Fuseta acolhe diálogo entre fado e samba no Festival Pé na Terra

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É já na próxima quinta-feira e até domingo (de 13 a 16 de junho) que a vila algarvia volta a acolher o festival para a sua oitava edição, organizado pela Associação Danças na Terra.

Desta vez, a temática do festival incide sobre o planeta Vénus, «símbolo do amor e da feminilidade». Para «homenagear, enaltecer e valorizar o trabalho artístico e a expressão no feminino», os participantes serão convidados a refletir sobre o tema e a apreciar os vários trabalhos de grandes mulheres.

Entendido como um estímulo à experimentação de linguagens e processos criativos nos campos da música e da dança, o intercâmbio entre artistas e sociedade de países diversos fomenta a produção, a fruição e a troca cultural, ao mesmo tempo que amplia a perceção do público sobre a diversidade entre culturas.

O Festival Pé na Terra tem como objetivo «promover visibilidade aos conteúdos culturais dos países lusófonos, criando um intercâmbio entre participantes de diversos países, população local, grupos e artistas de Portugal, África e Brasil, numa interação única e que envolve o público», bastante diversificado e oriundo de muitos países, como da Grécia, Noruega, Rússia, Inglaterra, França, Espanha, Bélgica, Moçambique, Angola, Brasil, entre outros.

Nesta edição, além do Palco Principal colocado na Zona Ribeirinha, será instalada uma tenda na Praia dos Tesos – a «Tenda Lua Branca» – e haverá algumas novidades, com o Circus Vagabunt, que é um espaço dedicado às artes circenses, o Espaço Circus, com diversos workshops para todas as idades, prometendo pôr toda a gente «de pés no ar», com oficinas de trapézio e slack-line para adultos.

A construção de uma gigante Pirâmide Humana, com todos os participantes e artistas desta edição, será um dos pontos altos do festival, que, tal como nos anos anteriores, contará com workshops de danças afro-brasileiras, maracatu, capoeira, pandeiro e a novidade frevo, com a cantora, compositora e dançarina Flaira Ferro, que do Recife (Brasil) traz esta dança vigorosa e tradicional do carnaval pernambucano.

No sábado, ao final da tarde (19:30), haverá o tradicional e vistoso cortejo de maracatu pelas ruas da Fuseta.

Pelo palco principal, no dia 13 (quinta-feira), irão passar Roberta Espinosa, que junta jazz, ciranda, funk e ijexá no mesmo samba e irá promover o seu mais recente trabalho «Tá Fazendo Falta!», e o Coletivo Negras Aurora, composto por cinco artistas mineiras com o propósito de apresentar composições e destacar a presença e trabalho de mulheres negras na sociedade.

Na sexta-feira, dia 14, estará em palco um projeto intitulado «Se O Fado Virasse Samba», que une pontos de convergência entre o ex-libris português e a dança brasileira, considerando as peculiaridades de cada género e mostrando as muitas temáticas em comum, traçando paralelos entre determinados ritmos lusitanos e brasileiros, como por exemplo o fado mais ligeiro e a marcha rancho pela voz da portuguesa Teresinha Landeiro e da brasileira Camila Masiso, e a participação especial de Madalena Gomes.

Nazaré Pereira também irá passar pelo Palco Principal para cantar os sons das regiões Norte e Nordeste do Brasil, marcados pela força do carimbó, aliado a outros ritmos como maracatu, xaxado e baião.

No dia 15 junho (sábado), o forró de Tati Veras, líder da consagrada banda Raiz Do Sana que vem ao Pé na Terra mostrar o seu trabalho a solo, intitulado «Tati a Veras».

A festa continua depois com o projeto «Samba Que Elas Querem», um grupo que nasceu de um desejo de protagonizar o sexo feminino no cenário do samba carioca.

No último dia do festival, domingo, 16 junho, irá ser servida «Sopa de Pedra», um grupo de investigação musical composto somente por mulheres que criam e interpretam, à capela, arranjos originais da música popular portuguesa.

Depois sobe ao palco Mart’nália, que canta Vinícius de Moraes, amparada nos arranjos de Celso Fonseca em parceria com Arthur Maia. «Tonga da Mironga», «Maria vai com as outras», «Um pouco mais de consideração», «Minha namorada», «Sabe você» ou «Você e eu», serão alguns dos temas que serão entoados na Zona Ribeirinha. O festival encerra com o forró do grupo Nosso Som, fundado em 2018.

Na Tenda Lua Branca, na Praia dos Tesos, a festa prolonga-se pela madrugada.

O Festival Pé na Terra conta com o apoio da União de Freguesias de Moncarapacho e Fuseta, que ao lançar o repto em 2014, à organização, para a mudança de local – da Escola Dr. João Lúcio para a Zona Ribeirinha – deu um contributo importante para sua afirmação e crescimento no panorama cultural do Algarve, e criou uma envolvência com a população residente na freguesia, que tem entrada gratuita.