Acordeonista algarvio Nelson Conceição conquista troféu nos EUA

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Nelson Conceição, acordeonista algarvio, conquistou na madrugada de hoje, 3 de agosto, um troféu nos VIII International Portuguese Music Awards, na categoria de Música Instrumental, com o tema «Mister Machado»

A cerimónia decorreu online a partir de New Bedford, Massachusetts, nos Estados Unidos da América (EUA). Nem o acordeonista algarvio nem o barlavento estiveram nos EUA, na Gala de Entrega dos Troféus, mas estiveram juntos em Loulé a assistir a tudo.  

Os International Portuguese Music Awards têm por objetivo reconhecer e premiar músicos portugueses e de raízes portuguesas que gravaram os seus trabalhos e, dessa forma, eternizam composições capazes de inspirar audiências em todo o mundo. São 12 as categorias a concurso, às quais se junta uma extra para videoclips.

Nelson Conceição candidatou-se em duas categorias, a partir do seu disco «Descobrindo-me», e viu o tema «Mister Machado» conquistar um troféu na categoria de Música Instrumental.

Mister Machado, de Nelson Conceição. Best Instrumental Performance. IPMA 2020.
«Mister Machado», de Nelson Conceição. Best Instrumental Performance. IPMA 2020.

Foi Ricardo Martins, músico de guitarra portuguesa e natural de São Brás de Alportel, que chamou a atenção ao acordeonista para participar. «Ele insistiu comigo, para eu concorrer», frisa. 

E assim foi. Nelson Conceição propôs as duas primeiras faixas do disco: «Charolesca» e «Mister Machado», embora sem grandes expetativas. «Ficaram as duas nomeadas, ao contrário do que aconteceu com o videoclip da Charolesca, que não passou à final».

No início de abril, «recebi um e-mail a dar-me os parabéns e a convidar-me para estar presente na gala que estava marcada para o dia 25 de abril. Mas entretanto rebentou a pandemia e foi tudo cancelado. Acabei por receber o troféu por correio e gravar aqui em casa um vídeo para a gala online», acrescenta.

«Mister Machado», segundo Nelson Conceição, é um tema muito especial. É dedicado ao seu primeiro professor de música e de acordeão, que o ensinou durante 10 anos. E ainda hoje perdura grande amizade entre ambos. 

«Foi quase um segundo pai em alguns momentos da minha vida. É um tema com um toque afrancesado, como as valsas Musette, e com um ambiente jazzístico. Procurei assim interpretar o próprio professor, que é natural de Estoi mas esteve emigrado em França, onde aprofundou os seus estudos de acordeão, e também no Canadá, para depois regressar a Portugal», conta.

«Foi sempre um verdadeiro Mister para mim» e é também o pai de Paulo Machado, músico algarvio que participou no disco «Descobrindo-me», a par de Cristina Paulo, João Pedro Cunha, Luís Henrique, Ivo Martins, Cláudio Sousa e Ricardo Martins.

«Por tudo isto, é claro que este prémio me deixa muito feliz», afirma.

Nelson Conceição.
Nelson Conceição, durante a gravação do seu disco «Descobrindo-me».

Mas nem por isso Nelson Conceição deixa de ter os pés assentes na terra.

«Os prémios são muito bons, para o nosso ego e para termos uma avaliação externa do nosso trabalho. Mas não marcam a carreira de um músico. Temos de continuar a ser sempre ambiciosos e trabalhadores, não nos podemos acomodar e convencer que somos muito bons. Na verdade, o que marca a carreira de um músico são as suas músicas. Agora, claro que mexe comigo ver o meu disco ser uma vez mais reconhecido, depois de ter trabalhado imenso para lhe dar vida».

Mito Algarvio avança com 73ª Copa do Mundo de Acordeão

As boas notícias não acabam aqui. Tal como o barlavento tinha noticiado em fevereiro, a competição mais antiga e que reúne a elite de 50 países vai mesmo acontecer no o início de outubro no Algarve.

João Pereira, presidente da Mito Algarvio – Associação de Acordeonistas do Algarve, confirmou a realização da 73ª Copa do Mundo de Acordeão, apesar dos efeitos da pandemia da COVID-19.

João Pereira, presidente da Mito Algarvio.
João Pereira, presidente da Mito Algarvio.

«Temos feito um acompanhamento quase contínuo da evolução da pandemia em Portugal e em todo o mundo. Houve períodos de grande incerteza. Na semana passada tivemos uma reunião fundamental, na qual tomámos a decisão de avançar. Claro que nada é definitivo. Ninguém sabe o que vai acontecer até 5 de outubro, mas nas atuais condições consideramos que é possível avançar com o evento. A maior incerteza, neste momento, é saber se teremos ou não público presente a assistir a todas as provas, ou se apenas haverá transmissão online em tempo real para todo o mundo», explica.

«Queremos mesmo trazer a palco nomes de grande valor do acordeão mundial, até porque esta será também uma forma de dar um balão de oxigénio de motivação e visibilidade a artistas portugueses e estrangeiros que estão a passar por dificuldades», devido aos cancelamentos das suas agendas.

«Ao mesmo tempo que decidimos avançar», explica João Pereira, «tivemos de fazer alguns ajustamentos. Por exemplo, ficaram excluídas duas categorias de conjuntos de acordeonistas. Foi excluída a constituição de uma grande orquestra de acordeonistas de todos os países presentes e terão de ser reduzidas as comitivas de cada um dos países participantes».

Em contrapartida, «estamos convictos de que, cumprindo todas as recomendações em termos de segurança e apesar das restrições indispensáveis, será possível fazer no Algarve uma copa memorável», sublinha.

Outro ajustamento que vai surgir «é o envolvimento de outros municípios algarvios na programação. Muito provavelmente os concertos finais não serão em Castro Marim, como estava previsto, mas numa sala maior. Poderá ser uma forma de ter mais público e, sobretudo, de envolver toda a região».

Neste momento a Mito Algarvio e a Câmara Municipal de Castro Marim «estão finalizar toda esta programação» da 73ª Copa do Mundo de Acordeão.

Entretanto, «a verdade é que continuamos a sentir, nas reuniões da Confederação Internacional de Acordeonistas, que há uma enorme vontade em que haja Copa do Mundo em 2020. E da parte do executivo municipal castromarinense mantém-se um enorme empenhamento e a percepção de que esta é uma oportunidade única que não se pode perder. Eu posso até confessar que são sempre eles que não me deixam desmotivar-me em nenhum momento. Têm sido muito importantes» para tornar o projeto uma realidade.

Para cada um dos países concorrentes, há agora uma nova data no calendário dos apuramentos.

«Até 31 de agosto terão de acontecer todas as provas de apuramento, para que durante a primeira semana de setembro se possam fazer as inscrições. Portugal, porque é o país de acolhimento da Copa, deve manter um número de concorrentes próximo da dezena, mas outros países terão as suas vagas reduzidas para duas ou três. É uma pena, mas é indispensável para que consigamos garantir condições de segurança. Por outro lado, o nível das provas vai ser mesmo muito bom», conclui João Pereira, presidente da Mito Algarvio.