Clube de Ténis de Mesa de Lagos chega ao escalão máximo

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Bastaram sete anos desde a fundação para o clube algarvio se afirmar entre os melhores do país na modalidade.

Em julho de 2013, nove amigos, amantes e praticantes de ténis de mesa, decidiram abandonar o clube lacobrigense onde militavam e que, segundo eles, não lhes proporcionava as condições desejadas. Fundaram um novo clube, dedicado apenas a essa modalidade, assim nascendo o Clube de Ténis de Mesa (CTM) de Lagos.

Segundo Paulo Rocha, um dos fundadores e atual presidente, o clube tem cerca de 45 atletas, com idades compreendidas entre os nove e os 87 anos, em vários escalões e
classes que vão da formação à competição, alta competição, veteranos e desporto adaptado desde 2016, com dois atletas.

«Como acontece com qualquer clube que se inicia, começámos a competir nos distritais e a apostar na formação. Fomos campeões regionais nos três primeiros anos, mas só ao terceiro conseguimos subir à segunda divisão nacional. Isto, porque é feito um torneio entre os vencedores dos regionais da zona sul, que inclui Lisboa, para apurar quem sobe. Militámos dois anos na 2ª divisão e um ano na divisão de honra. Este ano, subimos à 1ª divisão nacional, o escalão máximo, o que nos dá grande prazer e alegria», contabiliza.

Como curiosidade, o clube apenas substituiu um atleta durante os últimos três anos e o treinador principal tem sido Luís Santos, um dos fundadores e vice-presidente. «O nível de exigência da primeira divisão é muito maior. É disputado por jogadores profissionais e terão
de treinar duas a três vezes por dia, o que vai obrigar a uma maior disponibilidade de condições de treino. O CTM Lagos já contratou o treinador Pedro Cruz, professor de educação física e um dos melhores treinadores nacionais da modalidade. Virão atletas de fora, estando prevista a contratação de um atleta moldavo, um nigeriano e dois portugueses. Três dos atletas são sub-21, atletas que gostam muito de treinar para evoluir.

Foi o melhor que conseguimos, com o curto espaço de tempo que tivemos para preparar a época, mas estamos convictos da nossa manutenção», diz ainda Paulo Rocha.

E como consegue um pequeno clube de uma cidade periférica os meios para o sucesso?Sem instalações próprias, a equipa principal treina no Pavilhão Municipal de Lagos e os mais jovens na Escola EB 2/3 das Naus, onde dizem «ser muito bem recebidos». Treinam três horas diárias, incluindo o sábado. «Temos de agradecer muito à Câmara Municipal de Lagos», comentou Paulo Rocha.

«Acredito que não seja fácil, muitas vezes, as autarquias darem tudo aquilo de que os clubes necessitam. No nosso caso, foi passo a passo, fruto do nosso trabalho e dos resultados obtidos, que fomos recebendo mais facilidades para treinos, competição e até a nível financeiro.

Começámos com a possibilidade de três dias de treino semanal, passámos para cinco mais o uso do Pavilhão Municipal para treinos matinais. Houve abertura a estágios com atletas
estrangeiros. Também tivemos bons apoios e parcerias com as empresas locais, mas sem a autarquia, desde o Gabinete do Desporto ao atual presidente e à sua antecessora, não teria sido possível chegar aqui à velocidade com que chegámos».

Mas o CTM Lagos também tem feito um bom trabalho de divulgação, com algum retorno
financeiro para a cidade, através da realização de eventos ligados à modalidade. O seu torneio, em que participam cerca de 300 atletas, já vai na sétima edição.

Na época 2019/2020, acolheu a final da Taça de Portugal e do Campeonato Nacional
individual de seniores e infantis. Só a COVID-19 impediu a final do circuito mundial
de veteranos, para participantes a partir dos 40 anos de idade, que ainda só se realizou
em cinco cidades e movimenta cerca de 5000 participantes de todos os continentes.

De qualquer modo, esperam que seja remarcada para Lagos, quando a situação
estabilizar. «Porque a atividade do nosso clube não está só virada aos seniores. Conquistámos, nestes anos, uma grande percentagem dos títulos regionais nas classes de
formação».

O ténis de mesa também é uma modalidade muito inclusiva, de tal modo que a sua prática como desporto adaptado versa 11 categorias. Qualquer tipo de criança o pode praticar.

O CTM Lagos, que já tem dois atletas com limitações a treinar, desde 2016, vai iniciar a secção de POLYBAT, ou ténis de mesa lateral, em cooperação com a autarquia lacobrigense, o agrupamento de escolas Júlio Dantas, o Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) e a Federação Portuguesa da modalidade. Esta versão permite até que um atleta conceituado possa jogar com crianças com limitações.

E, assim, consegue impor-se entre as os melhores, a nível nacional, com valências que muitos clubes grandes não possuem.