Centro de testes à COVID-19 do Algarve arranca com 300 análises por dia

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Equipamento montado junto ao Estádio Algarve, no Parque das Cidades, entre Faro e Loulé, já está a funcionar. Ideia é que os doentes suspeitos, depois de referenciados pelos médicos, possam fazer testes à COVID-19 sem sair do carro, evitando contacto social e minimizando assim o risco de propagação do novo Coronavírus.

É uma resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que começa hoje a operar. Envolve uma equipa de 60 pessoas a trabalhar por turnos, e para já, estará em funcionamento durante 12 horas por dia, sete dias por semana.

O equipamento foi apresentado esta tarde aos jornalistas, numa conferência de imprensa junto ao Estádo Algarve, onde estão montadas as duas tendas necessárias à recolha de amostras para os testes à COVID-19.

Paulo Morgado (ao centro), presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve.

Segundo explicou aos jornalistas Paulo Morgado, presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Algarve, o centro está num local estratégico, junto ao Laboratório Regional de Saúde Pública Dr.ª Laura Ayres, onde serão feitas as análises.

«Serão testados aqui os cidadãos enviados pelos hospitais da região, sobretudo o hospital de Faro e os que são referenciados pela linha de apoio ao médico. Também as nossas autoridades de saúde da região podem enviar doentes para aqui serem testados. Estamos a falar de doentes que não estão internados no hospital, nem são casos graves», explicou.

Nuno Marques, presidente do Centro Académico de Investigação e Formação Biomédica do Algarve (ABC), instituição que em parceria com as entidades públicas, operacionalizou o novo drive-in de despiste ao Coronavírus, enumerou as vantagens.

«As pessoas que aqui vierem, não têm contacto com mais ninguém, vêm no seu carro, e no final seguem para casa. Assim, estamos a descongestionar os hospitais e por outro lado, conseguimos diminuir o risco de contágio de terceiros» através do contacto social, sobretudo numa altura em que se prevê um cenário de sobrecarga.

À chegada, um médico fará a verificação de que o doente suspeito está devidamente inserido no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE). A seguir, o processo continua numa segunda tenda onde é feita a colheita de material para análise.

Alguém que não esteja referenciado não vale a pena tentar aceder ao centro, até porque há um ponto de controlo da GNR.

«As regras são estas nesta fase porque não poderia ser de outra forma. Todos os outros centros do país, sobretudo no norte, estão a funcionar assim. Só fazem testes aos doentes referenciados pelos médicos. E não por vontade espontânea das pessoas. Só faz sentido fazer testes quando há sintomas. Este é um teste rigoroso, é o único que está aprovado pela Organização Mundial de Saúde e é o único que estamos fazer em Portugal. Mas este teste, de facto, só deteta o vírus quando a pessoa tem a doença», justificou o responsável da ARS.

Para já, «vai funcionar entre as 9 e as 21 horas todos os dias, nesta primeira fase, embora, caso seja necessário, está preparado para operar 24 horas por dia», prevê Paulo Morgado.

«Estamos a escalar a capacidade. Neste momento, podemos ir até aos 300 testes por dia, mas já estamos com um plano para aumentar esta capacidade com o apoio de várias instituições privadas e da Universidade do Algarve para ver se aumentamos a capacidade de testar os nossos doentes» acrescentou.

O funcionamento é assegurado por uma equipa de 60 pessoas, a trabalhar por turnos, na maioria profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), reforçados por outros contratados pela ARS do Algarve. Todos têm treino para esta tarefa.

«Os resultados das análises serão posteriormente enviadas para os médicos que as subscreveram. O resultado demora entre cinco a seis horas, desde que a amostra dá entrada em laboratório até ao término do processo. Isto se tudo correr bem, porque por vezes o resultado é inconclusivo e é necessário repetir o despiste», estimou o presidente da ARS Algarve.

«À partida garantimos um resultado em oito horas», precisou.

Os utentes do Barlavento, «podem vir aqui, se assim o entenderem. Primeiro queremos testar este centro e se correr bem, ponderamos abrir um novo» no outro lado do Algarve, embora estejam a ser feitas colheitas em Portimão.

Em boa verdade, no Algarve, os testes à COVID-19 começaram no dia 10 de março e desde então já foram realizadas três centenas «com muito poucos resultados positivos».

Em relação ao evoluir da curva epidemiológica no Algarve, Paulo Morgado, acredita que o atual cenário favorável poderá mudar.

«Estamos a ter relativamente poucos casos por dia, mas o futuro, inevitavelmente, irá trazer-nos mais casos e temos de estar preparados para isso. Mas as medidas que estamos a tomar, não apenas para conter as poucas cadeias de transmissão na região e as medidas que foram tomadas ao nível nacional, porque a doença só se transmite no contacto social, próximo de pessoa a pessoa. Se forem diminuídos os contactos sociais, mesmo uma pessoa positiva, tem dificuldade em passar a doença a outra. O distanciamento social é a medida mais importante. Agora, o vírus vai circular durante muitos meses».

Questionado sobre o que fazer no caso de a pandemia chegar a lares de terceira idade da região, à semelhança do que está a acontecer no norte do país, «em princípio, será o INEM a fazer no domicílio. Não vamos deslocar os idosos sem necessidade disso», explicou ainda Paulo Morgado.

Nuno Marques fez questão de mostrar aos jornalistas que foi pensado todo um protocolo para reduzir ao mínimo possível o risco quer para utentes, quer para profissionais de saúde.

O calçado será esterelizado no CHUA em Faro

No caso dos utentes, «as pessoas não podem abrir o vidro do carro. À chegada mostram a identificação ao médico que terá acesso ao SINAVE e de imediato, após a confirmação, são mandadas seguir para a outra tenda, sem qualquer contacto» físico.

Na segunda tenda, uma equipa de médicos e enfermeiros especialmente treinados para esta tarefa, farão o processo «de forma muito segura». É apenas durante este breve momento de recolha da amostra que o vidro do carro pode abrir.

«As amostras são acondicionadas dentro de um frigorífico para o efeito. Um coordenador, dentro de um intervalo de tempo definido» irá entregá-las ao laboratório, numa carrinha destinada a este fim, detalhou.

No interior do Estádio Algarve, há um perímetro definido no balneários com zonas vermelhas, duches e roupas descartáveis, onde a equipa clínica pode fazer uma desinfeção rigorosa no final de cada turno.

A apresentação contou também com a presença de Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé e Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro.