«Algarve Seguro» reforça um dos destinos «mais pacíficos do mundo»

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Prioridade no combate a incêndios e reforço do controlo de passageiros no Aeroporto de Faro são algumas das medidas anunciadas por Eduardo Cabrita, em Faro.

«O que teremos, ao longo deste verão, é um reforço que nos permite dizer que estamos preparados para um Algarve seguro. Estamos preparados com uma presença adicional de meios e através da articulação com o conjunto dos municípios, no âmbito do contrato local de segurança» garantiu Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna na apresentação de mais um Programa «Algarve Seguro», no sábado, dia 22 de junho, na sede da Região de Turismo do Algarve, em Faro.

De maneira a «garantir que Portugal continua a ser um dos países mais seguros do mundo, a equipa do Ministério volta a apostar no Programa Algarve Seguro, com um reforço significativo de meios humanos e materiais das forças e serviços de segurança, bem como dos recursos ao dispor do sistema de Proteção Civil», garantiu Eduardo Cabrita.

Nesse sentido, os responsáveis máximos de todas as instituições afetas à tutela Ministério da Administração Interna marcaram presença em Faro, para apresentarem as medidas adicionais de prevenção da criminalidade no verão de 2019, altura em que se espera mais uma enchente de veraneantes e turistas.

Paulo Poiares, em representação da Guarda Nacional Republicana (GNR), começou por revelar que se encontram «em reforço permanente 200 militares, quatro equipas cinotécnicas e de patrulha a cavalo».

Major Paulo Poiares da Guarda Nacional Republicana (GNR).

Segundo o Major, para os principais eventos de verão serão destacados 500 militares e estarão 2000 empenhados apenas no patrulhamento rodoviário.

Está também previsto «um patrulhamento misto com a Guarda Civil de Espanha, com a Arma dos Carabineiros de Itália e com a Gendarmaria Nacional de França».

Por sua vez Luís Elias, Superintendente da Polícia de Segurança Pública (PSP), anunciou uns adicionais «360 polícias, cinco patrulhas e quatro Equipas de Prevenção e Reação Imediata. Teremos ainda equipas mistas de policiamento constituídas por elementos do Corpo Nacional de Polícia de Espanha, da Polícia Nacional Francesa e da PSP».

Conceição Bértolo, diretora regional do Algarve do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), previu «um reforço em 40 por cento dos inspetores afetos de primeira linha no Aeroporto de Faro. Vamos ter ações de fiscalização entre pontos de passagem autorizados nas fronteiras marítimas e ações de sensibilização dirigidas a entidades empregadoras para regular contratação de cidadãos estrangeiros».

Luís Elias, Superintendente da Polícia de Segurança Pública (PSP).

Além disso, segundo a dirigente do SEF, «está também previsto um incremento das ações de controlo da permanência e atividade de estrangeiros em zonas turísticas. Por fim, utilizaremos a cooperação nacional e internacional como instrumentos essenciais no combate à imigração ilegal e tráfico de seres humanos».

Ainda em relação à ação do SEF este verão, Eduardo Cabrita explicou que «reforçou-se mais que as estruturas dos aeroportos. Em Faro, a presença de mais inspetores começou no início de abril. Estamos a estabelecer um programa com a ANA – Aeroportos de Portugal para um alargamento de máquinas de controlo eletrónico que, facilitam o acesso de passageiros» na aerogare algarvia.

Em jeito de conclusão, Rui Ribeiro, presidente da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, no uso da palavra explicitou que «serão distribuídos materiais de sensibilização para comportamentos seguros relativos a condutores de duas rodas a motor, com especial atenção para a população de risco. Ou seja, homens condutores de motociclos, toda a faixa etária dos 25 aos 44 anos, quem se desloca dentro de localidades e condutores de outras categorias que partilham a via pública com os veículos de duas rodas a motor».

Conceição Bértolo, diretora regional do Algarve do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

O Ministro da Administração Interna fez questão de sublinhar que «os portugueses já perceberam que a segurança é um valor e um ativo decisivo tanto na qualidade de vida, como para o sector do turismo. As dúvidas quanto ao fator segurança põem em causa a atratividade das regiões. Aqui no Algarve tenho de enaltecer a importância da parceria com os 16 municípios e com todas as entidades da sociedade civil regional. Desde 2008 a criminalidade tem vindo substancialmente a diminuir em Portugal e nos últimos três anos essa redução acentuou-se significativamente. A segurança é decisiva para o Algarve».

A encerrar o seu discurso, Eduardo Cabrita deixa uma chamada de atenção: «em 2013 éramos o 18º país mais seguro do mundo, hoje estamos em terceiro lugar mas não podemos descansar sob estes resultados».

«Teremos certamente incêndios, mas estamos preparados»

Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna marcou presença na sede da Região de Turismo do Algarve, em Faro, no sábado, dia 22 de junho, para a apresentação do Programa «Algarve Seguro». Num momento em que todas as instituições de forças de segurança nacional estiveram presentes, os incêndios no Algarve foram tema de destaque.

