«E o Estado não é de quem manda?» interroga a Folha de Medronho

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A Folha de Medronho, Associação de Artes Performativas de Loulé, estreia no Cine-Teatro Louletano o espetáculo, «E o Estado não é de quem manda? – Variações sobre a Antígona de Sófocles e textos do quotidiano», com encenação de João de Mello Alvim e interpretações de Alexandra Diogo, António Sofia e Mariana Teiga.

Partindo do clássico de Sófocles, «Antígona», a montagem reflete os conflitos fundamentais da existência humana em sociedade, designadamente entre a razão de estado e as liberdades individuais, assim como a contestação feminista à ordem política machista da Grécia antiga (mesmo nas cidades mais democráticas como Atenas): toda a contestação é protagonizada por uma mulher.

«A partir destas reflexões, interessou-nos e motivou-nos a projeção no nosso quotidiano, procurando o real (ou a atualidade) no dia-a-dia que vivemos», informa a Folha de Medronho.

Durante a montagem, os atores foram incentivados a procurar o seu próprio caminho e o encontro da pluralidade desses caminhos na realidade do espaço de representação, que igualmente ia sofrendo alterações conforme a construção – desconstrução – construção do espetáculo avançava.

Pode-se assim dizer que o «E o Estado não é de quem manda? – Variações sobre Antígona e textos do quotidiano» foi (sendo) construído sem uma ideia formal pré-concebida, antes nascendo de um trabalho oficinal de experimentação, seleção, reflexão e articulação para o encontro do resultado final.

Este espetáculo, que depois de estrear em Loulé, será apresentado em Elvas (UmColetivo), seguirá mais tarde para o festival CIT de Luanda, é uma co-produção Folha de Medronho/FITA-Lendias D´Encantar (Beja), e integra-se no Programa da Bolsa de Apoio ao Teatro 2019, dinamizado pela Câmara Municipal de Loulé/Cine-Teatro Louletano.

Esta produção foi também apoiada pela Fundação Calouste Gulbenkian.