Arqueólogos alemães estudam Cerro do Castelo de Alferce

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Uma equipa de investigadores alemães associados à Universidade de Marburgo começou hoje, segunda-feira, 9 de setembro, a estudar com métodos não intrusivos as duas principais áreas do Sítio Arqueológico do Cerro do Castelo de Alferce, no concelho de Monchique.

A equipa, que tem desenvolvido várias intervenções arqueológicas em Portugal nos últimos anos, vai estar no terreno até ao final desta semana.

O Sítio Arqueológico do Cerro do Castelo de Alferce corresponde a um povoado fortificado com uma área intramuros de aproximadamente 9,5 hectares.

O município de Monchique tem vindo a promover o estudo e a valorização do local, que já foi alvo de uma intervenção arqueológica em agosto de 2017.

Na altura, constatou-se que este cerro, especialmente o seu topo, foi alvo de várias afetações e destruições causadas por ações antrópicas ocorridas sobretudo no último século, como trabalhos agrícolas, desmantelamento de estruturas e escavações clandestinas.

Agora, os investigadores estão a avançar com trabalhos de prospeção geofísica.

Rui André, presidente da Câmara Municipal de Monchique, explica ao «barlavento» que o objetivo é «fazer um campo arqueológico e escavar todo o espaço e por isso é muito importante esta prospeção e estudo. No futuro, queremos envolver mais especialistas e também a população que queira participar».

«Entendo que será também uma boa forma de envolver as pessoas. Este espaço tem sido vandalizado ao longo dos anos e dali foram retiradas pedras para construções particulares. Em 2017 fizemos um acordo dos proprietários do terreno que concordaram que este arqueossítio fosse estudado e classificado. Assim, está assegurada a preservação deste sítio de valor histórico incalculável», explica o autarca.

Explicado de forma simples, as prospeções geofísicas que serão realizadas ao longo desta semana, permitirão radiografar o terreno para se perceber melhor a eventual existência de estruturas arqueológicas soterradas e qual a profundidade.

As informações que os arqueólogos alemães obtiverem vão permitir planear com maior rigor a estratégia de escavações arqueológicas a realizar no futuro.

«Estamos neste momento a ultimar uma candidatura ao PO Regional 2020 com vista à valorização deste local, o que irá também integrar, para além da sinalização e informação sobre o mesmo, a criação de um Centro Interpretativo no antigo Centro de Convívio do Alferce e a criação de um percurso pedestre que irá ligar esta povoação ao Cerro do Castelo, passando pelo também emblemático Barranco do Demo, associando desta forma o património cultural ao natural que aqui assume uma exuberância fantástica», avança o autarca monchiquense Rui André.

«Este é sem dúvida um arqueossítio de referência mundial e temos por isso a enorme vontade de aprofundar o conhecimento sobre o mesmo, valorizando-o e torná-lo num polo de atração turística», sublinha.

«Hoje fiquei fascinado com os novos dados onde já podemos perceber o alinhamento das muralhas e o desenho da estrutura de um edifício com dois pentágonos o que nos transporta para um imaginário muito especial do que ali se terá passado no século IX. Além de tudo isto, também estes especialistas irão apurar se subsistem estruturas arqueológicas soterradas na designada plataforma pré-histórica, o que torna ainda mais rica a História deste local e as múltiplas ocupações que teve ao longo dos séculos», conclui o autarca.

A intervenção em curso, contribuirá para a maturação de um projeto de investigação plurianual.

Para já, o objetivo da campanha é aprofundar o conhecimento sobre a arquitetura da fortificação islâmica que coroa o cerro, especialmente no que respeita ao segundo recinto amuralhado – onde só se conhece o segmento norte da muralha e parcialmente o oeste, bem como apurar se subsistem estruturas arqueológicas soterradas na designada plataforma pré-histórica.