Bienal Ibérica foi «sinónimo de sustentabilidade» em Loulé

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Marrocos foi o país convidado do evento que mostrou concertos, dança e artesanato ao vivo, oriundos do norte de África, de 11 a 13 de outubro.

Depois de passar por Lisboa, Guimarães, Coimbra e Amarante, Loulé foi a cidade escolhida para acolher a Feira Bienal Ibérica de Património Cultural, que tem como objetivo promover, valorizar e dar visibilidade ao sector cultural.

Vítor Aleixo, presidente da Câmara Municipal de Loulé, inaugurou o certame «com imenso respeito e uma enorme paixão pelo património cultural desta terra. Abro as portas da cidade e da região a este grande evento que promove o património como motor do desenvolvimento social, cultural e económico dos territórios, mas também educacional e para a paz. O património cultural é também uma forte ferramenta de educação para a paz, do entendimento entre as pessoas, a compreensão mútua e o entendimento», discursou.

O autarca louletano aproveitou a ocasião para relembrar que durante o ano letivo anterior, cerca de um milhar de crianças do primeiro ciclo participaram num projeto denominado «Empreita-te». Um projeto, que de certa maneira serviu de mote à temática da mostra, ou seja, a sustentabilidade.

«Nestes três dias podemos ver o resultado desse processo, os trabalhos das crianças. Percorremos todo o concelho para recolher histórias de sítios e de pessoas para dar vida a esta Bienal. Por isso, esta feira é de todos os louletanos e de todos as que amam o património cultural. É nisto que acreditamos e por isso escolhemos a sustentabilidade como tema, porque só assim teremos oportunidade de legar um território para o futuro e para as gerações que nos seguirão», acrescentou.

Em relação à parceria deste ano com Marrocos, o autarca assegurou que «Loulé e os algarvios em geral têm um sentimento profundo de partilha comum, de uma raiz comum que tem atravessado ao longo da história períodos de apagamento e de ressurgimento de interesse. Queremos filiarmo-nos na tradição daqueles que têm interesse em cultivar essa relação, uma relação amistosa e de aprofundamento de conhecimento porque temos todo um passado histórico em comum que importa valorizar e engradecer para o futuro. O Atlântico não divide Portugal e Marrocos, o Atlântico une».

Sobre a programação da Bienal, Aleixo referiu que «prima pela diversidade e qualidade. Podemos viajar por Portugal, Espanha, Itália, Áustria e Marrocos. É uma oportunidade para robustecer as ligações entre países e culturas, redescobrir as nossas raízes e festejar as nossas identidades. As apostas são múltiplas, abraçam diversas áreas desde a museologia, literatura, artes, tradições ou música. Esta é uma terra diversa, que se orgulha do seu passado, contempla o seu presente e ambiciona esperançosamente o seu futuro».

Já Catarina Valença Gonçalves, diretora geral da Spira, empresa organizadora da Bienal, quis realçar as quatro dimensões relevantes para o evento e para o trabalho do Património Cultural.

«O primeiro é esta transversalidade de parceiros. Este é um evento que agrega vários Ministérios: Cultura, Economia, Negócios Estrangeiros e gostaria de dizer, na próxima edição, da Educação. A teimosia da itinerância é outra chave muito relevante. Já recebemos várias vezes uma recomendação de concentrarmos isto em Lisboa ou no Porto e não termos esta fantasia de andar pelo país. É complicado, de facto, de dois em dois anos começarmos do zero num novo território. Mas a verdade é que trabalhamos com património cultural, o que implica deslocarmo-nos. Felizmente, Portugal tem um conjunto patrimonial muito bem disperso e isso significa que temos oportunidade de lançarmo-nos sobre várias regiões e sobre várias localidades do país», disse.

«O terceiro ponto é o da internacionalização. A Bienal começou sozinha, pequena e em três anos passou a Bienal Ibérica graças à visão da Direção-geral do Património Cultural. Portugal celebrou um protocolo com Áustria, Itália e Espanha. A Bienal, neste momento, já tem esses países agregados e ainda juntámos o Brasil e a Holanda aqui em Loulé. Além disso, temos Marrocos, o país convidado. Por fim, o tema da sustentabilidade. O elemento mais exemplar do que é uma prática sustentável é o Património Cultural. O que é um castelo com 1000 anos, que é construído com uma função, convertido para outra passado séculos e usufruído por uma multiplicidade de gente, se não uma prática de sustentabilidade e reutilização? Devíamos capitalizar isso para as nossas lutas e sublinhar a importância desse recurso».

Othmane Bahnini, embaixador do Reino de Marrocos em Lisboa, que marcou presença na inauguração da Bienal, ao lado de Vítor Aleixo, foi o último a discursar.

No uso da palavra, começou por referir que o autarca de Loulé mostrou uma «insistência pessoal em querer uma presença marroquina neste encontro cultural». Para o diplomata, «é uma honra representar o meu país nesta bela localidade algarvia, que pela suavidade do seu clima, pelo calor dos seus homens e mulheres e pela sua natureza, não me deixa esquecer que fazemos parte de um mesmo espaço cultural, humano, unido pelo Atlântico».

Bahnini relembrou ainda as relações bilaterais que foram construídas entre os dois países ao longo do tempo.

«A participação de Marrocos na Bienal coincide com a comemoração do 25º aniversário do Tratado de Amizade, de Boa Vizinhança e de Cooperação, assinado em 1994, entre os nossos dois países. As relações diplomáticas datam de 1957 com a abertura das embaixadas em Lisboa e Rabat e o primeiro Tratado assinado remonta a 1774. Assim, os nossos países partilham um passado rico, que deixou uma herança cultural, arquitetónica e uma influência no léxico, nos costumes, nos estilos e artes decorativas».

Othmane Bahnini, embaixador do Reino de Marrocos em Lisboa.

Por fim, o embaixador revelou que o tema da sustentabilidade é particularmente importante para Marrocos, uma vez que «é uma das principais estratégias do país. Adotámos uma política baseada numa visão global e integrada, tornando o meio ambiente uma preocupação central do desenvolvimento socioeconómico e das energias renováveis, um de seus principais eixos de desenvolvimento sustentável. Marrocos lançou uma política ambiciosa de desenvolvimento de energia solar e eólica, incluindo a realização de um dos maiores parques de energia solar do mundo. Pretendemos aumentar para 42 por cento em 2020 e 52 por cento em 2030, a parcela de energias renováveis na sua produção global de energia».

A Bienal Ibérica realizou a sua quinta edição em Loulé, onde apresentou, além do espaço expositivo, seminários, workshops, espetáculos, concertos e várias atividades de Educação Patrimonial para famílias e escolas.

O evento assenta no estabelecimento de parcerias com entidades públicas e privadas, das quais se destacam: Fundação Millenium BCP, Junta de Castela e Leão, Comissão Nacional da UNESCO, Direção Geral do Património Cultural, o Turismo de Portugal e a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.