«Banda Sonora» de encenador quarteirense faz a estreia a sul em Loulé

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O encenador Ricardo Neves-Neves, natural de Quarteira, e o pianista e compositor Filipe Raposo apresentam, no Cine-Teatro Louletano (um dos coprodutores desta criação), a 29 e 30 de março, sempre às 21h30, «Banda Sonora», uma das mais aclamadas peças de teatro apresentadas em Portugal em 2018, agora em estreia absoluta no sul do país.

Num dispositivo cénico surpreendente, com uma floresta em palco e uma orquestra em fundo, na montanha, a tocar ao vivo, os dois criadores apresentam um espetáculo invulgar e surpreendente, em que a música seguiu a escrita e vice-versa, pondo em palco um universo de perversidade infantil interpretado por três pares de atrizes-cantoras, acompanhadas pela Orquestra Académica Metropolitana dirigida pelo Maestro Cesário Costa. Um texto carregado de metáforas, passado numa floresta de contos mais ou menos tradicionais, com músicas e canções a condizer.

«Numa floresta de terror vivem três meninas órfãs, de 8, 12 e 16 anos: as primeiras macrocéfalas e cheias de curiosidade científica, as segundas obcecadas pelas regras sociais e filhas de um rei da Mesopotâmia, as terceiras tão volumosas que sentenciaram a morte da mãe com o seu nascimento. São três meninas a seis vozes. Os três pares de atrizes, com semelhanças físicas e tímbricas, povoam o palco num universo ligado ao cinema de terror e aos contos tradicionais infantis mais negros», explica a produção.

Entre o nonsense, o delírio e a inocência extravagante, em forte ligação a uma essência musical, rítmica e polifónica, percorre-se um caminho pela floresta desde a dissecação de sapos até à secreta introdução ao tabagismo.

O reconhecido crítico Augusto M. Seabra considerou este um «espetáculo brilhantíssimo, absoluta confirmação, caso necessidade ainda houvesse, da singularidade criativa de Ricardo Neves-Neves, aqui numa exemplar parceria com um compositor, Filipe Raposo. Sem dúvida alguma um marco do teatro musical nos palcos portugueses».

É sublinhada a ferocidade criativa de Ricardo Neves-Neves, levada a um ponto inédito: a menina é órfã de mãe, que morreu no parto, e a história segue até à morte do pai. Alia-se a isso o portentoso delírio visual (a cenografia é assinada por Henrique Ralheta, os figurinos são da responsabilidade de Rafaela Mapri e a caraterização coube a Cidália Espadinha) de um universo figurativo que faz lembrar Tim Burton, bem como um notável nível de apuramento formal no que toca à interpretação (a direção vocal é de João Henriques).

«Banda Sonora» é uma coprodução do Teatro do Eléctrico, Cine-Teatro Louletano e São Luiz Teatro Municipal. Os bilhetes para o espetáculo têm um custo associado de 9 euros por pessoa, passando para 7 euros para maiores de 65 e menores de 30 anos (o Cartão de Amigo é aplicável), tendo a peça uma duração de 60 minutos e sendo dirigida a maiores de 14 anos.