«Adições que subtraem» mostram vícios a cru

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«As adições ao jogo, ao sexo e à internet, mais recentemente reconhecidas e tratadas como dependências, ficaram propositadamente fora do presente trabalho, em que preferi colocar o enfoque nas toxicodependências ligadas ao álcool e aos estupefacientes por serem as que em regra causam maior danosidade aos próprios e à comunidade envolvente, esgotando avultados recursos financeiros do Estado e de particulares», explica a autora. «Atingem um maior número de pessoas, quer enquanto consumidores, quer enquanto vítimas terceiras, como sucede, por exemplo, com (ex)cônjuges e familiares alvo de violência doméstica e in extremis de homicídio, roubos e toda a criminalidade conexa com o consumo e tráfico de drogas, e com sinistrados e mortos rodoviários em consequência de acidentes provocados pela condução em estado de embriaguez». Esta problemática afeta «ainda profissionais dos setores da segurança interna, justiça e saúde, ligados à prevenção, tratamento, reabilitação e reinserção social».

Apoema Calheiros privilegia a fotografia de reportagem e documental, tendo sido colaboradora da revista «Algarve Mais» e presentemente deste semanário. Dedica particular ênfase aos temas de intervenção social, em que ora também se insere a produção de «Adições que subtraem».

«Na sua edição, as imagens são a preto e branco, como sem cor é a vida dos seus protagonistas. Estão riscadas tal como as marcas e sulcos profundos, quais cicatrizes, que no corpo e na alma tem aqueles que são atingidos pelo flagelo das adições retratadas», esclarece.

A exposição marcou presença no Hospital Soerad, na passada terça-feira, 17 de novembro, por ocasião do Encontro «Andanças e Percursos, Luzes e Sombras» que assinalam os 15 anos de atividade da Equipa de Tratamento de Torres Vedras da Divisão de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

No seguimento desta apresentação, está, desde ontem e até ao próximo dia 30 de novembro, patente ao público no Palácio da Justiça de Sintra, daí seguindo para o de Cascais, onde poderá ser visitada de 2 a 16 de dezembro.