COVID-19: verão no Algarve foi «positivo» mas agora é preciso «cautela»

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Situação epidemiológica do Algarve foi hoje descrita como «controlada» e «confortável» durante a conferência regional da Proteção Civil, em Loulé. Início do ano letivo domina as preocupações, assim como a decisão do Reino Unido em voltar a retirar Portugal da lista de países seguros da COVID-19.

Totalizam-se no Algarve 284 casos ativos de COVID-19 e 641 cidadãos em vigilância ativa. Seis doentes estão internados, sendo que dois estão em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI) e um em ventilação. O número de óbitos aumentou para 20. Estes foram os números que Ana Cristina Guerreiro, delegada de saúde regional, apresentou na conferência de imprensa para ponto de situação sobre a pandemia do novo Coronavírus, na manhã de hoje, segunda-feira, dia 14 de setembro.

Em relação ao aumento do número de casos nas últimas semanas, à semelhança do contexto nacional, a delegada afirmou que, «temos uma situação confortável dadas as circunstâncias: muita gente na região, muita mobilidade, muitas atividades e reencontros familiares. Estes são os fatores que contribuem para este aumento dos número».

Ana Cristina Guerreiro.

Apesar de ter revelado que o maior surto existente no Algarve, neste momento, é o relacionado com a equipa de futebol sénior do Loutetano Desportos Clube, Guerreiro confirmou que existe também um caso positivo numa equipa Sub-16 do Portimonense.

«Foram suspensas as atividade da equipa onde o jovem estava inserido e tendo em consideração a proximidade do início do ano escolar, todos foram colocados em isolamento até resultado dos testes. Para já, só os colegas de equipa e os contactos diretos do jovem que testou positivo, estão a ser testados», sendo que ainda não se conhecem os resultados.

Paulo Morgado, presidente do conselho diretivo da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve deu nota dos números relacionados com os profissionais de saúde.

«Há cinco infetados do Serviço Nacional de Saúde [SNS] e dois de entidades privadas. Nenhum está internado e no total temos 28 recuperados».

Quanto à capacitação do SNS, de acordo com o presidente, até ao momento a ARS Algarve já contratou 189 profissionais, sendo que se encontram ainda abertos concursos para a contratação de 35 médicos especialistas em Medicina Geral e Familiar para centros de saúde e 42 vagas para «muitas especialidades nas unidades hospitalares». Morgado acrescentou ainda que mais concursos serão abertos para breve.

A vacinação da gripe foi outra das temáticas abordadas, onde o presidente da ARS Algarve revelou que o processo está «prestes a iniciar e irá prolongar-se até ao mês de dezembro. Este processo de vacinação tem especial importância porque será também um teste para a vacinação COVID-19, que acontecerá, muito provavelmente, no início do próximo ano. Isto se tudo correr bem com as vacinas que estão em estudo. Portugal vai ter mais vacinas de gripe do que no ano passado. O país irá vacinar cerca de dois milhões de pessoas contra a gripe, mas contra a COVID-19 estimam-se, pelo menos, que sete milhões de pessoas possam ser vacinadas».

Por fim, Paulo Morgado foi também questionado pelos jornalistas sobre a possibilidade da região algarvia não abranger medidas tão restritas com o plano de contingência, ou poder ser alvo de um regime de exceção. A resposta foi clara. «Penso que não. A prudência manda que esta situação seja aplicada a nível nacional e não com regime excecional no Algarve, mas é a minha opinião pessoal».

É preciso «cautela» com início das aulas

Para José Apolinário, secretário de Estado das Pescas e Coordenador da região do Algarve da execução da Declaração da Situação de Alerta, o retorno às atividades letivas tem agora de ser feito com precaução.

«Quero sublinhar o trabalho que as autarquias têm desenvolvido em conjunto com a ARS, com as escolas e com a Proteção Civil. Deixo a mensagem no sentido de reforçar a precaução e fazer dois apelos. O primeiro, aos proprietários, funcionários e colaboradores de estabelecimentos junto a escolas. Há medidas específicas que significam um maior cuidado em relação a estes estabelecimentos. Quero lançar esse apelo de colaboração ativa dos proprietários e funcionários. O segundo, pedir a especial colaboração dos diretores dos agrupamentos e das famílias dos alunos, em articulação com os municípios, com a saúde e com a educação, porque é necessário reforçar a preocupação e iniciar o ano letivo com segurança e confiança».

Segundo António Miguel Pina, presidente da Comissão Distrital da Proteção Civil, o «verão foi amplamente positivo do ponto de vista epidemiológico».

No entanto, com o início do ano letivo, Pina disse que haverá um aumento de casos, mas pediu para que «não se perca a consciência coletiva e não se entre num processo de auto-flagelação ou histeria coletiva porque é normal».

