Clube de Natação de Lagos afirma-se pela dedicação de pais e atletas

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Com 38 nadadores, acumula pódios em todas as competições e categorias.

O Clube de Natação de Lagos tem o dia 6 de julho de 2012 como data de nascimento. Porém, ao consultar a edição 275 do jornal «Correio de Lagos», de novembro desse ano, constatamos que conquistou 13 primeiros lugares na sua primeira participação em provas oficiais, em Quarteira, no primeiro dia de outubro. E que, logo de seguida, foi arrebatar oito vitórias, em Tavira.

Não nos pareceu normal tal façanha, até nos ser dito que, afinal, esta associação fora formada pelos pais dos nadadores, após a queda do Clube de Trabalhadores da Câmara de Lagos, com a saída simultânea do presidente e do treinador, quando deixou de haver subsídios, devido à crise. João Sequeira assumiu a presidência do novo clube.

A autarquia cede graciosamente a piscina de 25 metros localizada no Complexo Desportivo Municipal gerido pela Lagos em Forma e paga a quota de filiação na Federação e as inscrições dos atletas nas competições, excetuando os seniores, segundo a vice-presidente do clube, desde finais de 2018, a setubalense Andreia Mália, radicada em Lagos e com dois filhos nadadores.

Andreia Mália e João Sequeira, dirigentes do Clube de Natação de Lagos.

Sobre as condições de treino, diz que «a piscina serve bem para as provas regionais, mas necessitamos, por vezes, de treinar em piscina de 50 metros, para as competições de nível nacional. Temos de deslocar-nos a Loulé, com o clube a pagar o aluguer das instalações e os pais a levar os filhos nos seus carros. Dava-nos jeito ter, pelo menos, duas pistas de 50 metros em Lagos, como existem em Quarteira e Vila Real de Santo António. A falta desse equipamento condiciona muito os resultados nas provas nacionais, embora tenhamos um excelente palmarés regional».

O Clube de Natação de Lagos tem 38 atletas, divididos por todas as categorias. E acumula pódios em todas as competições e em todas as categorias, com destaque para Rodrigo Santos, cadete A, o melhor algarvio no seu escalão.

Para estes resultados contribuem dois treinadores, Marco Matos nas duas classes mais jovens e Rui Capelo, que está na sua quinta época e nos disse que «desejamos ter o triplo dos atletas, pois os nadadores possuem muito boa vontade, mas são poucos. Infelizmente, não estão ainda criadas as condições para termos um aporte de atletas e conseguirmos que os miúdos venham muito rapidamente para a competição».

Segundo este treinador, era necessário, entre outras coisas, que a Lagos em Forma, a sua fonte de jovens com capacidades para a competição, lhes conseguisse «dar mais miúdos, para poderem evoluir».

Questionado sobre se não poderiam fazer captações através das férias desportivas, diz que quando participam nesse tipo de programas de tempos livres, «praticamente não sabem nada; nem adaptados ao meio aquático estão. Estamos a pensar usar esse meio para captação de atletas, mas vai ser muito difícil, porque os miúdos, nas férias desportivas, não aprendem a nadar. Apenas andam aqui a brincar na água, durante pouco tempo. Teremos mesmo de captar os miúdos através da Lagos em Forma».

A piscina é partilhada com outras entidades e outras atividades, mas o clube consegue gerir a sua parte, aumentando a intensidade dos treinos para compensar o tempo reduzido, uma vez que não tem possibilidade de usar todas as pistas.

Os atletas treinam habitualmente de segunda a sábado, à tarde, duas horas e meia. Segundo Rui Capelo, «estamos a treinar com aulas de hidroginástica em simultâneo. Como deve calcular, é muito difícil trabalhar com música forte, os atletas não se conseguem ouvir. E temos aulas da Lagos em Forma, de aprendizagem e manutenção, em simultâneo. Isto limita muito o nosso trabalho. Mas temos sempre três pistas, o que já não é nada mau. Não me posso queixar muito».

Em casos extremos, os treinadores conseguem colocar 30 atletas em simultâneo na piscina, «mas isso só acontece na sobreposição de classes, por pouco tempo. Temos períodos com seis ou sete atletas por pista, o que é uma situação fantástica».

O projeto do treinador Rui Capelo passa pela evolução de todos os atletas do Clube de Natação de Lagos, maximizando o seu potencial, chegar aos campeonatos nacionais e tentar obter os melhores resultados possíveis.

«O meu sonho seria colocar todos os atletas do clube nos campeonatos nacionais», afirma com muita convicção.

Não difere muito do que pretende Andreia Mália, vice-presidente e mãe, porque os campeonatos nacionais saem caros ao clube e aos pais (o último foi em Coimbra e o próximo na Madeira) e os patrocínios não abundam.

«O presidente Osvaldo Santos anda a labutar imenso para conseguir novos apoios financeiros, conseguimos há pouco duas boas nadadoras de Portimão que também trouxeram o patrocínio da Escola Profissional Gil Eanes, da mesma cidade. Mas não chega. Lagos não tem tradições na natação e tudo passa por aí. É necessário incutir o gosto pela modalidade, para captar atletas. E não há nada melhor do que a competição para atrair as pessoas. A autarquia parece estar recetiva a receber algumas competições regionais, que são praticadas em piscinas de 25 metros. Seria uma pedrada no charco na natação lacobrigense», considera. São os sonhos de um pequeno grande clube, sedento de realizá-los.

Alguns resultados recentes mostram bem a dinâmica do Clube de Natação de Lagos. Tem conseguido estar sempre representado nas zonais, ou seja, provas nacionais divididas em zonas norte e sul. E também nos campeonatos nacionais.

Individualmente, nas competições regionais, têm conseguido medalhas nas provas de verão, inverno e nadador completo, com Vasco Santos, Rafael Matias, Duarte Sequeira, Tomás Barata e a recém-chegada Ana Mendes a conseguir boas marcas.
Rodrigo Santos ficou em 1º lugar, nadador completo, em cadetes A; a Leonor Costa fez o mesmo brilharete em cadetes B. Entre outros, destacam-se ainda César Pereira, Georgi Zelengorov e Lara Matias.