Casa dos Rapazes vai ter mural de graffiti pelo artista olhanense SEN

  • Print Icon

Dário Silva, pintor olhanense conhecido pelo nome artístico de SEN, está a pintar a fachada do Instituto Dom Francisco Gomes, Casa dos Rapazes, em Faro. Artista foi requisitado pelos jovens da instituição.

Dário Silva, 33 anos, mais conhecido por SEN (nome artístico diminutivo de «Senator», alcunha ao melhor estilo hip-hop americano), não esconde a satisfação de estar a pintar em Faro, para uma instituição de jovens, que o escolheram para o trabalho. É aliás, o primeiro trabalho do género que faz na sua carreira que já quase 25 anos.

Autodidata, SEN tem colocado o Algarve na mira dos adeptos desta arte de rua. Há quem venha de vários cantos do país e da Europa para pintar com ele.

«Há pouco perguntaram-me se tenho alguma máquina nos dedos para pintar assim. Na verdade, tenho é muita experiência e parece que cada vez gosto mais de fazer isto. Mas parece que não tenho mão para tudo», diz ao barlavento.

SEN começou a pintar em 1999, com apenas 12 anos, influenciado pelos primeiros graffiti que viu fazer em Quarteira e Faro. Como atividade semi-clandestina que ainda continua a ser, a pintura urbana já trouxe a SEN incontáveis problemas com a lei.

Já foi «milhões de vezes» para as esquadras, pagou multas, e conta que a polícia, certa vez, até abanou as escadas para o fazer descer quando se preparava para esvaziar as tintas na fachada de uma casa velha.

Com pecado veio a fama e SEN não tem mãos a medir. É requisitado para todo o tipo de pinturas. Empresas e famílias pedem-lhe requisitam o seu trabalho, mas não quer dizer que venda a alma.

«Não me interessa estragar monumentos, nem nada disso. Respeito mármores, vidros e os prédios das pessoas. Só pinto em casas abandonadas ou então em paredes viradas para a linha do comboio. Agora, tento é fazer coisas que as pessoas gostem, mas sempre com o meu toque pessoal», garante.

António Barão, ex-dirigente do Sporting Clube Farense e presidente da direção do Instituto Dom Francisco Gomes/ Casa dos Rapazes, explica «que foi ideia dos nossos jovens. São apaixonados pela arte do graffiti. Eu queria colocar a identificação da instituição e foi ideia deles contratar o SEN. É algo com o qual se identificam.

Hoje temos que evoluir. Para que os jovens gostem daquilo que nós gostamos, também nós temos que gostar daquilo que eles gostam. Tem de haver uma partilha. Além, disso, queremos que se revejam e se sintam válidos nas escolhas, e que contribuam para a instituição. O muro é deles».

Em relação aos tempos da COVID-19, «imagine o que é ter 50 jovens, de 18/20 anos, confinados durante dois meses. Não é fácil. Mas eles perceberam e aceitaram que têm de preservar a sua saúde e a dos outros. O mais importante é o diálogo».