Na opinião do também edil olhanense, «felizmente, hoje conhece-se mais a doença do que quando ela começou. Há teorias ainda por validar de que o vírus estará mais fraco, que se comprovam pelo número de internamentos e de mortalidade baixa. Vamos ter de voltar ao trabalho e vamos ter de saber conviver com a COVID-19 com calma. A saúde já demonstrou que está bem preparada, muito afinada. Temos de saber viver e voltar à nossa vida com a consciência de que todos temos de garantir as regras aconselhadas e nalguns casos impostas».

José Apolinário.

Também para Ana Cristina Guerreiro, «numa apreciação inicial e de alguma forma grosseira, consideramos que o verão correu da melhor maneira possível. Tivemos a região com muita gente, economicamente houve movimentação e os nossos casos estiveram bastante controlados. Ou seja, não disparámos em número de casos em relação às outras regiões. Pelo contrário, até conseguimos em determinados momentos ter indicadores melhores do que noutras regiões. Consideramos que o balanço foi positivo».

Paulo Morgado quis mesmo acrescentar que «o índice de transmissibilidade (RT) na comunidade é de 1,07 no Algarve, um dos mais baixos de todas as regiões do continente. Alguns poderiam esperar que tivesse subido muito e que graças ao turismo tivéssemos um aumento muito significativo do RT e isso não se verificou. Apesar de todos os turistas que tivemos e ainda estamos a ter, apesar de estarmos numa fase crescente a nível europeu e nacional, no Algarve a situação está controlada e contida, com um RT que embora seja acima de um, tranquiliza-nos de certa forma em relação aquilo que foi o ano turístico».

Ainda antes de terminar, José Apolinário deixou uma mensagem a todos os turistas nacionais e não nacionais. «Foi possível ter um verão em segurança no Algarve. Esta é uma região segura e é justo lançar aqui um obrigado aos veraneantes que escolheram esta região» para passar férias.

«É mais seguro estar no Algarve do que em Londres» diz Pina

Questionado pelos jornalistas sobre a nova decisão do governo britânico em retirar Portugal da lista de países seguros para viajar, António Pina foi preponderante: «continuamos a afirmar que é muito mais seguro estar no Algarve do que em Londres».

O presidente da AMAL revelou até que foram apresentadas alternativas ao Reino Unido, de forma a que colocassem o Algarve num regime especial, à semelhança da Madeira e dos Açores.

António Miguel Pina.

«Insistimos com a diplomacia para que se considerasse essa hipótese, mas a diplomacia do Reino Unido não aceitou. Foi tentado e foi proposto por nós e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, até com o apoio do Primeiro-Ministro. O mesmo não foi aceite» pelos britânicos. Resta agora, na sua opinião, a esperança. «Com certeza que ainda assim, com estas novas medidas de contingência, esperamos que a situação dentro de um mês ou 15 dias possa estar mais regularizada e ainda a tempo da Fórmula 1. Só a esperança é que nos move».

Centros de saúde são preocupação para a ARS Algarve

Paulo Morgado falou também acerca dos centros de saúde e das contrariedades que existem na tentativa de marcar uma consulta.

«É uma preocupação nossa, porque há um filtro nos acessos que é para muitos considerado apertado. No entanto, comparativamente com a situação do resto do país, no Algarve temos vindo a aumentar o número de consultas presenciais. Neste momento, o Algarve é a única região do país onde o número de consultas presenciais supera as não presenciais, como as telefónicas. Temos vindo a trabalhar com os centros de saúde e com as unidades funcionais no sentido de alargar a malha e poder dar acesso mais fácil aquilo que são as consultas presenciais. Obviamente que isto é um trabalho em contínuo, mas é uma preocupação nossa e estamos a trabalhar no sentido de melhorar essa questão que reconhecemos que é um problema», referiu.

Paulo Morgado.

Olhão investe mais de 300 mil euros nas escolas

António Pina foi ainda questionado pelos jornalistas sobre as dificuldades que os agrupamentos de escolas estão a sentir em véspera de abertura de portas. Pina deu o exemplo do concelho de Olhão, que preside.

«O ano letivo foi preparado até com o Conselho Municipal de Educação. A nossa autarquia, como a maioria das autarquias na região, tem à sua responsabilidade as escolas e os profissionais não docentes. Aquilo que foi solicitado na estratégia comum de alargamento de horários e aumento de higienizações, levará à necessidade de contratação de mais pessoal. Estimamos que este ano letivo, a autarquia de Olhão gastará mais de 300 mil euros na contratação de mais funcionários. É significativo. As estratégias dependem um pouco de agrupamento para agrupamento, mas aquilo que têm solicitado, as autarquias têm estado disponíveis».