Água de Monchique lança nova imagem, taras e app para reciclar plástico

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Vítor Hugo Gonçalves, CEO da Sociedade da Água de Monchique quer atingir uma quota de mercado de 10,8 por cento e faturar 15 milhões de euros em 2020. Empresa vai lançar uma aplicação (app) para telemóveis que incentiva a reciclagem das garrafas de plástico em troco de descontos. Esta nova da marca foi apresentada ontem, quarta-feira, dia 26 de fevereiro, na Fundação Oriente, em Lisboa.

barlavento: No final do ano passado, interrompeu a produção para modernizar a fábrica. Em que medida foi importante?
Vítor Hugo Gonçalves:
O valor global do investimento efetuado pela Sociedade da Água de Monchique foi de 8,5 milhões de euros e envolve a instalação de novas linhas de produção e o rebranding da marca. Todo este processo foi desenvolvido tendo por base três vetores. Queremos ser inovadores, mais sustentáveis e fazer diferente, porque somos diferentes. Desde 2017, fruto da evolução do mercado, mas também da aceitação que o nosso produto tem alcançado junto dos consumidores, que a nossa unidade produtiva tinha atingido a sua capacidade máxima instalada em termos produtivos, isto é 70 milhões de litros por ano. A estrutura operacional desatualizada da empresa criou-nos enormes constrangimentos no fornecimento ao mercado nacional e também nos limitou em termos de aposta nos internacionais. Felizmente, esta situação está ultrapassada e este investimento permite-nos hoje duplicar a nossa capacidade de engarrafamento para 140 milhões de litros por ano. Esta nova capacidade de produção vai-nos permitir não só reforçar e solidificar a nossa presença no mercado nacional, que é a nossa prioridade, mas também alavancar a nossa estratégia de internacionalização em mercados como a China, os EUA, o Médio Oriente, e a diáspora portuguesa, que consideramos estratégicos e com potencial de crescimento para o nosso produto. Mas queria reforçar mais uma vez que a nossa prioridade é e continuará a ser Portugal e os consumidores portugueses.

Vítor Hugo Gonçalves, CEO da Sociedade da Água de Monchique.

Esta modernização implicará a contratação de mais mão de obra local e quantas pessoas emprega atualmente?
Contamos atualmente com cerca de quatro dezenas de colaboradores, e esta nova era Monchique vai implicar a contratação de pelo menos mais 10. Gostaria de destacar que 90 por cento dos nossos colaboradores são originários de Monchique ou dos concelhos vizinhos. Esta é uma questão que muito valorizamos no processo de recrutamento. Este é também um importante papel que as empresas têm dever de desempenhar que é o de contribuir ativamente para reduzir as chamadas assimetrias regionais.

A Água de Monchique «patrocina» três clubes de futebol nacionais. Tenciona apoiar também alguma entidade desportiva do Algarve? Ou algum projeto de cariz social ou educativo?
A responsabilidade social faz parte do ADN da Sociedade das Águas de Monchique. Somos uma empresa de pessoas e para pessoas, pelo que a devolução à sociedade é um dos fundamentos da nossa atuação. Costumo dizer que somos muito mais que água, somos uma forma diferente de estar porque temos consciência de que quanto mais e melhor trabalharmos, mais podemos contribuir para o desenvolvimento da sociedade. Isto começa, em primeiro lugar, com os nossos colaboradores a quem pagamos salários acima do que está regulamentado, implementamos um sistema de avaliação de desempenho que permite serem premiados em função do seu desempenho. A nível externo, estamos com frequência a apoiar eventos e instituições de solidariedade social. Somos particularmente sensíveis às crianças. Apoiamos também eventos de cariz desportivo e cultural sempre que estejam em linha com os princípios preconizados pela empresa e pela marca. Na região do Algarve apoiamos instituições culturais como por exemplo o projeto Lavrar o Mar e muitos outros da região. São raríssimas as vezes que não respondemos positivamente aos pedidos de apoio por nos chegam.

