Rui Sinel de Cordes: «Algarve é sempre um ponto alto»

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Ao seu estilo, sem filtros e frontal, o humorista lisboeta de 39 anos fala da região algarvia, abordando ainda os últimos acontecimentos na sua carreira e o espetáculo que traz ao Portimão Arena no sábado, dia 15 de fevereiro.

barlavento: Como surgiu na sua vida o humor, no sentido profissional?

Rui Sinel de Cordes: Estava a estudar comunicação e primeiro ganhei o gosto pela escrita humorística. Mais tarde, pelo stand-up comedy. É verdade que desde que criança que vinha manifestando um sentido de humor diferente do habitual, mas só aos 25 anos é que decidi dedicar-me a 100 por cento e a olhar para o humor como uma profissão.

Fez um «retiro» do nosso país e andou por terras britânicas. Que tem a contar sobre essa experiência?

Há muitos anos que queria ter a experiência de fazer stand-up em inglês e ter ido para Londres foi a melhor decisão da minha vida. Nem tudo correu como esperava, encontrei diferenças e dificuldades distintas de Portugal, mas o balanço final é muito positivo. Não há muitas diferenças no sentido de humor de portugueses para ingleses ou até mesmo para iranianos e sírios. Isso foi algo que eu não sabia e descobri lá.

Hoje assistimos a imensos ataques a artistas de vários quadrantes. Como é que um criador desempenha o seu papel nestes termos?

Exatamente como antigamente. Fazendo aquilo em que acredita e que considera correto, sabendo que haverá sempre quem não compreenda ou se oponha. Não há outro caminho.

Já sentiu na pele ataques de certas fações da sociedade. Deu, aliás, conta disso na sua última tournée. Sentiu que estavam colocar-lhe uma mordaça e a atacar a sua liberdade de expressão?

Ficou evidente para mim que o último processo de que fui alvo se tratou apenas de uma perseguição pessoal levada a cabo pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género. Perderam, como eu acredito que felizmente perderão todas as pessoas que acham que a liberdade de expressão e a liberdade artística são coisas para serem usadas a espaços.

Existe alguma falta de «corporativismo» entre humoristas e artistas no geral?

Falta de corporativismo é bonito e pomposo, mas não é a melhor maneira de descrever o que se passa. O que existe é falta de tomates da maior parte dos artistas.

Cada vez há mais humoristas e aspirantes a proliferar um pouco por todo o lado, sobretudo nas redes sociais. É uma moda e, daqui a uns tempos, haverá uma seleção natural que eliminará os menos aptos?

Quantos mais, melhor. Essa seleção natural acontece em todas as artes e o stand-up não é exceção.

Foto: Nuno Fontinha

Sobre o Algarve… defende a opinião banalizada que «só tem praias»?

Tenho tendência para romantizar as zonas do país consoante a qualidade do público que aparece nas salas. Antes ligava a praias e bonitas planícies, agora gosto mais ou menos de ir aos sítios consoante as boas memórias de noites de comédia que lá passei. E seguindo esse modelo de pensamento, o Algarve é sempre um ponto alto em todas as tournées!

No último ano esgotou a lotação do Teatro das Figuras, em Faro, com o Memento Mori. Agora traz o novo espetáculo mas apenas a Portimão. Porquê?

Teve a ver com a falta de disponibilidade de datas do Teatro das Figuras, que só quis receber um dos dois espetáculos. Como «O Início» e «É o Fim» estão totalmente relacionados, achei que não fazia sentido ir ao Algarve fazer apenas um. Sendo assim, encontrámos na Arena de Portimão um bom local, que já conhecemos e que vai permitir às pessoas do Algarve acompanhar as duas tournées.

Que pode esperar o público neste «Início»? Em relação a «É o Fim», que também passará por cá, qual é o fio condutor entre ambos?

O fio condutor é a humanidade, primeiro num resumo de tudo o que fizemos e depois numa perspetiva de futuro, para onde vamos e em que condições vamos lá chegar. O primeiro será um resumo da história do mundo vista pelos meus olhos, no segundo tentarei trazer um pouco de luz ao caminho que ainda nos espera.

Ser considerado o «Rei do Humor Negro» é o auge de todo o reconhecimento, ou ainda quer ir mais além?

Quando oiço «Rei do humor negro» não gosto, sinto sempre que «do humor negro» está a mais [risos]. Mais a sério, eu não me preocupo nada com rótulos, nem sequer penso nisso quando estou a produzir o que quero apresentar. Também já me chamaram tanta coisa, habituei-me a não ligar nem ao bom nem ao mau.

Quer desvendar o véu sobre projetos para o futuro? Penso que duas tournées num ano chega bem para projetos de futuro, para já. Há muita coisa ainda por fazer, mas estou 100 por cento dedicado. Nada mais entra na minha cabeça até final do ano. Temos

«O Início» em Portimão

Rui Sinel de Cordes sobe ao palco do Portimão Arena no dia 15 de fevereiro, sábado, a partir das 22h00. O espetáculo marca «O início» de um solo duplo de stand-up comedy partido em dois, com seis meses de intervalo, que terá o seu «Fim» no Outono.

Esta atuação «relata toda a história da Humanidade até 2020, vista pelos olhos de Rui Sinel de Cordes como ele acha que tudo aconteceu». Com uma classificação etária interdita a menores de 16 anos, os bilhetes têm um custo de 18 euros para a plateia e 16 euros para a bancada. Podem ser adquiridos aqui.