Covid-19: Marcelo admite que pandemia afetou prevenção dos incêndios

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Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, admitiu ontem em Loulé que a pandemia afetou a prevenção dos incêndios, tornando as condições de combate «difíceis», sobretudo por se tratar de um verão muito quente.

«Quanto à prevenção, ela sofreu, há que dizer, de facto, sofreu com a pandemia. Os meses que eram meses cruciais da transição da primavera para o verão foram meses acabados por não existir», disse aos jornalistas durante uma visita ao lar de idosos da Santa Casa da Misericórdia de Boliqueime, em Loulé, ontem, domingo, dia 26 de julho.

O facto de as pessoas não poderem sair, devido ao confinamento, ou estarem muito limitadas entre março e junho, acabou por ser «uma limitação, que obriga agora que o combate seja um combate, esperemos que à altura do que tem sido, mas em condições difíceis», acrescentou.

«Até agora o que se pode dizer é que, na generalidade dos casos, houve capacidade de resposta, sobretudo nos grandes casos, nos grandes fogos», notou, lamentando o «azar» da morte de dois bombeiros no terreno, um num acidente de viação e outro devido a um ataque cardíaco.

No lar de idosos que o Presidente da República visitou registou-se um foco de COVID-19 em abril, com cerca de 40 utentes e funcionários infetados, até agora, o maior surto verificado em lares na região, que provocou cinco mortes entre os utentes.

Marcelo Rebelo de Sousa foi recebido com aplausos e palavras de apoio na instituição e até recebeu uma imagem do santo padroeiro de Boliqueime, São Sebastião, benzida pelo pároco local.

O chefe de Estado afirmou ainda respeitar a decisão do Parlamento de pôr fim aos debates quinzenais com o primeiro-Ministro António Costa, frisando que a Assembleia da República é livre de definir a sua forma de funcionar.

«O Presidente da República não se pronuncia sobre a forma de funcionamento do parlamento. O parlamento é livre de definir. Ainda por cima, não vai ao Presidente, é um regimento interno que define como é que funciona e isso eu respeito», disse, instado pelos jornalistas a pronunciar-se sobre o fim dos debates quinzenais.

Dizendo que apenas pode falar por si, antes de um jantar de trabalho com autarcas em Querença, Loulé, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que quando foi candidato presidencial discutiu «com todos os candidatos presidenciais» e que fará o mesmo caso venha a recandidatar-se.

«Se vier a ser candidato presidencial, uma coisa que não pensarei nisso antes de novembro, obviamente discutirei com todos os candidatos presidenciais», frisou.

Perante a insistência dos jornalistas sobre o facto de o primeiro-Ministro passar, agora, a ir apenas ao parlamento a cada dois meses, Marcelo Rebelo de Sousa reiterou não poder acrescentar mais nada, pois tudo o resto seria imiscuir-se na «vida interna» da Assembleia da República.

«Não cabe ao Presidente estar a fazer essas apreciações, nem sobre o parlamento, nem sobre os líderes partidários. Os líderes partidários certamente quando decidem certas coisas, tem a exata noção das reações que suscitam nos portugueses, mas isso só eles que são os juízes da bondade ou menos bondade dos seus atos», concluiu.

Esta é a terceira visita do chefe de Estado ao Algarve este mês, depois de já ter passado por Vila Real de Santo António e Lagos.