O incêndio devastador de agosto de 2018, afetou a produção da fábrica?
Os incêndios que assolaram a zona de Monchique foram devastadores para a região. Foi uma enorme perda sentida por todos. Do ponto de vista material foram muitas as perdas para a população, com forte impacto na economia local. Do ponto de vista ambiental foi catastrófico para a fauna e para a flora. Quase dois anos depois ainda são evidentes as marcas deixadas pelos incêndios. A Sociedade da Água de Monchique foi também ela afetada. Tivemos que suspender a produção durante alguns dias, o que impediu o reabastecimento do mercado, com os evidentes prejuízos que essa situação acarretou. Tivemos também algumas perdas materiais, mas a nossa grande preocupação era para com as possíveis consequências para a qualidade da água. Felizmente, esta situação não se verificou e logo que possível retomámos a laboração normal com a mesma qualidade de sempre.

Também não é segredo que a região do Algarve está em seca extrema. Está preocupado com este cenário?
Não só o Algarve mas toda a zona sul de Portugal sofre, desde há alguns anos, de seca extrema que obviamente se agrava nos meses de verão. Esta situação preocupa-nos e por isso somos muito cuidadosos na exploração do nosso aquífero que corre em grande profundidade, a cerca de 900 metros. O investimento que fizemos em máquinas de ponta vai ajudar-nos a poupar cerca de 15 por cento de água gasta no processo de engarrafamento. A água é realmente um bem muito escasso e em Portugal ainda não temos bem essa consciência pelo que é deveras importante que a mensagem de poupança deste recurso seja passada para a sociedade. Há pequenos gestos que cada um de nós pode e deve fazer e que fazem efetivamente a diferença. No que diz respeito à disponibilidade de água não sentimos qualquer redução de caudais, pois a nossa água está a grande profundidade. Por isso é menos afetada pelas alterações climáticas, contudo, a longo prazo, e se nada fizermos existe sempre o risco de essa escassez se agravar.

Falemos também do contexto local. Monchique precisava de revitalizar o turismo termal e de natureza. Como vê esta situação?
Monchique sofreu um desastre sem precedentes em 2018. Os fogos foram devastadores e causaram grandes perdas materiais e naturais. Bastará, contudo, ir hoje a Monchique para vermos que a natureza tem o dom maravilhoso de se regenerar. O concelho começa já a voltar ao seu verde imenso tão característico. Claro que ainda hoje há sinais dessa calamidade. É necessário tempo. Monchique é um local mágico e único com pessoas resilientes e habituadas a lutar contra as adversidades e a ultrapassar obstáculos. A nossa empresa tenta todos os dias cumprir o seu papel de levar o nome de Monchique a todo o mundo com orgulho. Monchique é para nós o centro do mundo.

Numa altura em que o mundo já percebeu que não pode continuar a abusar do plástico descartável, que poderá a indústria da água engarrafada fazer?
O plástico é hoje um material essencial para assegurar a segurança e higiene alimentar. Há estudos que demonstram, por exemplo, que a substituição total do plástico por outro material nas embalagens alimentares resultaria impreterivelmente num aumento de mais de 30 por cento do desperdício alimentar que, como sabemos é, já hoje, nos países desenvolvidos, muito alto. Não nos devemos esquecer que a descoberta do plástico surge curiosamente da necessidade da preservação da natureza em substituição do marfim. A solução está na reutilização e reciclagem dos materiais, todos, incluindo o plástico. Portugal nesse âmbito está um pouco atrasado olhando à taxa de reciclagem de apenas 30 por cento. Temos um longo caminho a desbravar sobretudo de mentalidade. No entanto, estou otimista e penso que a geração mais jovem dará lições neste tema. Temos essa preocupação sempre em linha de conta e por isso, através da Associação Águas Minerais e de Nascente de Portugal, assinamos o Pacto Português para os Plásticos, um acordo que defende e pretende incentivar a criação de soluções para uma economia circular. Está já em campo um projeto-piloto com 30 máquinas de reciclagem – tara em troca de dinheiro, que é algo que acredito que irá incentivar e fazer aumentar a taxa de reciclagem em Portugal. Além da diminuição do consumo de PET em toda a cadeia de produção, incorporamos 30 por cento de PET reciclado nas nossas garrafas cumprindo já as metas europeias delineadas para 2025. Outro exemplo é a eliminação do consumo de plástico retrátil na tara de cinco litros que nos permitirá deixar de enviar para o mercado cerca de 25 toneladas de plástico de embalagem por ano. Reduzimos em mais de 16 por cento o peso do nosso garrafão de cinco litros que permitirá poupar cerca de 100 toneladas de PET por ano.

