Fábrica do Inglês em Silves será hotel de cinco estrelas e reabre o Museu da Cortiça

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Rosa Palma, presidente da Câmara Municipal de Silves revela que no complexo hoje devoluto, deverá nascer uma unidade hoteleira de luxo com apartamentos, SPA, piscina, restaurante e serviços de saúde. Projeto garante a manutenção e reabertura do Museu da Cortiça e áreas de fruição pública.

Têm sido efetuadas obras de reabilitação urbana no centro de Silves, qual é o ponto de situação?

Rosa Palma: As obras desenvolvidas pelo município de Silves têm permitido a recuperação, valorização e proteção do património, a reabilitação e ampliação de infraestruturas públicas essenciais, a melhoria das acessibilidades e o reforço da coesão social.

Dou-lhe dois exemplos: nas obras que estão a decorrer no centro histórico urbano de Silves, sobretudo na zona do Largo do Município, promoveu-se a melhoria das acessibilidades (colocando calçada que não está gasta e, logo, não aumenta os riscos de quedas, sobretudo da população mais idosa que reside no centro histórico e que nos visita), mas também a valorização de aspetos patrimoniais que resultaram dos achados arqueológicos ocorridos durante o processo de obra.

Por baixo das Portas da Cidade resplandece agora uma zona que reproduz a calçada original ali encontrada e que, desse modo, permite ao visitante olhar para o espaço de outra forma, regressando a um passado distante.

Mais. Na zona junto à Catedral, onde foi feito um achado arqueológico importante, que está em estudo, também ficará o registo do mesmo, para que mais tarde o público o conheça e haverá sinalética específica, que explicará o contexto de todas as descobertas que temos feito ao longo da obra em curso.

Que nos pode dizer em relação à Fabrica do Inglês e ao antigo Museu de Cortiça, dois espaços de grande valor histórico e cultural para a região e para o concelho, há muito encerrados?

A Fábrica do Inglês, que integra o Museu da Cortiça, é um imóvel classificado de interesse municipal e que está em vias de ser classificado como sendo de interesse público, que pertence atualmente à Caixa Geral de Depósitos.

Nos últimos anos, temos sidos contactados por diversos investidores, que pretendem adquirir o imóvel.

Presentemente, posso adiantar que existe um grupo de investidores que está em negociações muito adiantadas, com base num projeto cujo licenciamento foi considerado viável pela Câmara Municipal de Silves e que prevê a realização de obras de reabilitação dos edifícios existentes e dos muros periféricos da Fábrica do Inglês e a possibilidade de construção no interior do empreendimento de uma unidade hoteleira de cinco estrelas, com apartamentos, SPA, piscina, restaurante e áreas de serviços de saúde.

Este projeto garante a manutenção e reabertura do Museu da Cortiça e garante a livre circulação de pessoas no interior do recinto e fruição pública da praça existente.

O município de Silves tem acompanhado de perto este processo e consideramos que se trata de uma oportunidade para reerguer a Fábrica do Inglês, reabilitando o património cultural, respeitando o seu valor histórico e arquitetónico, assegurando a reabertura do Museu da Cortiça, e acolhendo novos usos conciliáveis com a natureza cultural deste empreendimento, de natureza turística e de serviços de saúde.

Acreditamos que este projeto permitirá devolver a Fábrica do Inglês à população e a quem nos visita e incrementar a oferta cultural da cidade e do nosso concelho.

Aspeto do Museu da Cortiça, encerrado há anos.

Ampliação do Zoomarine aprovada até ao final de 2019

O Zoomarine também pretende ampliar a zona do parque e a Câmara de Silves mostrou-se favorável. Como justifica esta posição?

O parque pretende crescer em Silves, ampliando instalações e equipamentos, no nosso território. É um projeto que o município de Silves vê com bons olhos.

Estamos a falar de uma empresa que é um dos mais importantes empregadores do concelho, que tem investido, ao longo dos últimos anos, em boas práticas e procurado, dentro da filosofia que defende, criar estratégias e planos que permitam a proteção do ambiente e a educação ambiental.

Vemos com bons olhos os negócios que têm esta filosofia e atitude, pelo que, atuando sempre dentro do mais estrito respeito pelas regras e leis em vigor, pareceu-nos que era importante não inviabilizar este projeto, atendendo à possibilidade de gerar mais empregos e mais riqueza para o nosso concelho.

A decisão de suspender o PDM está relacionada apenas com o projeto do Zoomarine?

Sim, mas a suspensão é apenas parcial, incidindo somente no local onde deverá ocorrer, numa primeira fase, a ampliação das instalações e a criação de novos equipamentos do parque temático.

Em simultâneo, vamos aprovar normas provisórias que vão disciplinar em que termos as operações urbanísticas da ampliação inicial do Zoomarine poderão vir a realizar-se e que correspondem às regras que já constam do novo regulamento da proposta de revisão PDM de Silves, que deverá entrar em vigor até ao final deste ano, e que acolhe a integralidade do projeto de expansão do parque aquático.

Estamos perante um investimento privado em equipamentos de utilização coletiva, que se reveste de interesse público para o concelho de Silves, atendendo aos ganhos que acarreta ao nível do desenvolvimento e da dinamização económica, da criação de emprego, da qualificação e diversificação da oferta turística e da valorização dos recursos naturais e paisagísticos em presença.

Sendo que, antes de avançarmos para esta solução, não deixamos de reunir com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Algarve e com a Agência Portuguesa do Ambiente, que se mostraram favoráveis ao projeto e deram-nos o conforto necessário para iniciarmos este procedimento.

Rosa Palma, presidente da Câmara Municipal de Silves.

Feitoria Fenícia é investimento de 50 milhões de euros

Que outros projetos imobiliários e comerciais significativos estão previstos?

A título de exemplo, no passado dia 27 de maio, assinamos um contrato com um investidor que vai elaborar o Plano de Pormenor da Feitoria Fenícia, que permitirá concretizar um Núcleo de Desenvolvimento Turístico em Silves, por via da implementação de um projeto que integrará uma unidade hoteleira de cinco estrelas com 700 camas, um campo de golfe de 18 buracos, um espaço relvado para a prática desportiva, apoiado por infraestruturas de apoio a estágios desportivos instalados no próprio hotel e em construções existentes que serão recuperadas e adaptadas ao novo uso.

Terá também um percurso pedonal ao longo do Rio Arade e um espaço natural para observação de aves e educação ambiental, que integrará um conjunto de tanques que correspondem à Tapada do Moinho do Valentim e o próprio Moinho do Valentim, que será objeto de intervenção de reabilitação e adaptação a centro de educação ambiental.

De salientar que a implementação deste projeto representa um investimento global de 50 milhões de euros, com a criação de mais de uma centena de postos de trabalho diretos.

Mas quero sublinhar que existem outros investimentos de grande monta perspectivados em todo o nosso concelho, da Serra ao Mar, e que vão surpreender muita gente.

Que esforços têm sido feitos para prevenção dos incêndios florestais?

A autarquia de Silves tem sido pioneira no âmbito da proteção da floresta, desenvolvendo parcerias que facilitam a limpeza das áreas florestais, implementando uma extensa rede de caminhos e de aceiros, para melhoria da segurança da floresta e das pessoas e bens.

Por isso, temos colaborado com o Exército Português, Bombeiros Voluntários, GNR e demais forças policiais, Zoomarine, Corpo Nacional de Escutas, entre outros parceiros.

Temos realizado um importante trabalho de prevenção à ocorrência de incêndios e de sensibilização porta a porta, com os nossos técnicos de Proteção Civil.

Temos igualmente distribuído materiais que explicam procedimentos e temos agido na limpeza de áreas que podem ser problemáticas. Tudo isso fez a diferença no ano passado. E continua a ser feito com um esforço tremendo e importante dos nossos técnicos, que incansavelmente se empenham na informação e na prevenção.

Vikings na Feira Medieval 2019

Segundo revela a autarca Rosa Palma, a edição deste ano da Feira Medieval de Silves traz, de novo, a todo o público, «um evento forte e com uma dinâmica única na região».

Em 2019, «vamos revelar algo que se calhar poucos conhecem: a relação que Silves teve com os Vikings (a quem os muçulmanos chamavam majūs), que ameaçaram o Gharb no século IX», avança a presidente da Câmara Municipal de Silves.

Reza a história que por isso, saiu de Silves (Xilb) uma embaixada liderada por um astuto diplomata e poeta, Yahya b. Ḥakam al-Bakrī, melhor conhecido por Al-Gazalī (a gazela), que ao serviço de Abd al-Rahman II se dirigiu ao norte da Europa, ao encontro dos Vikings, para negociar a paz, que acabou por durar cerca de um século, sendo o relato desta viagem com partida do porto de Silves no ano de 844 a mais antiga fonte escrita relativa a esta que foi uma das mais distintas cidades do Gharb al-Andalus.

