António Costa içou Bandeira Verde à época balnear 2020 em Portimão

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António Costa falou esta manhã com nadadores-salvadores e assistentes de praia que já estão a sensibilizar os banhistas para os cuidados a ter no areal.

Passadeiras com indicações para entrar e para sair, um reforço nas ilhas ecológicas, apoios de praia bem preparados, vigilantes e nadadores-salvadores motivados na manhã ensolarada de hoje, sábado, 6 de junho. Foi este o cenário que António Costa encontrou na Praia da Rocha, embora com menos banhistas que o habitual.

«A praia não tem nenhum fator extra de perigosidade. Aliás, no comum dos vírus, os ultravioletas do sol, o calor e o sal são fatores para que não se propaguem. Infelizmente, ainda não conhecemos a COVID-19 de forma suficientemente completa para podermos fazer essa afirmação. Estar na praia é estar num espaço público e por isso não há nenhum risco maior. Os grupos têm de manter à distância de um metro e meio uns dos outros. Nas concessões, os colmos e os guarda-sois têm de estar afastados três metros. As regras estão definidas e implicam bom senso», começou por explicar aos jornalistas João Pedro Matos Fernandes, ministro do Ambiente e da Transição Energética, ainda antes da comitiva descer para o areal, onde o primeiro-Ministro içou a bandeira verde que abriu, oficialmente, a época balnear 2020.

Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão, deixou o coração falar na sua intervenção.

Segundo a anfitriã, que foi também a primeira autarca a ter de lidar com a pandemia no Algarve, desta crise resultou toda uma «rede de sinergias que fez com que Portugal saltasse para a ribalta e o Algarve como a região turística mais segura para passar férias. Devemos isso à sua determinação e ao seu governo que foram imprescindíveis», disse, dirigindo-se a António Costa.

«Os empresários, com a sua resiliência e capacidade de se reorganizarem, estão aqui hoje para lutar pelo nosso turismo, por Portugal e pelo Algarve. Hoje é um dia extremamente feliz para todos nós. Duvido que alguma vez tivéssemos festejado a abertura da época balnear com a força e com o entusiasmo que estamos a fazer hoje. Isto representa uma nova etapa. Representa a abertura de uma porta para o futuro. Representa uma nova vida, para os nossos empresários que estão a passar por uma fase muito má, a quem o governo tem dado a mão para que não se afundem mais, porque de facto esta é uma época que ninguém esperava», acrescentou.

Isilda Gomes, presidente da Câmara Municipal de Portimão

A pandemia «é uma passagem da história que certamente todos nos lembraremos para o resto da vida, mas que tudo faremos para fazer esquecer. Por isso que é importante a abertura das praias. Os cidadãos precisam de descansar e de momentos de lazer. Os cidadãos sofreram muito durante estes três meses. Sofremos todos. Por isso merecemos hoje estar aqui, e que o senhores ministros do Ambiente e da Defesa tenham trabalhado para construirem as regras, com o apoio da saúde, para que todos possamos usufruir da praia em segurança», disse ainda Isilda Gomes.

A autarca de Portimão admitiu que se mostrou cética no início de todo este processo, quando as regras de utilização das praias começaram a ser desenhadas.

«Tive muitas dúvidas se seria possível colocá-las em prática. Chegámos a este entendimento e hoje aquilo que eu achava que seria muito difícil de implementar está aqui bem visível para todos. Não sei se vamos ter uma excelente época de turismo. Mas há uma coisa que garanto: os autarcas, os empresários e os cidadãos portimonenses tudo farão para (acolher) quem optar pela nossa cidade, pelo nosso município, para vir descansar e gozar as merecidas férias. Só precisamos é que olhem para as regras e as cumpram. Não queremos que ninguém saia da praia doente», apontou.

«Queremos que as pessoas passem aqui momentos de verdadeira felicidade. Temos de chegar a outubro melhor ainda do que estamos hoje. Acredito muito seriamente, que estamos aqui a abrir uma porta para o futuro».

Em relação ao presente, «temos neste momento cinco infetados, todos eles assintomáticos, o que pode significar que o vírus talvez não esteja com a mesma força», concluiu Isilda Gomes.

