Associação Bóia traz arte contemporânea a Lagoa e Carvoeiro

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Edição zero do festival «Paragem – práticas artísticas contemporâneas em época balnear», organizado por uma nova associação cultural, levará o público a performances e espetáculos em espaços não convencionais já este fim de semana.

A ideia surge pela mão de Filipa Brito, 42 anos, nascida em Portimão e criada em Carvoeiro. Formou-se em cenografia e figurinos no Chapitô em Lisboa e mais estudou na Escola Superior de Artes e Design (ESAD) de Caldas da Rainha. É a presidente e fundadora da Bóia, um novo coletivo sem fins lucrativos que tem por objetivo incentivar a investigação e experimentação artísticas e difusão das artes contemporâneas no concelho de Lagoa.

Nesta aventura conta com Nelson Guerreiro, ex-professor na ESAD e nome ligado à criação contemporânea.

«Fundámos a nossa associação em novembro de 2018, que foi muito bem acolhida pelo autarca Francisco Martins», sublinha Filipa Brito.

«Procuramos complementar e acrescentar» algo à programação que a autarquia organiza.

«É quase um projeto de vida. Queremos criar uma plataforma para difundir a arte e o pensamento contemporâneo e a combinação de áreas, como os vinhos, gastronomia, literatura. Interessa-nos também reinterpretar o património material e imaterial, com ligação ao passado, a pensar no presente e no futuro»», acrescenta Nelson Guerreiro, fundador e tesoureiro da Bóia.

Uma das primeiras iniciativas é a edição zero do festival «Paragem – práticas artísticas contemporâneas em época balnear».

Terá lugar já este fim de semana, a partir de hoje, quinta-feira, dia 29 de agosto a domingo, 1 de setembro, entre Lagoa e Carvoeiro. «Férias no Algarve» é o tema principal, segundo explica Nelson Guerreiro.

«Desafiámos artistas multidisciplinares a estarem de férias no Algarve com trabalhos sobre essa experiência real ou imaginada, um caleidoscópio de paisagens-imagens e sensações. Claro que estamos a trabalhar numa época contrária ao trabalho, à produtividade. Mas isso também pode ser um trampolim para a criação artística. É um desafio, estar aqui a contribuir para uma oferta que contraria esta ideia que o Algarve costeiro é sol, praia, marisco e sunset parties. Pode ser mais do que isso», diz.

Como? Através da apresentação de espetáculos, exposições, performances em espaços como praias, eiras, adegas, campos de ténis, casas de férias, terraços e até quartos de hotel.

O festival arranca com uma exposição coletiva de artes visuais e performance na cave da adega Única e na Galeria LIR, em Lagoa. Uma mostra de escultura, pintura, fotografia e instalação.

Abre na quinta-feira, dia 29 de agosto, às 18 horas e mostra trabalhos novos de vários artistas de vanguarda e outros emergentes, alguns dos quais algarvios, como Rubene Palma Ramos (de Silves, na escultura) e Nuno Carrusca (de São Brás de Alportel, na cozinha e instalação).

O ponto alto, contudo, acontece na sexta-feira, dia 30 de agosto, com um passeio passeio de comboio turístico com paragens inesperadas e algumas surpresas.

A partida será às 18h00 no Largo de Carvoeiro, com chegada ao Algar Seco, onde haverá concertos de diluídos na paisagem. O comboio repetirá a viagem, embora muito mais alargada no domingo, 1 de setembro. A partida será às 17h00 na Única, em Lagoa.

Para sábado, o destaque é o happening «Reencarnação», aberto à participação de todos os interessados. O ponto de encontro é o anfiteatro ao ar livre (nas traseiras da Igreja de Carvoeiro) às 19 horas. Filipa Brito explica o conceito: «queremos fazer um encontro que revisita um pouco o imaginário desta comunidade» e que conta com a participação especial da Banda Filarmónica de Silves.

Ainda no mesmo dia, a Bóia convidou a atriz Maria João Falcão para uma peça de teatro intimista, para pequenos grupos de quatro a cinco espetadores. As sessões terão lugar numa das suites do Hotel Carvoeiro Plaza, em sessões contínuas, das 14 às 18 horas.

Depois desta primeira experiência programática, Filipa Brito e Nelson Guerreiro não descartam a hipótese de apresentar uma candidatura ao programa de animação cultural e turística em época baixa «365 Algarve», caso haja uma quinta edição em 2020.

«O objetivo deste festival é que as pessoas locais, nacionais, estrangeiras ou sazonais, de passagem, que não têm hábitos culturais enraizados de contacto com a arte contemporânea, percebam que não é um fantasma que apresenta propostas de total incompreensão», brinca Nelson Guerreiro.

Por fim, Filipa Brito acrescenta que a Bóia quer ter um corpo coerente, apostando numa combinação de artistas consagrados e de jovens criadores portugueses e internacionais. «Queremos trabalhar com pessoas, que além de bons artistas, têm um bom lado humano».

A programação completa pode ser consultada aqui.