Diogo Piçarra toca em Lagoa já a pensar no próximo disco

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O cantor natural de Faro revela ao «barlavento» o que público pode esperar no concerto de sexta-feira, dia 10 de maio, no Centro de Congressos do Arade, em Lagoa.

Conhecido pelo público por ter vencido o concurso de televisão «Ídolos», em 2012, o jovem cantor e compositor de 28 anos diz que não é isso que o caracteriza. «Acho que nunca me vou sentir famoso. Sinto-me apenas alguém que gosta de música e que gosta de fazer as pessoas felizes com isso. Gosto de incluir o público nas minhas letras, e acho que não passa disso. Não sou mais que ninguém, serei sempre o mesmo miúdo de há 10 anos atrás. Isso é que é especial, as pessoas verem que eu participei num programa de televisão, mas sentirem que sou um ser humano igual a qualquer outro, que apenas gosta de música», sublinha em conversa com o «barlavento».

Apesar de considerar a carreira ainda «curta», caracteriza-a como «recheada», sendo que «são já muitas viagens, muitas participações, canções, concertos e nomeações. Ninguém diria que passaram apenas cinco anos», desde que se deu a conhecer.

Neste momento, o artista algarvio está em digressão pelo país, em concertos intimistas, com quase todas as salas esgotadas. É uma tournée acústica, em que cada a atuação é diferente da anterior. Desde janeiro já deu 19 concertos, faltando outros 11 até ao final. «Todas as casas têm estado lotadas, há apenas 10 concertos que ainda têm bilhetes disponíveis», revela. Um dos espetáculos onde ainda é possível comprar entrada é o concerto de sexta-feira, dia 10 de maio, no Centro de Congressos do Arade, no Parchal, em Lagoa.

Questionado sobre o que o público algarvio pode esperar, Diogo Piçarra admite que «vai depender do público e da energia. Tanto posso tocar uma hora e meia, como duas. Esta digressão tem sido uma surpresa. É isso que o público pode esperar», um momento único. Claro que o facto de estar a jogar em casa também torna a ocasião especial. «É sempre bom voltar a casa e sinto-me cada vez mais valorizado pelo público algarvio. Sempre que regresso sinto que os concertos estão mais fortes. Sinto-me cada vez melhor na minha região. Acho que as pessoas sentem um orgulho enorme por me verem a ter algum sucesso nacional e internacional. O Algarve retribui-me muito isso e nunca é demais agradecer», sublinha o artista.

Questionado sobre o novo álbum, Diogo Piçarra admite ainda não ter data definida, contudo adianta que «vou entrar em estúdio este verão para gravar o terceiro disco. Vou lançar alguns singles e apresentar novidades. Antes do ano acabar sairá o novo trabalho». Apesar de não revelar detalhes, o cantor desvenda: «espero compor com alguém lá de fora. Já tenho algum material guardado por ter estado em Espanha, no Brasil e, mais recentemente em Los Angeles. Serão coisas mais relacionadas com o meu trabalho de compositor e produtor». Para já, o foco é, segundo Diogo Piçarra, «acabar a tournée e entrar em estúdio para voltar a concentrar-me na minha próxima música a solo».

Fotos: Sara Alves

Fora da Bóia foi o início

Diogo Piçarra, cantor algarvio vencedor do concurso televisivo de caça-talentos «Ídolos», em 2012, começou a sua carreira musical, segundo conta ao «barlavento», «com uma brincadeira de escola». Em 2007, frequentava a Escola Secundária Pinheiro e Rosa, em Faro, que apresentou um concurso aos alunos.

Na turma de Diogo, decidiram formar uma banda. Visto ser o único a tocar guitarra, assegurou de imediato a tarefa. «Até ficámos com uma boa pontuação e cinco de nós resolvemos continuar com o projeto. Apelidámos a banda de Fora da Bóia e quatro anos depois estávamos a atuar na Semana Académica da Universidade do Algarve com temas originais e a participar em concursos de bandas», relembra o cantor.

Ainda segundo conta ao «barlavento», o gosto pela música surgiu nessa altura. «Eu era um dos principais compositores e produtores da banda. Apesar de não ser o vocalista, cantava alguns refrões. Não gostava de cantar, tinha vergonha e estava confortável com um papel mais secundário». Mais tarde, com o fim da banda, Diogo Piçarra pensou que não podia desistir do talento que tinha descoberto em si. «A música, as letras e a melodia saíam-me de forma natural. Tinha de fazer alguma coisa, não podia desistir», explica. O que se seguiu? Publicou alguns vídeos no youtube e candidatou-se ao programa «Ídolos», que lhe rendeu o primeiro lugar e, como prémio, um ano de estudos em Londres.

«Agora que penso em perspetiva, o meu percurso desde a escola secundária foi uma aventura», relembra. Para o músico farense, o maior desafio ao longo do seu percurso foi a batalha contra a timidez. «A música desbloqueou muita coisa que eu não sabia que tinha. Acima de tudo ajudou-me a combater todas as inseguranças que sentia. Libertou-me disso. Hoje em dia sou uma pessoa diferente graças a três fatores: a música, os meus pais e o meu irmão. Eles acreditavam muito mais em mim do que eu próprio», conclui.