Novo catálogo revela dados inéditos sobre vida e obra de Carlos Porfírio

  • Print Icon

Museu Municipal de Faro publica obra que reúne contributos de Fernando Rosa Dias e Luís Lyster Franco.

Uma inesperada movida modernista, protagonizada por gente muito jovem, surgiu no Algarve, pouco antes de varrer o panorama artístico nacional, no início do século XX.

Esta é, aliás, uma das conclusões apresentadas no catálogo da exposição «Carlos Porfírio, Diálogos do Modernismo (1914 – 2014)», patente no Museu Municipal de Faro, e apresentado naquele equipamento cultural na tarde de sábado, dia 15 de junho.

Ouvido pelo «barlavento», Marco Lopes, diretor do Museu, explica que a publicação «traz muitas novidades, desde logo as várias relações que o pintor Carlos Porfírio estabeleceu com o círculo futurista lisboeta. Sabíamos que havia um relacionamento e diálogo com o Almada Negreiros, com o Amadeo de Souza-Cardoso, com Santa-Rita Pintor, e até o Fernando Pessoa. Mas através destas investigações vamos perceber que ele teve um papel mais ativo, quase de mediador, entre Faro, que já era uma periferia não só cultural mas do futurismo, com Lisboa, que era uma periferia do futurismo internacional.

Este facto está agora documentado e justificado por dois especialistas. Um deles é Fernando Rosa Dias, professor universitário e comissário da exposição, «que já trazia uma larga investigação» anterior.

Além deste especialista, o catálogo conta com textos de Luís Lyster Franco, professor de Belas Artes e investigador, que aliás, tem um grande acervo de família.

«Há muita correspondência trocada com o jornalista Mário Lyster Franco, e dá para perceber os primórdios do futurismo, através de cartas de pessoas como o Fernando Pessoa, que enviou um exclusivo para ser publicado no jornal O Heraldo, de Faro. O Carlos Porfírio estava, portanto, na vanguarda», sublinha Marco Lopes.

A exposição, patente até setembro, demorou dois e meio anos a reunir. Isto porque muito do espólio estava disperso.

«Essa foi uma das grandes dificuldades. O que estamos habituados a ver é uma produção artística mais tardia dos anos 1950 e 60. No entanto, sabíamos pelas várias investigações que havia obras dos anos 1910 e 20».

A questão era: «onde estavam? Durante muito tempo tentámos localizar, e descobrimos que a maior parte estão em coleções privadas e particulares e em leiloeiras (que tentámos seguir o rasto mas a determinada altura não foi possível conhecer o paradeiro) e muito poucas em instituições conhecidas. Um das poucas obras que temos aqui exposta é da Gulbenkian, estava em reserva, e agora está ser mostrada pela primeira vez», revela o diretor do Museu Municipal de Faro.

Até ao final do ano, segundo Marco Lopes, serão lançados novos catálogos.

«Está prestes a sair um dedicado à sala do mosaico romano do Deus Oceano. Já temos um conjunto de publicações sobre as salas de exposição da área da arqueologia, mas ainda não tínhamos uma sobre esta sala, que recentemente levou um acrescento de informação e peças, e sentíamos necessidade de o contextualizar», explica.

Outra novidade será um estudo completo sobre a coleção de cartazes de cinema reunidos pelo farense Joaquim António Viegas, antigo cenógrafo em Lisboa, que conseguiu alguma notoriedade, no princípio do século XX, e que está na reserva do Museu Municipal de Faro.

«Esta coleção já fez correr rios de tinta, foi amplamente discutida. Está para ser publicada desde o tempo do presidente José Apolinário. É um estudo e uma investigação que já está pronta, e que agora temos oportunidade de publicar. Será com o apoio da editora Caleidoscópio, associada a temas do património e da cultura. Fará a distribuição pelo circuito nacional e internacional. É obra para 200 ou 300 páginas», avança.

O catálogo reúne contribuições de vários autores, sob coordenação de Adelaide Ginga, conservadora no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado.

Em novembro, sairá também o catálogo da parceria do ciclo de arte contemporânea A Arte Faz Bem?, com curadoria da Artadentro, realizado em colaboração com o Museu Municipal de Faro e apoiado pelo Município de Faro.