Alunos da Pinheiro e Rosa conquistam a sua própria cozinha pedagógica

  • Print Icon

Única Secundária do concelho de Faro com curso profissional técnico de Cozinha e Pastelaria já tem uma sala com todos os equipamentos necessários à formação dos futuros chefs. O financiamento foi conseguido com o trabalho dos alunos e através de uma parceria com o Movimento de Apoios à Problemática da Sida (MAPS).

A turma de terceiro ano do Curso Profissional Técnico de Cozinha e Pastelaria, do Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa, de Faro, apresentou, na quarta-feira, dia 12 de fevereiro, a novíssima cozinha técnico-pedagógica.

«Até esta data, os alunos usavam a cozinha do agrupamento ou uma pequena sala que apenas tinha um fogão e um frigorífico. Hoje, graças aos pequenos serviços que foram fazendo ao longo do ano e graças à parceria com o MAPS conseguimos equipar a cozinha pedagógica. A instituição deu-nos as bancadas. Nós, com os 600 euros que juntámos, comprámos as placas, o forno, as torneiras, o termo-acumulador, as tintas e as canalizações. Acima de tudo estamos muito orgulhosos», explicou ao barlavento, Ana Margarida Silva, diretora do curso.

Ana Margarida Silva, Andé Rodrigues e Luís Jesus.

Equipamentos e instalações que fazem toda a diferença na formação dos jovens, segundo o chef André Rodrigues, professor de todos os módulos do terceiro ano.

«Este é um curso em que os alunos aprendem tudo. Desde o corte de legumes, até à cozinha do mundo. Logo, para que possa ensinar e aprimorar todas as técnicas, preciso de ter material à altura. Até aqui, trabalhávamos em condições muito simples e básicas. Agora, temos todo o que é preciso para que os nossos estudantes para que possam continuar a evoluir. É fundamental para eles. Mesmo a nível de regras de higiene e funcionamento de uma cozinha, aqui já consigo dar uma noção real», diz o chef.

Segundo André Rodrigues, a parceria com o MAPS surgiu «de forma casual. Como somos uma escola aberta à comunidade já fizemos alguns serviços para eles. Um dia, em conversa disseram-nos que estavam a remodelar um edifício e que tinham material que não iam mais precisar. Disse logo que era maravilhoso para nós. Deram-nos todas as bancadas e os armários. Agilizaram uma carrinha enorme, levámos os alunos até lá e até o próprio presidente da instituição esteve connosco a retirar bancadas e a desaparafusar», conta.

Assim, de uma sala de aula normal, com mesas, cadeiras, um quadro de ardósia e um computador, nasceu assim uma cozinha pedagógica. E tudo pelas mãos dos alunos.

«Costumo dizer que esta turma tem uma vantagem. Estes jovens, além de saberem cozinhar, sabem montar uma cozinha. Pintaram paredes, poliram o chão, limparam, montaram canalizações comigo e fizeram furos. Saem daqui com todas as valências para trabalharem numa cozinha», afirmou André Rodrigues.

Uma ação que não deixou indiferente Francisco Soares, o diretor do Agrupamento, que na inauguração deixou uma mensagem aos docentes e aos alunos.

Custódio Moreno, diretor regional do IPDJ.

«Agradeço aos professores por terem empreendido este projeto, que à partida parecia quase impossível de se conseguir. Temos uma cozinha com todas as condições para que estes jovens possam expressar todas as suas qualidades e para que possam ser profissionais de referência neste nosso Algarve. Agradeço a todos o facto de termos hoje este equipamento que nos permite com muita dignidade estarmos a lecionar um curso com um nível tão elevado, que tanta falta faz ao Algarve», disse.

Uma escola pioneira contra os preconceitos

Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, e antigo professor daquela Secundária, marcou presença na cerimónia.

«É sempre um gosto estar nesta casa onde passei 15 anos felizes e onde se fizeram muitas coisas. Esta sala já serviu de cofre dos exames do Algarve. Tem uma vida e uma história de todos os que por aqui passaram nestes 25 anos. É um prazer ver um curso profissional nesta área. Na década de 1990 não havia estes cursos. Existia um preconceito muito grande contra tudo o que fosse diferente», recordou.

Rogério Bacalhau e Francisco Soares.

«A Pinheiro e Rosa foi das primeiras a ter estes cursos, que não são alternativos, mas sim mais opções para que as pessoas possam escolher e hoje existem em todas as escolas de ensino público. É um gosto ver estes alunos a fazerem o que gostam. Tenho a certeza absoluta que vão ser bons profissionais naquilo que fazem. Hoje estamos a construir alternativas, para que possam ser cidadãos, para que possam participar na economia das suas casas, mas também da nossa região. Parabéns!», exclamou o autarca.

Um curso recente, mas já com sucesso

O curso profissional técnico de cozinha e pastelaria abriu no Agrupamento de Escolas Pinheiro e Rosa há três anos. Trata-se de uma formação que dá equivalência ao 12º ano e que dota os jovens com o nível quatro em cozinha.

Este ano letivo abriu mais uma turma, sendo que o primeiro ano conta com 11 alunos e o terceiro com nove. Os alunos mais novos têm aulas com o chef Luís Jesus e os mais velhos com o chef André Rodrigues.

Disciplina só há uma, serviço de cozinha e pastelaria, que se divide numa série de módulos com durações distintas.

No final de cada ano há um estágio de 200 horas. Apesar de se tratar de um curso recente, André Rodrigues revelou ao barlavento que já tem dois alunos «com contrato de trabalho verbalizado. Mal terminem a formação vão ficar a trabalhar em hotéis, um em Faro e outro na Quinta do Lago».