A «Casa das Virtudes» tem morada em Faro e abre portas aos artistas algarvios

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Novo espaço em Faro tem capacidade para 500 pessoas, uma biblioteca, e permite a que qualquer artista possa ensaiar, dar aulas, apresentar os seus trabalhos ao público ou apenas partilhar experiências. A «Casa das Virtudes» é, sobretudo, um palco aberto a todos.

O armazém número 8 do Passeio Ribeirinho, atrás da linha do caminho de ferro e não muito longe da estação de comboios de Faro, é agora um espaço dedicado às artes.

A «Casa das Virtudes» abriu portas este mês com o objetivo de «dar um impulso à cultura farense», diz Gérald Oliveira, lisboeta de 30 anos, formado em artes circenses, professor no Chapitô e um dos gerentes do novo espaço.

A ele juntou-se o bailarino do encenador Felipe La Feria, Ricardo Morujo, de 26 anos. A equipa junta ainda a proprietária do espaço, a cantora Brigitte, de 60 anos.

Novo espaço em Faro tem capacidade para 500 pessoas, uma biblioteca e permite a que qualquer artista possa ensaiar, dar aulas, apresentar os seus trabalhos ao público ou apenas partilhar experiências. «A Casa das Virtudes» é sobretudo, um palco aberto a todos.

Os três criaram o mais recente espaço da capital algarvia que tem a cultura como mote.

«Já conhecíamos a Brigitte há cinco anos e ela sempre teve vontade, como portuguesa e algarvia [de São Brás de Alportel] em criar um projeto cultural. Pensou fazê-lo em Lisboa, mas teve algumas complicações. Acabou por encontrar este espaço e disse que só iria seguir em frente se nós aceitássemos estar na equipa».

Em agosto, «adquiriu o armazém e nessa altura avaliámos a cultura em Faro e percebemos que as artes circenses precisavam de ser mais desenvolvidas. A ideia era desafiante e aceitámos. Começámos logo a desenvolver parcerias, a estruturar o projeto e este mês abrimos portas», explica Gérald.

E o que é a «Casa das Virtudes»? O professor responde: «a máxima é ter uma porta aberta para todos os artistas. Sabemos que cá em Portugal os artistas têm alguma dificuldade em arranjar um espaço para ensaiar, um espaço para desenvolver projetos e apresentar espetáculos. A génese do projeto é essa, termos todas as possibilidades e oferecermos tudo o que temos em mão para que todos os artistas possam cá ensaiar, apresentar, trabalhar, ter público. Esta é a máxima, desenvolver este conceito de Casa dos Artistas».

Assim, quem entra no armazém para beber apenas um café pode assistir a ensaios de acrobatas, malabaristas, pintores, fadistas, bailarinos, lançadores de facas e até cuspidores de fogo.

«Até a fachada do edifício foi feita por um artista de grafitti. O objetivo é o de juntar as artes e não catalogá-las. O conceito do novo circo passa mesmo por albergar todas as artes e essa é a nossa premissa. Até a gastronomia pode ser cultural e associada a espetáculos», explica Gérald.

Apesar de a «Casa das Virtudes» ter apenas algumas semanas de existência, há já alguns espetáculos agendados.

O primeiro decorre já no sábado, dia 25 de janeiro, às 21h30, a «Noite das Virtudes».

Um evento que será replicado todos os últimos sábados de cada mês, mas com uma particularidade: os artistas serão sempre diferentes e de categorias diferentes. Ou seja, na mesma noite, o público tanto pode ouvir um cantor, assistir a um bailado, ou até suster a respiração com acrobacias aéreas.

Mica Paprika.

«Estamos a falar de um espetáculo de variedades, onde o palco é aberto e qualquer artista se pode inscrever. Tanto é que já temos marcações para os próximos dois meses. O conceito é as pessoas estarem à vontade, sentarem-se até no chão, se quiserem e usufruírem do espetáculo. Isto tudo por apenas cinco euros», explicita Ricardo Morujo, que será um dos artistas a atuar na primeira Noite das Virtudes.

«Além de mim vamos ter a bailarina Rita Spider; a malabarista Jessica Barreto; o Mica Paprica com Vaudeville, a Lucy Ferdinad a engolir fogo, o acrobata Diogo Santos e a bailarina francesa Clara Zolesi».

A apresentação vai estar a cargo de Catarina Clau e Brigitte que abrirá a sessão a cantar. No fim do espetáculo, o bilhete dá ainda direito a um pós-festa onde o público poderá interagir com os artistas.

