Cafezique é o novo restaurante com enoteca de todo o país em Loulé

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Cafezique abriu portas a 17 de janeiro e caracteriza-se por ser uma cozinha de autor para partilhar à mesa. Vinhos nacionais, incluindo das regiões autónomas e um serviço de atendimento personalizado são as apostas da casa.

A primeira porta da Rua das Bicas Velhas, em Loulé, tem o mais recente espaço da cidade que é muito mais que apenas um restaurante.

O Cafezique tem capacidade para 45 pessoas, esplanada ao ar livre com serviço de bar e um rooftop que permite ter uma vista para as três principais igrejas da cidade.

O conceito começou a ser planeado em 2019 pelos proprietários Filipe e Sara Vilela, que se juntaram a João Valadas, escanção do antigo restaurante reconhecido São Gabriel, em Almancil e a Leandro Araújo, que durante sete anos exerceu o cargo de subchef do espaço almancilense e que agora assume as rédeas da cozinha.

«O nosso conceito são os pratos pequenos para partilha. Queremos que as pessoas desfrutem da comida e do vinho. A isso juntamos um serviço de excelência. Não estamos a falar de tapas. Podemos chamar de petiscos com uma melhor apresentação e uma melhor confecção. São petiscos gourmet. Digo que são sabores portugueses com um toque, para degustação», detalha.

Assim, «vem o primeiro prato e só quando as pessoas terminarem é que levamos o segundo para a mesa. A ideia é que possam desfrutar de cada um» explica ao barlavento o chef.

A proprietária acrescenta que «juntamos um preço acessível, a um ambiente informal, boa comida e bom vinho. Queremos que esta oferta atraia as pessoas da costa para o interior, porque cada vez mais o interesse cultural por estas zonas sobrepõe-se ao sol e mar. O panorama está a mudar e queremos marcar pela diferença, pela qualidade e pelo detalhe».

A equipa do Cafezique.

No Cafezique, os pormenores começam mesmo antes do cliente entrar no espaço. A porta está sempre fechada e é o próprio João Valadas que está encarregue de a abrir. Posto isto, «dou as boas-vindas e encaminho as pessoas à mesa. Começo por perguntar se desejam algum aperitivo e se querem água na mesa. A Sara e outro colega entram com o menu e eu com a carta dos vinhos. É nesse momento que explicamos o conceito do chef, que cada prato dá para duas pessoas e sugerimos sempre quatro a cinco por mesa. Por fim, ajudo a combinar o que escolheram com o vinho que melhor se adequa e consoante os gostos pessoais», detalha.

Quanto ao menu, há 13 opções à escolha, sendo que não existe prato do dia.

«Temos cavala alimada com um molho verde e com batata fumada e xerém que leva o peixe cantarilho, raramente utilizado em restaurantes e até um pouco esquecido. A ideia é pegar em produtos tradicionais, dar-lhes a volta e juntá-los a outros que estão mais esquecidos».

«Vamos fazer pratos mais leves e frescos», promete.

Às receitas de Araújo junta-se a enoteca, à responsabilidade de João Valadas, que possui castas de 14 regiões portuguesas.

Por exemplo, «servimos um prato com porco Bísaro e no Algarve somos o único a utilizá-lo. O meu prato preferido é o kibbeh de borrego, hortelã pimenta e kefir. É uma receita libanesa da minha avó, que se compara a uma espécie de almôndegas. Por fim, nas sobremesas temos, por exemplo, um ganache com chocolate muito intenso, com espuma de alcagoitas e caramelo de café. Tudo com produtos de alta qualidade. Até o pão e a manteiga são feitos cá», descreve o chef, que já faz planos para alterar todo o menu para a próxima estação. «Vamos fazer pratos mais leves e frescos».

«O próprio chef tem pratos e sabores com origem em vários locais, pensei em inserir na carta de vinhos todo o nosso país. Não conheço nenhum restaurante que tenha um pouco de tudo como nós temos. Decidi criar uma carta nesse sentido», conta João.

Assim, no Cafezique há rosés, espumantes, brancos, tintos, champanhes, colheitas tardias, generosos e fortificados. Segundo o escanção, «estamos a falar de uma média gama, a rondar os 15 euros. Depois temos quatro alta gama brancos, quatro alta gama tintos e champanhe. O meu objetivo é promover todo o país e escolhi todas as opções a dedo».

Talvez por isso, o especialista não consiga determinar o seu predileto. «Gosto de todos», ressalva.

Outra particularidade que o espaço possui, é a preocupação com o meio ambiente.

«Faz parte do projeto sermos sustentáveis e com o menor desperdício possível», justifica o chef. Motivo que leva a que não exista plástico no restaurante. As palhinhas são reutilizáveis e a água é servida em garrafas de vidro, com marca Cafezique, de tara retornável.

Leandro Araújo, Sara Vilela e João Valadas.

Destaque ainda para a decoração rústica, a cargo de um arquiteto da Quinta do Lago, com candeeiros feitos por medida e com toda a equipa a usar aventais com um padrão a combinar com as cores envolventes. Isto com um propósito: «as fardas são iguais. Apenas muda a cor das camisas porque os cozinheiros também andam nas salas a servir. A ideia não é estarmos fechados na cozinha. Aqui vamos à mesa, convivemos com os clientes e explicamos os pratos. Foi tudo pensado ao pormenor», refere Araújo.

Quanto aos preços, Valadas faz uma média: «se sugerirmos quatro ou cinco pratos, se consumir uma garrafa de vinho, uma água e dois cafés, fica cerca de 30 euros por pessoa. Para o tipo de serviço que temos e para a qualidade que servimos, não é acima da média».

O Cafezique está aberto de terça a sábado. Nos dias de semana, o serviço de bar estará disponível das 16h00 às 18h00, quando o clima o permitir, sendo que os jantares têm início às 19h00. Ao sábado, além de jantar, há ainda almoço, das 13h00 às 15h00.