Ruben Barroso e a arte de fazer fotomontagens únicas

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Exposição original de fotomontagem, de seu nome «Discreto» está patente na Studio Gallery, em Portimão, até final do mês.

Ruben Barroso, portimonense de 32 anos, viveu a infância e a adolescência na Mexilhoeira Grande, aldeia que traz gravada no seu íntimo. É casado e pai de um menino de seis anos.

«Muito miúdo, ia aos cafés arranjar rolhas de garrafas. Havia umas em plástico, que pareciam chapéus, e eu criava bonequinhos, que vendia. Com a caneta, fazia os olhos e a boca. Arranjei uma bancada de venda, que era uma grade de cervejas vazia. As pessoas achavam piada e compravam», relembra, frisando que a sua veia artística começou logo na tenra idade.

Daí às obras de composição fotográfica, foi um longo caminho, que se iniciou ainda na adolescência, por um mero acaso, ao descobrir um programa de edição de imagem, no computador de um amigo.

«Fiquei apaixonado e, como já tinha feito um curso básico de fotografia na CLCC, em Portimão, o que me permitia tirar fotos com alguma qualidade, agarrei nelas e comecei a fazer colagens. Parecia que estávamos a cortar revistas e a colar os pedaços, uns em cima dos outros. Mas, na altura, achávamos aquilo bom e as pessoas gostavam», recorda.

Atualmente, Ruben usa fotografias suas e outras que compra em bancos de imagem online, para compor trabalhos únicos, a preto e branco, tornando reais as cenas irreais que a sua imaginação cria.

Porquê apenas o monocromático? «Gosto mais do estilo antigo. Vivi numa aldeia, durante 18 anos, onde algumas pessoas fotografavam, mas apenas a preto e branco, e ganhei a paixão pelo género. Podemos compor com imagens captadas com vários tipos de luz e dar realce a certos pormenores. E o preto e branco destaca melhor as texturas, proporciona mais força ao quadro. Se passasse para a cor, já não seria a mesma coisa. Seria outro projeto e teríamos outra visualização. Vou continuar com o preto e branco», assegura.

A composição digital é um trabalho que requer muita atenção, calma e sossego. Na altura da precisão, um pequeno deslize e tem de repetir tudo. Ruben Barroso tem um trabalho a tempo inteiro e dedica-se à sua arte nos tempos livres, em casa.

«Tenho um filho que é um orgulho, mas que a nível de trabalho já não nos permite aquele sossego de que necessitamos. Durante as férias e vários fins de semana, vamos passear para o Alentejo, para casa dos meus sogros. Lá, consigo ter paz e vou para as minhas criações. Precisamos de muita concentração, muita precisão, paciência e amor, que já cá está, para conseguirmos fazer esses trabalhos».

Neste momento, Ruben já tem o seu próximo projeto definido. Criará uma imagem única do concelho de Portimão, que se inicia com a Mexilhoeira Grande, e que vai incluir Portimão e Alvor. Tudo com material próprio. Segundo o artista, irá explorar vivências, a história do concelho e as belezas turísticas, em zonas onde os residentes habitualmente não vão. «Vou tentar criar um pouco de tudo. Temos muita coisa bonita para ver e que muita gente desconhece. Vai ser bastante interessante», prevê.

Um projeto para ser feito ao longo de quatro ou cinco meses, terá 15 ou 16 quadros finais, para os quais serão tiradas mais de 1000 fotografias.

O «barlavento» quis saber que conselho daria o Ruben Barroso a alguém que queira dedicar-se à composição digital. «Diria que seguisse essa vontade e que nunca perdesse a esperança. Não é por ouvirmos críticas que vamos pensar em desistir. As críticas são construtivas. Juntando toda a pedrinha que apanhamos, ao longo do caminho, conseguimos construir um grande castelo. Nunca desistam. Eu ouvi muitas críticas. Para mim foi bastante bom e ainda hoje gosto de ouvi-las, porque é a minha maneira de melhorar. Façam o que gostam, não olhem para trás. É sempre para a frente», recomenda.

Segundo disse ao «barlavento», a terminar a conversa, não estava planeado vender a sua arte. «Tinha um casulo dentro de mim que se abriu, e a minha intenção era que as pessoas observassem o meu trabalho e soubessem um pouco daquilo que tinha aprendido e que sei fazer. A minha arte estava um pouco escondida e, neste momento, já está visível».

Quem quiser conhecer a obra do Ruben Barroso, poderá fazê-lo na Studio Gallery, até 25 de novembro, no horário de expediente. Quem não o conseguir, ainda poderá ver a exposição no Clube Recreativo da Mexilhoeira Grande, nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro.