Filipe da Palma: «qualquer exposição que faça mostra Olhão»

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«Algarve Sortido Rico», a mais recente exposição de Filipe da Palma, mostra-se ao público no Museu Municipal de Olhão – Edifício do Compromisso Marítimo, até 15 de maio.

A mostra, inaugurada sexta-feira, dia 31 de janeiro, não deixa o visitante indiferente aos pormenores captados pela lente do fotógrafo algarvio.

«Pela primeira vez, nesta exposição, mostro fotografias com pessoas, o que não é comum. Mostro, à semelhança da arquitetura algarvia, muito datada e que está a desaparecer, pessoas em atividades já pouco usuais, que tendem a desaparecer. Já ninguém vai comprar uma carroça e poucos fazem empreita”, justifica o fotógrafo Filipe da Palma, que se diz «apaixonado» por Olhão.

«Estou completamente preso a Olhão, adoro fotografar aqui. Qualquer exposição que eu faça mostra Olhão…», revela o fotógrafo, para quem, «tendo sido esquecido pelo turismo que surgiu nos anos 1960, Olhão conseguiu ficar preservada. Fotografo muito em Olhão, mas cada vez que cá venho é uma descoberta, há sempre novidades. Há sempre alguém que me convida a subir à açoteia, de onde se tem uma visão diferente da cidade», ilustra o autor.

«É no povo, em sua espontaneidade, em sua autenticidade, mais do que em qualquer outra classe, que podemos encontrar os elementos da cultura por que esta melhor se define e não na sofisticada sociedade das letras». A frase de Viegas Guerreiro é uma das muitas citações que Filipe da Palma juntou às fotografias que mostram a região do Algarve.

«Pela primeira vez, junto às imagens o texto. Gosto mais do texto do que da imagem. Acho que não sou grande fotógrafo, tenho é áreas específicas de que gosto»; assim justifica o autor a ligação das palavras de autores conhecidos às suas fotografias.
«A minha primeira paixão é o Algarve, a fotografia serve para mostrar esse Algarve. Identifico-me com cada citação que acompanha estas imagens, há uma ligação entre os dois», garante o fotógrafo, que lança um desafio: «quero que as pessoas, depois de olharem para estas fotografias, vão para casa com alguma coisa mais a consumi-las por dentro».

«Este sortido, rico, exibe as nossas raízes, a nossa riqueza», refere o autor que, nas suas fotografias, exibe açoteias, chaminés, platibandas, ombreiras de portas e janelas, as texturas das paredes, mas também a lavoura no campo, a confeção da empreita ou a pesca. «A riqueza do Algarve é a sua diversidade», resume o autor de Algarve Sortido Rico.

A mostra pode ser vista até 15 de maio.