Um momento, que segundo o professor do Chapitô, é «fundamental. É o quebrar a barreira de centralizar o artista no palco e o público longe. Queremos também tornar a cultura acessível, que entre no quotidiano das pessoas e criar estas relações. Porque é que os artistas só podem ser vistos no palco? Acima de tudo somos pessoas e temos muito a aprender uns com os outros. É fundamental esta fusão», sublinha Ricardo Morujo.

A restante programação para 2020 ainda não está fechada, mas há já algumas certezas e ideias.

«Vamos ter exposições quando acolhermos artistas plásticos e queremos acolher espetáculos de circo uma vez por mês. Há muitos artistas com espetáculos em Portugal. Vamos ter também pessoas a treinarem cá diariamente de forma a criarmos a Companhia do Teatro das Virtudes. Queremos apresentar a nossa marca em festivais tanto em Faro, como fora».

«O objetivo é sermos uma companhia equilibrada, ou seja, que não haja o malabarista, o acrobata, a ideia é que todos desenvolvam todas as competências. Será a identidade da Casa das Virtudes», refere o Ricardo Morujo.

«Há Festivais de circo, de dança contemporânea, dança urbana, entre outros. Queremos ir a todos, com a nossa própria marca», garante.

Em relação à adesão por parte dos artistas, segundo os responsáveis , não podia ser melhor.

«Tem sido imensa e sentimos que a comunidade artística está a vibrar com este projeto», sublinha.

«A Casa das Virtudes é um espaço que fazia falta a Faro e ao Algarve. A nossa visão e consoante a bagagem que trazemos e as necessidades a nível artístico que sentimos em Portugal, acreditamos em projetos humanos, como este. Não queremos funcionar em modo bolha. Acho que como agentes culturais e como artistas temos uma missão junto da sociedade e da população», conclui Morujo.

A «Casa das Virtudes» está aberta de segunda a sexta-feira, das 11h00 às 17h00. O restante horário é para os espetáculos.

Ensaiar na «Casa das Virtudes» é possível e sem custos

A «Casa das Virtudes» é o mais recente espaço em Faro dedicado à cultura e a qualquer tipo de artes e artistas. Quem tiver interesse em usufruir do espaço para ensaiar, Gérald Oliveira, um dos gerentes, explica ao barlavento como qualquer interessado poderá fazê-lo.

Depois de um primeiro contacto «avaliamos as necessidades e tentamos conjugar o espaço com os outros artistas. Evitamos sempre reservar em exclusividade porque a sala é grande e achamos que deve servir para todos. Tentamos compatibilizar de maneira a que haja espaço e condições para todos, de forma a que não choque com a nossa programação. A partir daí é só aparecer. Se os artistas não tiverem seguro individual, temos um seguro que permite que se pague um valor anual. Fora isso, não há qualquer custo associado. O que pedimos, é que no final da residência seja apresentado resultado numa Noite das Virtudes. Não usufruindo do espaço, cada apresentação tem direito a 10 por cento da bilheteira», explica.

Recepção «calorosa» por parte da Câmara Municipal de Faro e do Teatro das Figuras

O novo espaço de Faro, uma espécie de casa dos artistas, acaba de abrir, mas foi em setembro que o projeto começou a ganhar forma e a dar-se a conhecer à autarquia e às estruturas culturais já existentes na capital algarvia.

O lisboeta Gérald Oliveira, professor de artes circenses e um dos gerentes do espaço, sublinha que «temos sido bem acolhidos em Faro, tanto pela Câmara Municipal de Faro como pelo Teatro das Figuras, com quem já fidelizámos algumas parcerias. Vamos dinamizar em julho as oficinas de verão e estamos a acolher o projeto comunitário O Teatro de Vizinhos. Estamos a gostar muito de Faro, e achamos que a nível autárquico há muita iniciativa, como o Festival F. Chegámos, apresentámo-nos à Câmara, na semana a seguir estavam cá para nos conhecerem e no dia a seguir fomos ver o Teatro».

«Aliciaram-nos com pedidos para o Festival F, o Festival das Açoteias, para as colónias de verão e entretanto também devemos participar no Menina Estás à Janela, em fevereiro e maio. Foi uma recepção muito calorosa tanto a nível pessoal como profissional. Tem sido muito agradável estar aqui. Sentimo-nos muito bem acolhidos e acima de tudo vimos a possibilidade de realizar aqui a ideia que trouxemos. Não sentimos que houvessem barreiras».