A esperada intervenção de António Costa foi breve e em tom familiar. «Muita gente se perguntou se este ano podemos ir à praia? Sim, desde que o façamos em segurança. Aliás, foi sempre assim em relação às praias. Sempre houve normas. Este ano temos uma regra nova. Também na praia, tal como no trabalho, na escola, no transporte público, na rua, no espaço comercial ou em qualquer sítio, temos que respeitar o afastamento, a higiene respiratória e a higienização. Se o fizermos, a praia vai fazer tão bem à saúde como nos anos anteriores», disse o primeiro-Ministro.

António Costa.

«A partir de hoje, é bom que se possa ir à praia, com uma condição: que isso se faça em segurança. Se todos o fizermos, continuaremos a gozar da liberdade de ir à praia, e a corresponder àquilo que os meus pais me ensinaram: a praia faz bem à saúde, e a nossa saúde também precisa de praia neste verão de 2020», concluiu.

«Responsabilidade pessoal e intransmissível»

Por sua vez, o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, elogiou as Capitanias de norte a sul que cobrem 2500 quilómetros de costa, incluindo regiões autónomas que fizeram «um trabalho muito intenso de preparação» desta época balnear.

«Este ano houve uma particular atenção para que as praias não-vigiadas possam ter alguma fiscalização, de forma a que possam também ser utilizadas em segurança. Estamos mais bem preparados porque houve uma maior intensidade de trabalho conjunto com outras entidades e também porque temos um reforço de pessoal, 169 militares da Marinha para apoiar a Autoridade Marítima Nacional», contabilizou o ministro.

«Por isso, acredito que há todas as condições e isso repercutiu-se também nos índices de segurança de frequência de praias, que são dos melhores do mundo, para que os turistas venham a Portugal, que é um destino seguro».

Cravinho concluiu com um recado aos cidadãos: «cada um de nós tem um sentido de responsabilidade pessoal e intransmissível que será a chave do sucesso desta época balnear».

Até 850 mil pessoas por dia nas 552 praias nacionais

Também optimista, João Pedro Matos Fernandes, considerou que abrir as praias «era um desafio muito grande. Cumprimo-lo depressa e quero acreditar que o cumprimos bem. Os portugueses e portuguesas assim o dirão ao longo dos próximos meses».

No entanto, admitiu o governante, «era fundamental abrir as praias e que toda a economia pudesse estar a funcionar, mas com segurança e regras muito simples e básicas» para garantir o afastamento social.

Ao todo, as praias portuguesas poderão ter uma lotação diária na ordem das 850 mil pessoas, segundo as contas do ministro do Ambiente e da Transição Energética.

«Tememos não vir a ter tantos turistas como era esperado, oxalá essas previsões sejam enganosas. E que facto, as praias possam ter uma boa fruição balnear e, em simultâneo, que a economia à volta da praias possa também florescer e permitir a todos uma boa época balnear. Foi esse o nosso objetivo. Não negamos que estamos ainda a acabar de terminar estes processos», admitiu.

Matos Fernandes referiu-se à aplicação «Info Praia» que dará «toda a informação a quem ainda estando em casa, ou já a caminho da praia, possa fazer a melhor escolha», à medida que as câmaras vão entrando em funcionamento, assim como as fontes que a alimentam. O ministro garante que em julho e agosto, a afinação estará concluída.

Também satisfeito, Pimenta Machado, vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) apresentou a aplicação «Info Praia», cuja principal função é informar sobre a lotação de cada uma das 552 praias portuguesas (o Algarve tem 113 praias marítimas e uma interior), que será apresentada em três cores: vermelho, amarelo e verde.

A aplicação já existia desde o ano passado, mas só dava informações sobre a qualidade da água balnear. Segundo Pimenta Machado, em 2019, a APA fez mais de 6000 análises, de Caminha ao Algarve. Ainda assim, a aplicação ocupava um lugar modesto entre as aplicações mais utilizadas pelos portugueses, mas desde 15 de maio, que passou a estar no TOP das mais descarregadas.

A «Info Praia» é alimentada por várias fontes: concessionários, assistentes de praia, autarquias, Autoridade Marítima Nacional, e algoritmos de processamento de imagem (sem registo) através de câmaras, do chamado sistema SmartCrowd, em parceria com a Fundação Vodafone. A rede das mais de 150 câmaras da rede MEO Beachcam também darão dados em tempo real.

A cerimónia de abertura da época balnear contou com a presença de vários autarcas de Portimão e de membros do governo socialista, como os secretários de Estado José Apolinário, Jamila Madeira e Jorge Botelho, e do presidente da AMAL António Miguel Pina.