Algarve regressa ao circuito de competições de Windsurf

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Depois de o Campeonato Nacional de Windsurf Slalom 2020 se ter realizado em Sagres, é agora a vez de Lagos acolher uma competição que começa hoje.

Depois de o Campeonato Nacional de Windsurf Slalom 2020 se ter realizado na passada semana na Praia do Martinhal, em Sagres, concelho de Vila do Bispo, numa organização do Clube Naval da Fuzeta e da APWind – Portuguese Windsurfing Association, é agora a vez de Lagos receber uma competição.

Trata-se de uma prova do Campeonato Nacional Formula Windsurfing – Campeonato Ibérico 2020 e a 3º Etapa e Taça AFWP da Prova Campeonato Nacional Formula Foil, que acontece de 6 a 9 de agosto.

Ouvido pelo barlavento, Vasco Chaveca, presidente da Formula Windsurfing Portugal, que se iniciou na vela aos seis anos e no Windsurf aos nove, tendo competido em ambas, em simultâneo, durante vários anos, explica a diferença entre as formula fin e formula foil, naquele desporto.

«Nos anos 1990, apareceu o conceito de formula Windsurf, com uma técnica de construção que permitia usar pranchas e velas mais pequenas e mais rápidas e voltar a fazer a ligação às federações de vela. Construíram-se pranchas mais largas, e substituiu-se o leme por um fin mais comprido, uma pequena quilha», que permite fazer as mesmas regatas que os barcos à vela, com os mesmos percursos, velejando com vento mais fraco, voltando a integrar a modalidade nos clubes de vela.

«Com oito nós, cerca 15 quilómetros por hora, já se pode competir, enquanto se necessitava de 20 nós para as outras pranchas».

O sucesso da Formula Windsurfing foi tal, que os profissionais aderiram à classe e começou a ser usada pela elite nos circuitos profissionais e mundiais, porque permitiam fazer mais regatas, atraindo mais patrocinadores. Apenas a classe olímpica é diferente.

Neste momento, está a decorrer uma nova revolução no Windsurfing, com as pranchas foil.

A diferença base é a substituição do fin, que não era superior a 70 centímetros, pelo foil, que mede entre 95 centímetros e 1,05 metros de altura.

Segundo Vasco Chaveca, «é como se fosse um leme com asas, para ajudar a prancha a levantar voo, permitindo maior velocidade, principalmente com vento fraco, porque temos menos resistência dentro de água. Mas, com vento forte, dá-se o efeito contrário. O atrito da prancha dentro de água vai fazer acelerar muito mais».

O conceito foi adaptado pelo Comité Olímpico e a Formula fin está a sofrer em termos competitivos internacionais. Vasco Chaveca lamenta que haja pouca juventude a aderir a este desporto.

«Esse problema existe só em Portugal, porque na Europa há campeonatos juvenis, até aos 18 anos, com 400 pranchas em competição. É raro ver um atleta português e os poucos que aparecem são da Madeira. É o caso de João Rodrigues, que impulsiona muito a modalidade no arquipélago».

«No continente, essa lacuna deve-se ao divórcio que aconteceu entre os clubes, a federação de vela e a modalidade. Só quando a formula já estava bem integrada e a ter resultados internacionais é que a federação mudou a sua perspetiva. A federação apoia os clubes para terem barcos da classe optimist ou laser para os jovens se iniciarem na vela, e conseguem obter algum dinheiro com os contratos-programa. No Windsurf, não havia provas para miúdos, nem apoios, e os clubes não investiam na classe», explica.

Há cerca de dois anos deu-se uma inversão, com a classe Bic Techno para os mais jovens, e a federação investiu e entregou algum material aos clubes, a fundo perdido, para começarem com as escolas de Windsurf.

«Mas, neste momento, estão a lançar uma prancha com foil para os olímpicos e também para os miúdos. Todos os jovens que se iniciaram na Bic Techno têm que recomeçar tudo. E onde estão os treinadores com capacidade para ensinar a nova modalidade?».

Em Sagres, pela primeira, foi atribuído um título nacional para jovens menores de 18 anos. Guilherme Chaveca ficou em 3º e Rodrigo Fonseca em 4º, ambos atletas do Clube Naval de Portimão.