Curso de cinema do Shortcutz Faro é mote para a cidade «pensar em conjunto»

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O conceito Shortcutz Faro pertence a um movimento internacional que apoia e divulga curtas-metragens na capital algarvia desde 2014, onde chegou quatro anos depois da sua fundação.
A  falta de adesão da comunidade académica, contudo, e em contraponto que o que se passava em Lisboa, obrigou Diogo Simão, 25 anos, produtor do Shortcutz Faro, a pensar e criar um novo desafio para outro público.
Nasceu assim o Shortcutz Faro Week, «um concurso exclusivamente dedicado aos alunos das escolas secundárias de Faro e Loulé, no qual, o desafio é a criação de uma curta-metragem no espaço de semana». Desta vez, a adesão foi enorme, e o bichinho ficou nos jovens participantes. Por isso, o concurso dá agora lugar a um curso cinematográfico, a realizar nos dias 27 e 28 de abril, no Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), em Faro.
O objetivo deste curso é «abordar de forma ​no bullshit todos os aspectos da criação cinematográfica, desde a escrita de guiões, passando pela produção, fotografia, som, trabalho de ator e edição», sem ser «excessivamente teórico, e oferecendo conteúdos práticos com valor».
As expetativas de sucesso são altas, depois de um Shortcutz Faro Week com mais de 214 jovens inscritos «que entregaram 32 curtas-metragens». E a qualidade das mesmas, a julgar pela crítica, é alta.  «Alguns dos filmes já andam a circular pelo país e tiveram destaque televisivo aquando da Mostra de Cinema Social de Loulé, no início de 2019. O entusiasmo e qualidade de trabalho dos participantes levou-nos à criação deste curso, onde queremos partilhar as nossas experiências com eles», contou ao «barlavento» o jovem produtor de Faro, Diogo Simão.

Fotografia: Shortcutz Faro

Esta formação será leccionada pela equipa do Shortcutz Faro, com uma experiência que abrange centenas de sets, em produções nacionais e internacionais de todos os tipos.
Definem-se como​ «uma equipa homógenea, com zero interesse em fazer ego trips e toda a paixão do mundo para partilhar aquilo que aprendemos ao fazer o que mais gostamos».
Simão apresentou este coletivo «pequeno mas coeso» ao «barlavento», afirmando que «já passámos por muito juntos, e por isso trabalhamos melhor em conjunto que qualquer aglomerado de formadores que não se conhecem».
A equipa alinha Carlos Costa, estudante universitário que conta já com «um currículo e qualidade de trabalho tão incríveis que o consideramos um verdadeiro profissional», encarregue da formação na pós-produção; Ana Monteiro e Jorge Mestre Simão, com percursos «muito diferentes mas que se complementam», percorridos internacionalmente, e aqui responsáveis pela formação de imagem e som; Ana Beatriz Lopes, que «já foi protagonista em várias curtas-metragens e peças de teatro», e agora dará as suas explicações sobre o trabalho de/com atores, numa série de conteúdos preparados em conjunto com a atriz Letícia Lourenço (que, por razões alheias à organização, não poderá estar presente); e o próprio Diogo Simão, que é o responsável por leccionar a formação relativa à produção e escrita de argumento.
Fotografia: Shortcutz Faro

A chegada até à criação desta iniciativa foi, no entanto, turbulenta.
O Shortcutz, enquanto festival, não conseguiu penetrar na comunidade académica algarvia.
Depois, «os locais onde fazíamos as nossas exibições não tinham condições para se experienciar cinema», lamenta Diogo Simão, apensando que «durante quatro anos, este modelo pro bono não deu grandes resultados em termos de público, demonstrando que tínhamos de nos adaptar ou desistir».
No entanto «havia, e ainda há, uma vaga de talento e vontade no Algarve para fazer cinema», e por isso o jovem não atirou a toalha ao chão.
Nos seus tempos de festival, o Shortcutz contou com os apoios, em diferentes alturas, de siglas como a Tertúlia Algarvia, o Cineclube de Faro, a RUA FM, entre outros.
Depois, para o concurso Shortcutz Week, «felizmente tivemos muitos mais», nomeadamente «dos municípios participantes e do IPdJ, para além de imensas empresas que adoraram o projeto e perceberam o seu potencial para catapultar a nossa juventude para o próximo nível em termos produtivos, críticos, emocionais e criativos».
A todos eles, Diogo Simão endereça «um imenso obrigado», mas existem lacunas nesta lista que «não são compreensíveis» para o jovem produtor.

Reptos à Universidade do Algarve e à cidade

Enaltecendo a ETIC_Algarve por ter sido «um dos nossos valiosos parceiros no Shortcutz Week e por possuir uma filosofia virada para potenciar novos talentos», o amante da sétima arte crítica a falta de opções para «expandir este interesse nos audiovisuais na região, a um nível profissional».
Ao «barlavento», Diogo Simão revela que a sua equipa tentou por várias vezes «criar parcerias com a Universidade do Algarve (UAlg), para levar os seus alunos e docentes às sessões e vice-versa».
Acrescentou que «homenageámos o professor Vítor Reia, atribuindo o seu nome ao nosso prémio de Melhor Argumento, e endereçámos vários convites à comunidade académica».
O resultado?
O jovem é taxativo: «nunca tivemos um único docente da academia nos nossos eventos».
Simão estranha, pois a equipa do Shortcutz Faro possui «dos poucos alumni da instituição que conseguiram algum tipo de distinção, nacional e internacional, ao nível do audiovisual».
Ainda assim, o produtor deixa um repto: «temos todo o interesse em que o ensino na UAlg melhore. Mas para podermos ajudar, têm de nos deixar entrar».
Para este jovem apaixonado por cinema, Faro tem «todos os ingredientes para se tornar numa cidade de destaque cultural até no panorama europeu».
No entanto, falta «compromisso para com uma estratégia de desenvolvimento e envolvimento cultural que não se quebre de quatro em quatro anos».
E reforça. «O Shortcutz Week é uma prova de que aqui existe matéria prima, vontade e meios. Agora temos de pensar em conjunto em vez de voltarmos as costas uns aos outros».
Agora, os amantes do cinema na sua vertente mais prática têm uma oportunidade de aprender com um grupo de jovens «motivados e cheios de qualidade».
Os que participaram no Shortcutz Week, entregaram a sua curta-metragem e ficaram até ao final da cerimónia de encerramento, receberam vales de entrada direta no curso, sem custos. Para todos os outros, existe um custo associado de 20 euros.
O número de lugares é limitado, por isso a organização apela à pré-inscrição, que pode ser feita aqui. Mais informações podem ser obtidas na página de Facebook ou no Instagram, onde a equipa levará a cabo algumas ofertas temáticas.