossos passageiros que agora não poderão voar com a Germania conforme planeado».

Segundo o «barlavento» apurou junto de fontes ligadas ao sector, também a situação financeira da «Norwegian Airlines» está a preocupar os operadores turísticos do Algarve.