Inquisição de Lisboa é mote para livro apresentado na Biblioteca de Loulé

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A Biblioteca Municipal Sophia de Mello Breyner Andresen, em Loulé, recebe nesta sexta-feira, 11 de janeiro, às 18h30, mais uma sessão da rubrica «Livros Abertos». Desta vez, será apresentado o livro «A Inquisição de Lisboa (1537-1579)», de Daniel Norte Giebels.

Muitas páginas foram escritas sobre o impacto da atividade da Inquisição portuguesa. Poucas, porém, revelam o interior dos seus tribunais distritais, sendo o de Lisboa aquele que, até à publicação desta obra, menos se conhecia e, no entanto, mais importava conhecer, considerando a precedência e centralidade que assumiu durante o processo de estabelecimento da Inquisição em Portugal.

Este livro é o primeiro estudo monográfico sobre a Inquisição de Lisboa. A abordagem quis-se inédita, procurando uma visão integral do funcionamento do tribunal entre 1537 e 1579, recorrendo a um exaustivo trabalho de levantamento de fontes régias, eclesiásticas e inquisitoriais, como os 3000 processos que foram consultados.

O leitor poderá conhecer quem eram os servidores que compunham os quadros humanos do tribunal, as funções que desempenhavam, os vencimentos que auferiam, as suas proveniências familiares, profissionais e académicas. Será depois «convidado a visitar os recantos do auditório e cárceres, testemunhando as vivências que enchiam esses espaços. De seguida, deter-se-á, certamente, nos balanços de receita e despesa que nem sempre viabilizaram o seu funcionamento», conta o autor.

Terminada esta incursão pela organização interna, «observará, finalmente, a máquina inquisitorial em atividade, desde os mecanismos de vigilância à prática processual e penal. Transversais a toda a leitura, as relações que o tribunal foi estabelecendo com outros poderes, como a Coroa, a Igreja, as Ordens Religiosas e Militares».

Daniel Norte Giebels doutorou-se em Altos Estudos em História – época moderna, pela Universidade de Coimbra, com tese desenvolvida com recurso a uma bolsa da Fundação para a Ciência e Tecnologia e aprovada com Distinção e Louvor por um júri internacional de especialistas sobre a Inquisição.

Fez o mestrado em História Moderna na mesma universidade e licenciou-se em Património Cultural pela Universidade do Algarve. O seu percurso académico e científico, enquanto investigador do Centro de História da Sociedade e da Cultura (UC) e do Centro de Estudos de História Religiosa (UCP), tem sido dedicado ao estudo da Inquisição e da Igreja em Portugal, com trabalhos publicados em revistas científicas e em conferências nacionais e internacionais.

Em 2015, foi vencedor ex aequo do 1º Prémio Nacional de Ensaio Histórico António Rosa Mendes, com a obra «D. João de Melo e Castro (? – 1574) – Estudo prosopográfico e reconstituição das dinâmicas de poder em Portugal de meados do século XVI».

A apresentação da obra estará a cargo de Nelson Vaquinhas, e a entrada é livre.