«Teremos certamente incêndios. O que aconteceu no ano passado é que a salvaguarda da vida humana foi uma prioridade absoluta e foram testados mecanismos de apoio às populações com grande envolvimento das autarquias e de todas as instituições da região. Neste momento, quer nos meios terrestres, quer nos meios operacionais e nos mecanismos de apoio aéreo estamos preparados. Por isso, quando há cerca de duas semanas atrás se sucedeu o início de um incêndio com risco significativo na zona de Marmelete, ao fim de uma hora estavam lá 10 meios aéreos a atuar e os meios terrestres necessários. O que é decisivo aqui é conjugarmos meios» afirmou o governante aos jornalistas.

«Face às características da nossa floresta e face às alterações climáticas, temos de ter consciência que o risco obriga a que a prioridade seja colocada na prevenção, na limpeza da floresta e em Programas como a Aldeia Segura e Pessoa Segura».

Nesse sentido, Vítor Vaz Pinto, Comandante Nacional da Autoridade Nacional de Emergência e de Proteção Civil, apresentou os inúmeros reforços da sua equipa no Algarve, com enfoque no combate e prevenção de incêndios.

Vítor Vaz Pinto, Comandante Nacional da Autoridade Nacional de Emergência e de Proteção Civil.

«Temos mais quatro grupos de Intervenção Permanente nos corpos de bombeiros de Alcoutim, Monchique e Portimão. Aumentámos as Equipas de Combate a Incêndios Florestais e Equipas Logísticas de Apoio ao Combate e a Brigada de Sapadores Florestais. Estarão dois helicópteros ligeiros na região durante todo o ano. Antecipámos, em um mês, as operações do Centro de Meios Aéreos de Cachopo. Alcoutim, Castro Marim, Monchique, São Brás de Alportel, Silves e Tavira podem contar com ações de vigilância. Antecipámos a abertura dos postos de vigia da Rede Nacional de Postos de Vigia. E constituímos uma Equipa Tática de Empenhamento de Máquinas de Rasto e uma Auxiliar de Análise e Uso do Fogo. Por fim criámos ainda duas Brigadas, uma mista de Rescaldo e Consolidação de Extinção e uma de Combate a Incêndios composta por Bombeiros da Força Especial de Proteção Civil».

Por fim, Eduardo Cabrita quis deixar a mensagem que durante o incêndio de Monchique, no verão do ano passado, «todas as redes convencionais falharam, mas o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) funcionou sempre. Tenho consciência que o SIRESP funcionou onde todos falharam».

Números da PSP e GNR

Segundo os indicadores de gestão do Comando Distrital de Faro da PSP, a criminalidade geral diminui de 6464 casos em 2017 para 6293 em 2018 (-2,6 por cento).

No que toca à criminalidade violenta e grave, desceu de 419 ocorrências e 2017 para 380 em 2018 (-9,3 por cento).

Em 2017, esta força fez 884 detenções e 875 em 2018.

Segundo os indicadores de contexto, de 96 por cento da criminalidade geral em 2018, só 4 por cento diz respeito a casos relacionados com turistas.

Destes 4 por cento, a maioria dos problemas tem a ver com furtos em veículos motorizados (36 casos), furtos de oportunidade de objetos não guardados (32 casos) e furtos por carteiristas (32 casos).

Cabrita Neto, ministro da Administração Interna e Isabel Oneto, Secretária de Estado Adjunta e da Administração Interna.

O Comando Distrital de Faro da PSP tem um efetivo de 101 agentes na sede do comando, 66 na Esquadra Destacada de Lagos, 163 na Divisão de Portimão, 145 na Divisão de Faro, 72 em Olhão, 64 em Tavira e 64 em Vila Real de Santo António. A estes somam-se 93 elementos da Unidade Especial de Polícia, com sede junto ao Aeroporto de Faro e 72 elementos da Divisão de Segurança Aeroportuaria. Ou seja, um total de 841 polícias.

Já a Unidade Especial de Polícia conta com 3 equipas do Corpo de Intervenção; 5 equipas cinotécnicas; 3 equipas de inativação de engenhos explosivos e segurança em subsolo e 3 equipas de segurança pessoal.

Entre 5 de junho e 30 de setembro, há um reforço de 360 polícias em Portimão e Lagos, Tavira e Vila Real de Santo António.

Já o dispositivo da GNR contará com 1455 militares e 35 locais de atendimento. Em termos de safety (proteção e socorro), esta força terá 113 militares posicionados, 3 centros de meios aéreos, um pelotão de ataque estendido e 24 viaturas.

Estão previstas 230 patrulhas, 1000 controlos de velocidade e 250 testes de álcool, num total de 13 mil quilómetros a percorrer e 400 ações de vigilância, patrulhamento e interseção marítima.