Que mais?
Monchique vai lançar em abril uma aplicação para smartphones (IOS e Android) que envolve os nossos consumidores nesta questão da reciclagem. Criamos o conceito de #ecoselfie em que o consumidor tira uma selfie no ato de reciclar e ganha descontos. Penso que somos os primeiros a pensar neste jogo que incentiva e envolve o consumidor no ato de reciclagem. Acreditamos convictamente que a melhor abordagem ao plástico de embalagem passa pela reciclagem, desenvolvendo assim uma economia circular de reaproveitamento dos materiais que a indústria agradece e está ansiosa por ter disponível. Estamos ainda envolvidos em projetos de investimento em parcerias com outras empresas para descobrir outras formas de substituir o plástico e/ou aumentar o percentual de PET reciclado utilizado. Sendo um produto tão sensível como é a água, o cuidado na utilização destes materiais tem de ser calculado e muito bem medido. Aliás, a água deveria ser o último produto a entrar nesta guerra, contudo, pela dinâmica do sector preferimos estar na liderança.

Imagem inovadora pensada ao pormenor

Vítor Hugo Gonçalves, CEO da Sociedade da Água de Monchique, explica ao barlavento mais detalhes sobre a nova imagem de marca e como se irá posicionar no mercado.

«O rebranding da Monchique tem por objetivo a revitalização da marca, evidenciando as suas características distintivas. Não se trata de beber água, mas sim de beber Monchique. Este reposicionamento surge também da necessidade que sentimos de aproximar ainda mais a marca do consumidor e de estabelecer com ele uma ligação marcadamente emocional. A Monchique tem um posicionamento de mercado muito próprio. Queremos fazer diferente, gerar valor acrescentado e apostar nos valores da marca», diz.

«E quisemos comunicar isso de uma forma evidente aos nossos consumidores. Desenhamos uma nova identidade gráfica, onde o logótipo passa a ser mais clean, com lettering mais elegante e que tal como as novas embalagens segue os princípios da simetria e do equilíbrio. Já a célebre gota, ícone distintivo da Água de Monchique, assume agora um maior protagonismo, com o slogan Somos agora mais Monchique, mais pH 9,5».

Ainda de acordo com o responsável, «os rótulos são também eles recicláveis, impressos num material transparente para transmitir a fluidez da água e a elegância da garrafa. A nível cromático, a identidade da marca assenta na utilização da cor azul, que simboliza universalmente a água e o grená que é, desde há largos anos, a cor de destaque da Monchique, reconhecida pelas suas cápsulas».

O rebranding da marca foi acompanhado do desenvolvimento de um novo packaging, com alargamento da gama disponibilizada ao mercado em termos de tara e de materiais.

Assim, e ainda de acordo com o CEO, a partir deste ano, será possível adquirir Água de Monchique em embalagem de vidro (0,75 e 0,375). O desenho das novas garrafas Monchique assentou em dois grandes princípios, a simplicidade e a transparência.

«São mais simples, sem estrias e como tal mais transparentes», descreve. Além da nova imagem e das novas embalagens, há agora duas novas taras: 0,34, 0,51 e 0,72 (sport).