Aspeto da Feira Medieval de Silves.

«Contar toda esta história é já uma novidade, mas teremos mais pontos de animação e surpresas no cenário natural da cidade, que é perfeito para a realização deste evento e que contribui para o prestígio que o certame granjeou ao longo destes anos no Algarve, no país e até mesmo na Europa», sublinha ainda Rosa Palma.

Empreendimento na Praia Grande mantém impasse

Rosa Palma mantém a desconfiança em relação ao mega empreendimento previsto, há anos, para a zona da Praia Grande, junto à Lagoa dos Salgados.

«Continuo com a mesma posição. Tanto assim é que neste momento está suspensa a eficácia da licença urbanística emitida para o grosso das obras subjacentes à execução do Plano de Pormenor da Praia Grande», diz.

«Desde a primeira hora que manifestamos a nossa discordância com a concretização desse projeto imobiliário. E a verdade é que até ao momento nada passou do papel. Acresce referir que decorre um processo em Tribunal que poderá colocar em causa o avanço de quaisquer obras. Estamos atentos à situação. Para a Praia Grande, não defendemos mais do mesmo; queremos, sim, uma ocupação mais consentânea com a natureza, fauna e flora, algo que não vislumbramos no atual Plano de Pormenor e no projeto imobiliário que nele está ancorado», conclui a autarca.

«Jazz nas adegas» é aposta de sucesso

Para a autarca Rosa Palma, o evento Jazz nas Adegas é «uma aposta ganha e que tem trazido sobretudo aos produtores dos vinhos de Silves, que atualmente são 11, uma visibilidade que para nós é da maior importância, já que este evento nasce, precisamente, da nossa vontade de dinamizar este sector, garantir-lhe o devido reconhecimento e de criar mais uma oferta enquadrada na nossa marca Vinhos de Silves, para promoção do território e de todas as suas potencialidades.

«Vinho é cultura e associar vinho à arte, à beleza da música e ao património histórico, material e imaterial, aos monumentos e à gastronomia é uma receita de sucesso, como pudemos comprovar nesta edição, a terceira, na qual duplicámos o número de sessões e tivemos, sempre, lotações esgotadas», contabiliza.

«Falando com os produtores e com o 365 Algarve, nosso parceiro nesta iniciativa, percebemos que podíamos trazer mais visitantes às adegas e que conseguíamos dinamizar ainda mais a oferta cultural em época baixa. Julgo que os objetivos foram superados e, uma vez mais, logramos promover a identificação e o reconhecimento da excelência do território de Silves e dos produtos que nele são desenvolvidos. Obriga-nos a perseverar e a procurar melhorar sempre, sem colocar de parte novos projetos e novas oportunidades para o sector dos vinhos de Silves», promete a presidente da Câmara Municipal de Silves.

Rota da Laranja na calha

Embora já fora de época, a autarca Rosa Palma reafirma que «Silves é a Capital da Laranja e, como será óbvio, estão em marcha várias iniciativas. Estamos a preparar tudo o que diz respeito à Rota da laranja. Está em curso, já, a preparação da Mostra Silves Capital da Laranja de 2020, que é importante para dar a conhecer este produto, os produtores e para a realização de negócios e formação especificamente voltada para a citricultura», releva.

Autocaravanas são bem-vindas a Silves

A autarquia de Silves vindo a desenvolver vários esforços no sentido de atrair e acolher estes as autocaravanas, sobretudo através da criação de áreas de serviço de devidamente apetrechadas, diz Rosa Palma.

Além da áreas de serviço de Zona Ribeirinha de Silves, e em São Bartolomeu de Messines, junto ao Parque de Feiras e Mercados, o município está a trabalhar numa outra em São Marcos da Serra.

«Estes turistas são importantes para o Algarve e para Silves, pois realizam despesa, contribuindo para a animação do comércio local e são, sobretudo, pessoas com um espírito de participação muito positivo e muito amáveis. São bons embaixadores da região e do concelho e contamos com eles para que continuem a visitar-nos por longos e bons anos», finaliza a autarca silvense.

Entrevista realizada para o semanário em língua inglesa «Algarve Resident», publicação irmã do «barlavento» no universo do grupo Open Media.