Fernando Ricardo mostra o seu fotojornalismo em Tavira

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O Palácio da Galeria acolhe desde 22 de Outubro e durante os próximos meses uma extensa exposição de fotografia de Fernando Ricardo, fotojornalista português com longa carreira nacional e internacional, iniciada em 1970 no jornal «A Capital». É mais de uma centena de imagens a preto e branco, algumas delas impressas em grandes dimensões, distribuídas pelas várias salas do palácio e organizadas em núcleos temáticos.

Fernando Ricardo, que durante cerca de 20 anos trabalhou para a Associated Press, fotografou pelo mundo fora pessoas e culturas, acontecimentos, conflitos armados e guerras, desporto, etc. Afirmou em entrevista a Jorge Queiroz, transcrita no catálogo que acompanha a exposição, «que o fotojornalismo é a essência da fotografia».

Na exposição agora patente ao público em Tavira, o fotojornalista quis mostrar a sua vida, o mundo que conheceu, as suas vivências, os lugares onde esteve. Por exemplo, Tavira, com o sal, Portimão, com o peixe, Angola, onde foi feita a intensa imagem de apresentação da exposição, Cabo Verde, Uganda, Congo, Cuba, Marrocos, Brasil, México, Itália e, naturalmente, Portugal de norte a sul.

A colecção apresentada em Tavira, com fotografia desde a década de 1970 e quase até ao presente, tem um cariz acentuadamente humanista. As pessoas, a sua identidade social e cultural, as práticas quotidianas e as religiões são o foco central, a par de acontecimentos como o incêndio do Chiado, Lisboa, em 1987. Entre as personalidades fotografadas estão, por exemplo, Nelson Mandela, João Paulo II, José Saramago, Mário Soares, Eusébio e Joaquim Agostinho. A vertente do fotojornalismo nos conflitos armados e nas guerras está muito pouco presente, embora da pobreza dos mesmos resultante seja evidente em algumas imagens.

Nuno de Santos Loureiro